
A questão cobra a distribuição percentual da regra dos nove no adulto. Nesse método, cabeça e pescoço somam 9% da superfície corporal total, então a resposta é 9%.
Adulto + regra dos nove + segmento cabeça e pescoço = 9% da superfície corporal queimada
A regra dos nove (regra de Wallace) é o método mais rápido para estimar a superfície corporal queimada (SCQ) no adulto. O corpo é dividido em segmentos que valem 9% ou múltiplos de 9%. Cabeça e pescoço valem 9% (4,5% na face anterior e 4,5% na posterior). Cada membro superior vale 9%, cada membro inferior 18%, o tronco anterior 18%, o tronco posterior 18% e o períneo 1%, totalizando 100%.
A estimativa da superfície corporal queimada orienta a reposição volêmica (por exemplo, a fórmula de Parkland), a indicação de encaminhamento a centro de queimados e o prognóstico. Entram no cálculo apenas as queimaduras de segundo e terceiro graus. O eritema da queimadura de primeiro grau não é somado. Em queimaduras pequenas ou irregulares, usa-se a regra da palma: a palma da mão do próprio paciente, incluindo os dedos, corresponde a cerca de 1% da superfície corporal.
A principal armadilha é aplicar os valores do adulto à criança. No lactente, a cabeça é proporcionalmente maior (em torno de 18%) e os membros inferiores são menores. Nessa faixa etária, o ideal é usar a tabela de Lund-Browder, que ajusta os percentuais conforme a idade e é mais precisa também no adulto.
1% é o valor do períneo na regra dos nove. Também corresponde aproximadamente à palma da mão do paciente, na regra da palma.
4,5% é apenas metade do segmento cabeça e pescoço (face anterior ou posterior). O segmento inteiro vale 9%.
No adulto, a cabeça (com o pescoço) corresponde a 9% da superfície corporal pela regra dos nove.
18% é o valor de cada membro inferior, do tronco anterior ou do tronco posterior no adulto. Aproxima-se do valor da cabeça no lactente, não no adulto.
No adulto, cabeça e pescoço valem 9%, cada braço 9%, cada perna 18%, cada face do tronco 18% e o períneo 1%. Se a questão for de criança, lembre que a cabeça cresce e as pernas diminuem.
Queimadura é lesão tecidual por agente térmico, elétrico, químico ou radioativo, cujo risco depende principalmente de profundidade, extensão da superfície corporal queimada, localização, idade, comorbidades e presença de lesão inalatória.
Para prova, o mais importante é separar queimadura pequena tratável ambulatorialmente de queimadura grave que exige reposição volêmica, avaliação de via aérea, analgesia, prevenção de infecção e encaminhamento para centro especializado.
A banca costuma cobrar vítima de incêndio, explosão, escaldadura, acidente elétrico ou queimadura por chama em ambiente fechado.
O padrão clássico é:
paciente com queimadura extensa;
necessidade de calcular superfície corporal queimada;
decisão sobre reposição volêmica;
suspeita de lesão inalatória;
indicação de internação ou transferência para centro de queimados.
A palavra que entrega gravidade é: queimadura em face, ambiente fechado, fuligem, rouquidão, estridor, queimadura circular, mão, pé, períneo, genitália, articulação, elétrica ou química.
O dado que mata a questão costuma ser:
regra dos 9 de Wallace em adultos;
fórmula de Parkland;
não contar queimadura de 1º grau no cálculo da reposição volêmica;
intubação precoce se suspeita de lesão inalatória;
escarotomia se queimadura circular compromete perfusão ou ventilação.
A queimadura causa destruição da barreira cutânea, perda de líquido, inflamação sistêmica, aumento da permeabilidade capilar e risco de choque hipovolêmico.
Nas queimaduras extensas, o grande problema inicial não é infecção: é perda volêmica e lesão inalatória.
A profundidade define cicatrização e necessidade de intervenção:
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1º grau: só epiderme, eritema, dor, sem bolha;
2º grau superficial: derme superficial, bolhas, úmida, muito dolorosa, boa perfusão;
2º grau profunda: derme profunda, pálida ou mosqueada, menos dolorosa, cicatrização ruim;
3º grau: espessura total, aspecto branco, céreo, carbonizado ou coriáceo, pouca dor por destruição neural;
4º grau: acomete músculo, tendão ou osso.
A pegadinha é que a área de 1º grau não entra no cálculo da superfície corporal queimada para reposição volêmica.
Dor, eritema, bolhas ou escara.
Queimadura por chama em ambiente fechado.
Fuligem em boca ou nariz.
Rouquidão, tosse, estridor, dispneia ou alteração do nível de consciência.
Queimadura circular em tórax ou extremidade.
Sinais de hipoperfusão: taquicardia, hipotensão, oligúria, extremidades frias.
Queimadura elétrica com lesão profunda desproporcional à pele visível.
Rabdomiólise em queimadura elétrica, com risco de mioglobinúria e insuficiência renal aguda.
Queimadura química, em que a conduta inicial é retirada de roupas contaminadas e irrigação abundante.
Intoxicação por monóxido de carbono em incêndio, com oximetria de pulso falsamente normal.
Intoxicação por cianeto em incêndio com plásticos, alteração neurológica, acidose láctica e choque.
Queimadura de face, pescoço ou via aérea.
Queimadura em ambiente fechado.
Rouquidão, estridor ou desconforto respiratório.
Queimadura > 10% da superfície corporal em criança ou idoso.
Queimadura > 20% da superfície corporal em adulto.
Queimadura de 3º grau.
Queimadura elétrica de alta-voltagem.
Queimadura química.
Queimadura em mãos, pés, face, períneo, genitália ou grandes articulações.
Queimadura circular de membro ou tórax.
Trauma associado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.