
A questão cobra o conhecimento das manobras usadas na distócia de ombro e pede a única opção que não pertence ao manejo. Hiperflexão das coxas (McRoberts), pressão suprapúbica (Rubin I), rotação do ombro anterior (Rubin II) e liberação do ombro posterior (Jacquemier) são manobras consagradas. O fórcipe atua sobre o polo cefálico, que nessa situação já está desprendido, então não tem indicação: a resposta é B.
Cabeça desprendida + retração contra o períneo (sinal da tartaruga) + ombro anterior impactado na sínfise = distócia de ombro → McRoberts + pressão suprapúbica, depois manobras internas; fórcipe e pressão fúndica não
Quem busca sinal da tartaruga parto quer entender o achado clínico que anuncia a distócia de ombro: após o desprendimento, a cabeça fetal não progride, fica com a face congesta e se retrai contra o períneo materno, como a cabeça de uma tartaruga voltando ao casco. A causa é a impactação do ombro anterior atrás da sínfise púbica (mais raramente do ombro posterior no promontório). O diagnóstico é clínico, feito no momento do parto, e também se considera distócia quando são necessárias manobras além da tração suave para liberar os ombros.
Diante do sinal, pede-se ajuda, interrompe-se o esforço expulsivo e evita-se tração excessiva da cabeça. A primeira linha é a manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas sobre o abdome, que retifica a lordose lombar e roda a sínfise em direção cefálica), associada à pressão suprapúbica sobre a face posterior do ombro anterior (Rubin I). Se falhar, seguem as manobras internas: Rubin II (rotação do ombro anterior), Woods (rotação pelo ombro posterior), retirada do braço posterior (manobra de Jacquemier) e a posição de quatro apoios (Gaskin). Medidas de resgate incluem fratura intencional de clavícula, Zavanelli e sinfisiotomia.
Armadilhas clássicas de prova: pressão no fundo uterino (Kristeller) piora a impactação e é contraindicada; tração lateral forte da cabeça aumenta a lesão de plexo braquial; e o fórcipe não tem papel, porque a cabeça já saiu e o obstáculo está nos ombros. A episiotomia isolada não desimpacta o ombro, servindo apenas para dar espaço às manobras internas.
A pressão suprapúbica (manobra de Rubin I ou Mazzanti) empurra o ombro anterior para baixo da sínfise e para uma posição oblíqua. É indicada e costuma ser feita junto com a manobra de McRoberts.
O fórcipe é um instrumento aplicado ao polo cefálico, que na distócia de ombro já está desprendido. Não resolve a impactação do ombro e só atrasa as manobras eficazes, por isso não é indicado e é a resposta.
A hiperflexão das coxas sobre o abdome é a manobra de McRoberts, primeira linha no manejo. Retifica a lordose lombar e roda a sínfise em direção cefálica, liberando o ombro anterior em boa parte dos casos.
A rotação do ombro anterior corresponde à manobra de Rubin II, em que se pressiona a face posterior do ombro anterior para aduzi-lo e levá-lo ao diâmetro oblíquo. É manobra interna indicada.
A liberação do ombro posterior, com retirada do braço posterior (manobra de Jacquemier), reduz o diâmetro biacromial e permite o desprendimento. É manobra indicada e de alta efetividade.
Na distócia de ombro, tudo que age no ombro ou na pelve materna é permitido (McRoberts, pressão suprapúbica, Rubin, Woods, braço posterior). O que é proibido: fórcipe, pressão fúndica e tração forte da cabeça.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
1286 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.