
A questão cobra a frequência relativa dos tipos de fístula anal na classificação de Parks. Seguindo a ordem convencional (1 interesfincteriana, 2 transesfincteriana, 3 supraesfincteriana, 4 extraesfincteriana), o tipo mais comum é a interesfincteriana, ou seja, Parks tipo 1. Não existe tipo 0 na classificação.
Fístula anal + trajeto entre esfíncter interno e externo, sem atravessar o externo = Parks tipo 1 (interesfincteriana), a mais comum
A classificação de parks (Parks, Gordon e Hardcastle, 1976) é o sistema mais usado para descrever fístulas anais. Ela organiza o trajeto primário da fístula conforme sua relação com o complexo esfincteriano (esfíncter anal interno e esfíncter anal externo) em quatro grupos: fístula interesfincteriana, fístula transesfincteriana, fístula supraesfincteriana e fístula extraesfincteriana.
Na fístula interesfincteriana o trajeto corre no espaço entre os dois esfíncteres até a pele perianal; é a mais frequente na maioria das séries (cerca de 45% na série original de Parks). A fístula transesfincteriana atravessa o esfíncter externo até a fossa isquioanal e é a segunda mais comum. A fístula supraesfincteriana sobe pelo espaço interesfincteriano, passa acima do puborretal e desce pela fossa isquioanal. A fístula extraesfincteriana vai do reto à pele sem passar pelo canal anal, por fora de todo o complexo esfincteriano, e costuma ter causa secundária (trauma, doença de Crohn, doença pélvica ou iatrogenia).
A classificação serve para planejar o tratamento: quanto mais músculo esfincteriano o trajeto envolve, maior o risco de incontinência com a fistulotomia, o que leva a preferir técnicas poupadoras de esfíncter (sedenho, LIFT, retalho de avanço). Armadilhas: não existe tipo 0, a numeração de 1 a 4 é convenção didática que segue a ordem descrita por Parks, e fístulas superficiais (subcutâneas ou submucosas) não fazem parte dos quatro grupos originais.
Não existe tipo 0 na classificação de Parks, que descreve apenas quatro grupos. É um distrator inventado.
Parks tipo 1 corresponde à fístula interesfincteriana, que tem trajeto entre os esfíncteres interno e externo. É o tipo mais frequente na maioria das séries.
Parks tipo 2 é a fístula transesfincteriana, que atravessa o esfíncter externo até a fossa isquioanal. É comum, mas é a segunda em frequência.
Parks tipo 3 é a fístula supraesfincteriana, que contorna o músculo puborretal por cima. É bem menos frequente que os tipos 1 e 2.
Parks tipo 4 é a fístula extraesfincteriana, que passa por fora de todo o complexo esfincteriano. É a mais rara e geralmente tem causa secundária, como trauma, doença de Crohn ou iatrogenia.
Grave a ordem de Parks, que também é a ordem decrescente de frequência: inter (1) > trans (2) > supra (3) > extra (4). Se aparecer tipo 0, é distrator.
Doenças orificiais são afecções benignas da região anal e perianal, cobradas em prova pelo padrão clássico de dor, sangramento, secreção, prurido ou abaulamento. O ponto que separa os diagnósticos é simples: hemorroida sangra mais do que dói, fissura dói muito ao evacuar, abscesso dói de forma contínua e fistula drena secreção crônica.
A banca costuma cobrar um paciente com queixa anal e pedir o diagnóstico ou a conduta inicial.
O perfil clássico:
Sangramento vermelho-vivo, indolor, após evacuação: pensar em doença hemorroidária interna.
Dor anal intensa durante e após evacuação, com sangue no papel: pensar em fissura anal.
Dor perianal contínua, febre, hiperemia e flutuação: pensar em abscesso perianal.
Secreção purulenta recorrente por orifício perianal: pensar em fístula anal.
Nódulo doloroso agudo, arroxeado, na margem anal: pensar em trombose hemorroidária externa.
Prurido anal sem lesão evidente: pensar em dermatite, higiene excessiva, oxiúrus, umidade ou doença hemorroidária associada.
A palavra que entrega a questão geralmente é:
"Sangramento indolor": hemorroida interna.
"Dor lancinante ao evacuar": fissura anal.
"Dor pulsátil com febre": abscesso.
"Drenagem crônica": fístula.
"Nódulo arroxeado doloroso": trombose hemorroidária externa.
Para prova, o mais importante é entender que cada doença tem um mecanismo dominante.
Hemorroidas são coxins vasculares anais sintomáticos por congestão, prolapso ou trombose.
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Fissura anal é uma úlcera linear no canal anal, geralmente na linha média posterior, associada a hipertonia do esfíncter interno e dor evacuatória.
Abscesso anorretal costuma vir de infecção das glândulas anais, com coleção purulenta.
Fístula anal é a comunicação crônica entre o canal anal ou reto e a pele perianal, frequentemente após abscesso drenado ou não drenado.
Doença pilonidal é doença da região sacrococcígea, relacionada a pelos e inflamação crônica, não é uma fístula anal verdadeira.
Regra de prova: abscesso e fístula são fases diferentes do mesmo processo infeccioso criptoglandular.
Hemorroida interna: sangramento vermelho-vivo, indolor, gotejamento no vaso ou sangue no papel, podendo haver prolapso.
Hemorroida externa trombosada: dor súbita, nódulo perianal endurecido e arroxeado.
Fissura anal: dor intensa ao evacuar, persistente por minutos a horas, associada a pequeno sangramento.
Abscesso perianal: dor contínua, febre, calor local, hiperemia, edema e flutuação.
Fístula anal: secreção purulenta recorrente, sujidade na roupa íntima, orifício externo perianal.
Prurido anal por umidade, secreção, dermatite de contato, higiene excessiva ou parasitose.
Plicoma sentinela em fissura crônica.
Papila anal hipertrófica associada à fissura crônica.
Prolapso hemorroidário com necessidade de redução manual.
Doença pilonidal com abscesso ou secreção crônica na linha interglútea.
Sangramento anal em paciente acima de 45 a 50 anos, anemia, perda ponderal ou alteração do hábito intestinal: não atribuir automaticamente a hemorroida.
Fissura lateral, múltipla, indolor ou recorrente: pensar em Crohn, HIV, sífilis, tuberculose, neoplasia ou trauma.
Abscesso em diabético, imunossuprimido ou com dor desproporcional: pensar em infecção grave e fasciíte necrosante.
Fístulas múltiplas, complexas ou recorrentes: pensar em doença de Crohn.
Lesão endurecida, ulcerada, vegetante ou sangramento persistente: excluir câncer anal ou retal.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.