
A questão cobra a lista de critérios de causalidade propostos por Austin Bradford Hill em 1965. Basta reconhecer a única alternativa em que os três itens pertencem à lista original e descartar as que trazem conceitos de testes diagnósticos (sensibilidade, valor preditivo positivo) ou termos estranhos à lista (antídoto).
Temporalidade + força + especificidade (todos da lista de 1965) = critérios de Bradford Hill → alternativa C
Os critérios de Bradford Hill são nove pontos de vista publicados em 1965 para ajudar a decidir se uma associação estatística observada em estudos epidemiológicos tende a ser causal: força da associação, consistência, especificidade, temporalidade, gradiente biológico (relação dose-resposta), plausibilidade, coerência, evidência experimental e analogia. Quem pesquisa criterios de hill costuma precisar exatamente dessa lista, que é cobrada com frequência em provas de residência.
Na prática, a força da associação é medida pela magnitude do risco relativo ou da razão de chances. A consistência é a repetição do achado em populações e desenhos de estudo diferentes. A temporalidade exige que a exposição preceda o desfecho. O gradiente biológico indica que mais exposição gera mais efeito. A evidência experimental mostra que retirar ou reduzir a exposição diminui o desfecho.
Armadilhas: o próprio Hill afirmou que nenhum critério isolado prova causalidade e que apenas a temporalidade é obrigatória. A especificidade é considerada o critério mais fraco, já que uma exposição como o tabagismo causa várias doenças. Por fim, não confunda a especificidade de Hill com a especificidade de um teste diagnóstico, que é a proporção de verdadeiros negativos entre os não doentes.
Plausibilidade e consistência fazem parte da lista, mas a existência de antídoto não é critério de causalidade descrito por Hill, o que invalida a alternativa.
Alto valor preditivo positivo é medida de desempenho de teste diagnóstico e não critério de causalidade. A reversibilidade aparece em alguns livros como forma de evidência experimental, mas o item sobre valor preditivo já torna a alternativa errada.
Temporalidade (a causa precede o efeito), força (magnitude da associação) e especificidade (uma causa ligada a um efeito definido) estão todas entre os nove critérios originais de Hill. Por isso, esta é a resposta.
Consistência e especificidade pertencem à lista, mas sensibilidade é parâmetro de acurácia de teste diagnóstico. A alternativa mistura os dois contextos para confundir.
Se aparecer sensibilidade, valor preditivo ou outro parâmetro de teste diagnóstico, a alternativa não traz um critério de Hill. Lembre que a temporalidade é o único critério indispensável.
Epidemiologia é o estudo da distribuição e dos determinantes dos eventos relacionados à saúde nas populações. Para prova, o mais importante é reconhecer medidas de frequência, medidas de associação, desenhos de estudo, vieses, testes diagnósticos e raciocínio de rastreamento.
O que separa Epidemiologia dos temas vizinhos é que aqui a banca não quer decorar doença: quer saber interpretar números, comparar grupos, identificar o melhor desenho de estudo e perceber armadilhas metodológicas.
A banca costuma apresentar uma situação como:
Paciente, população ou grupo exposto a um fator de risco, seguido de uma tabela 2 x 2, um estudo observacional, um ensaio clínico ou um programa de rastreamento.
As palavras que entregam o tema são: incidência, prevalência, risco relativo, odds ratio, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo, viés, confundimento, coorte, caso-controle, transversal, ensaio clínico e rastreamento.
O dado que mata a questão geralmente é:
Se a questão fala em | Pense em |
|---|---|
Casos novos | Incidência |
Casos existentes | Prevalência |
Exposição antes do desfecho | Coorte |
Doença antes da investigação da exposição | Caso-controle |
Fotografia de um momento | Estudo transversal |
Intervenção feita pelo pesquisador |
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Teste para não deixar passar doente | Alta sensibilidade |
Teste para confirmar diagnóstico | Alta especificidade |
Aqui a “fisiopatologia” é o raciocínio causal.
Uma doença pode ser mais frequente em um grupo por três motivos principais:
A exposição realmente aumenta o risco.
Existe um fator de confusão explicando a associação.
Houve erro sistemático na forma de selecionar, medir ou acompanhar os participantes.
Para prova, a sequência mental é:
Exposição vem antes do desfecho? Isso favorece causalidade.
Existe associação forte, consistente, plausível e com gradiente dose-resposta? Isso fortalece causalidade.
Pode haver variável confundidora? Ajuste, estratificação ou randomização ajudam a controlar.
O estudo é experimental? A randomização distribui confundidores conhecidos e desconhecidos entre os grupos.
Medidas de frequência:
Prevalência é o número de casos existentes em uma população em determinado momento ou período. É uma “foto” da carga de doença.
Incidência é o número de casos novos em uma população sob risco durante determinado tempo. Mede risco de adoecer.
Regra prática: doença longa aumenta prevalência; doença curta ou muito letal reduz prevalência.
Medidas de associação:
Risco relativo compara incidência entre expostos e não expostos. É típico de coorte e ensaio clínico.
Odds ratio compara odds de exposição ou desfecho. É típico de estudo caso-controle, mas também pode aparecer em regressão logística.
Razão de prevalência compara prevalências. É típica de estudo transversal.
Medidas de impacto:
Risco atribuível é a diferença absoluta de risco entre expostos e não expostos.
Número necessário para tratar (NNT) é 1 dividido pela redução absoluta do risco.
Número necessário para causar dano (NNH) é 1 dividido pelo aumento absoluto do risco.
Desenhos de estudo:
Desenho | Como reconhecer |
|---|---|
Transversal | Mede exposição e desfecho ao mesmo tempo |
Caso-controle | Começa pelo desfecho e olha exposição passada |
Coorte | Começa pela exposição e acompanha desfecho |
Ensaio clínico | Pesquisador intervém e randomiza idealmente |
Ecológico | Unidade de análise é grupo, cidade, país ou população |
Série de casos | Descreve pacientes sem grupo comparador |
Hierarquia prática para prova:
Ensaio clínico randomizado é forte para intervenção.
Coorte é forte para incidência, risco e temporalidade.
Caso-controle é útil para doença rara ou de longa latência.
Transversal é útil para prevalência.
Ecológico gera hipótese, mas sofre com falácia ecológica.
Associação não é causalidade.
Odds ratio não é risco relativo, exceto quando a doença é rara.
Valor preditivo positivo e valor preditivo negativo dependem da prevalência.
Sensibilidade e especificidade não dependem da prevalência de forma direta.
Rastreamento não serve para qualquer doença: precisa haver doença relevante, fase assintomática detectável, teste aceitável, tratamento eficaz e benefício maior que dano.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.