
A questão pede a afirmação INCORRETA sobre cistos branquiais e cobra as características clínicas e embriológicas básicas dessa anomalia. O cisto branquial é congênito, aparece como massa cervical lateral na borda anterior do esternocleidomastoideo e é quase sempre unilateral. Por isso a alternativa B, que afirma bilateralidade na maioria dos casos, é a incorreta.
Massa cervical lateral + borda anterior do esternocleidomastoideo + origem embrionária + unilateral = cisto branquial (segunda fenda) → exérese cirúrgica completa
Os cistos branquiais são anomalias congênitas que resultam da obliteração incompleta das fendas e bolsas do aparelho branquial (faríngeo) durante a vida embrionária. A grande maioria deriva da segunda fenda branquial. A apresentação típica é uma massa cervical lateral, indolor, de consistência cística, na borda anterior do músculo esternocleidomastoideo. Costuma ser percebida na infância tardia ou no adulto jovem, muitas vezes depois de aumentar de volume durante uma infecção de vias aéreas superiores.
A suspeita é clínica, pela localização e pela história. A ultrassonografia, a tomografia ou a ressonância ajudam a confirmar a natureza cística e a planejar a cirurgia. O tratamento é a ressecção completa do cisto e de eventual trajeto fistuloso, de preferência fora de um episódio infeccioso, porque a infecção recorrente e a ressecção incompleta aumentam a chance de recidiva.
Armadilhas de prova: a lesão é quase sempre unilateral, e a bilateralidade é rara. Quando ela aparece, especialmente com fístulas ou alterações auditivas, deve lembrar a síndrome brânquio-oto-renal. A massa lateral não deve ser confundida com o cisto tireoglosso, que é mediano e se move com a deglutição e a protrusão da língua. Em adultos acima de 40 anos, uma massa cística cervical lateral deve ser considerada metástase de carcinoma espinocelular até prova em contrário.
Afirmação verdadeira. O cisto da segunda fenda, o tipo mais comum, aparece como massa lateral na borda anterior do esternocleidomastoideo, classicamente entre o terço superior e o médio do músculo.
Esta é a afirmação falsa, portanto a resposta da questão. Os cistos branquiais são unilaterais na grande maioria dos casos, e a bilateralidade é rara (pode sugerir síndrome brânquio-oto-renal).
Afirmação considerada verdadeira pela banca. A suspeita diagnóstica é clínica, e a imagem complementa a avaliação e o planejamento cirúrgico. No adulto mais velho, é obrigatório excluir metástase cística.
Afirmação verdadeira. São lesões congênitas, remanescentes do aparelho branquial que não involuiu completamente durante o desenvolvimento embrionário.
Massa cervical lateral, congênita e unilateral na borda anterior do esternocleidomastoideo é cisto branquial. Massa mediana que sobe com a deglutição é cisto tireoglosso.
Cisto tireoglosso é a massa cervical congênita de linha média mais clássica da infância, causada por persistência do ducto tireoglosso. Para prova, o dado que separa esse tema dos vizinhos é: massa cervical mediana que sobe com a deglutição e com a protrusão da língua.
A banca costuma trazer criança ou adolescente com nódulo indolor na linha média do pescoço, geralmente próximo ao osso hioide. O enunciado pode dizer que a lesão aumenta após infecção de vias aéreas superiores, fica dolorosa quando infecta ou apresenta drenagem por fístula cutânea.
O padrão clássico é:
paciente pediátrico;
massa cervical anterior, mediana ou paramediana;
localização próxima ao osso hioide;
mobilidade com deglutição;
mobilidade com protrusão da língua;
ultrassonografia mostrando lesão cística;
tratamento definitivo com cirurgia de Sistrunk.
A palavra que entrega o diagnóstico é "move-se com a protrusão da língua".
A tireoide se forma na base da língua, no forame cego, e migra caudalmente até a região cervical anterior. Durante esse trajeto, ela mantém comunicação com a língua pelo ducto tireoglosso, que normalmente involui.
Se o ducto não regride completamente, pode permanecer um trajeto epitelial. Esse remanescente pode formar:
cisto;
fístula;
abscesso quando infectado.
A relação anatômica importante para prova é com o osso hioide. O trajeto costuma passar próximo, através ou posterior ao hioide. Por isso, retirar só o cisto aumenta muito a recidiva. A cirurgia correta remove o cisto, o trajeto e a porção central do osso hioide.
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Massa cervical anterior na linha média.
Criança ou adolescente.
Lesão indolor, arredondada, de crescimento lento.
Localização perto do osso hioide.
Movimento com deglutição.
Movimento com protrusão da língua.
Esse último é o dado que mata a questão.
Aumento de volume após infecção de vias aéreas superiores.
Dor, hiperemia e flutuação se houver infecção.
Drenagem espontânea se houver fístula.
Disfagia leve ou desconforto local, menos comum.
Lesão paramediana, especialmente próxima à linha média, não exclui o diagnóstico.
Massa endurecida, fixa ou irregular.
Crescimento rápido.
Linfonodomegalias cervicais associadas.
Sintomas compressivos importantes.
Rouquidão.
Nódulo sólido dentro do cisto na ultrassonografia.
Adulto com massa cervical nova.
A pegadinha é que malignidade em cisto tireoglosso é rara, mas quando aparece, o tipo mais comum é carcinoma papilífero.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.