
A questão cobra a regra de Goodsall, que prevê o trajeto de uma fístula anal pela posição do orifício externo em relação a uma linha transversal que passa pelo centro do ânus. Orifícios anteriores costumam ter trajeto retilíneo (radial) até a cripta mais próxima. Orifícios posteriores costumam ter trajeto curvo até a cripta da linha média posterior, o que leva à alternativa A.
Orifício externo anterior à linha transversal do ânus = trajeto retilíneo para a cripta correspondente; orifício externo posterior = trajeto curvo para a linha média posterior → localizar o orifício interno antes da fistulotomia
A regra de Goodsall, também citada em alguns textos como regra de goodsall salmon, é um princípio clássico da proctologia. Ela relaciona a posição do orifício externo de uma fístula anal com o provável trajeto do trato e a localização do orifício interno. Traça-se uma linha transversal imaginária pelo centro do ânus, com o paciente em posição de litotomia ou de canivete.
Se o orifício externo está anterior a essa linha, o trajeto tende a ser retilíneo e radial, terminando na cripta correspondente. Se está posterior, o trajeto tende a ser curvilíneo e drenar na cripta da linha média posterior, podendo formar a fístula em ferradura. A regra serve para orientar o exame proctológico e a busca do orifício interno durante a cirurgia.
Armadilhas: orifícios anteriores distantes mais de cerca de 3 cm da borda anal podem fugir à regra e curvar até a linha média posterior. A acurácia é menor nos trajetos anteriores, especialmente em mulheres, e na doença de Crohn. Em fístulas complexas ou recidivadas, a ressonância magnética da pelve ou a ultrassonografia endoanal superam a regra clínica.
Corresponde exatamente à regra de Goodsall: trajetos anteriores retilíneos para a cripta correspondente e trajetos posteriores curvilíneos para a cripta da linha média posterior.
Fístulas anteriores não são, em regra, em fundo cego. Elas têm um orifício interno em uma cripta, geralmente a mais próxima em trajeto radial.
Inverte a regra. Os trajetos anteriores é que são retilíneos e os posteriores é que são curvilíneos. Além disso, os anteriores não drenam para qualquer cripta, e sim para a correspondente.
Também inverte a regra. Os trajetos anteriores são retilíneos para a cripta correspondente, e os posteriores é que convergem, em trajeto curvo, para a linha média posterior.
Ignora a distinção central da regra. Apenas os trajetos anteriores tendem a drenar para a cripta correspondente, enquanto os posteriores tendem a drenar na linha média posterior.
Anterior é reto e radial para a cripta mais próxima. Posterior é curvo e vai para a linha média posterior. Lembre a exceção: orifício anterior a mais de 3 cm da borda anal pode se comportar como posterior.
Doenças orificiais são afecções benignas da região anal e perianal, cobradas em prova pelo padrão clássico de dor, sangramento, secreção, prurido ou abaulamento. O ponto que separa os diagnósticos é simples: hemorroida sangra mais do que dói, fissura dói muito ao evacuar, abscesso dói de forma contínua e fistula drena secreção crônica.
A banca costuma cobrar um paciente com queixa anal e pedir o diagnóstico ou a conduta inicial.
O perfil clássico:
Sangramento vermelho-vivo, indolor, após evacuação: pensar em doença hemorroidária interna.
Dor anal intensa durante e após evacuação, com sangue no papel: pensar em fissura anal.
Dor perianal contínua, febre, hiperemia e flutuação: pensar em abscesso perianal.
Secreção purulenta recorrente por orifício perianal: pensar em fístula anal.
Nódulo doloroso agudo, arroxeado, na margem anal: pensar em trombose hemorroidária externa.
Prurido anal sem lesão evidente: pensar em dermatite, higiene excessiva, oxiúrus, umidade ou doença hemorroidária associada.
A palavra que entrega a questão geralmente é:
"Sangramento indolor": hemorroida interna.
"Dor lancinante ao evacuar": fissura anal.
"Dor pulsátil com febre": abscesso.
"Drenagem crônica": fístula.
"Nódulo arroxeado doloroso": trombose hemorroidária externa.
Para prova, o mais importante é entender que cada doença tem um mecanismo dominante.
Hemorroidas são coxins vasculares anais sintomáticos por congestão, prolapso ou trombose.
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Fissura anal é uma úlcera linear no canal anal, geralmente na linha média posterior, associada a hipertonia do esfíncter interno e dor evacuatória.
Abscesso anorretal costuma vir de infecção das glândulas anais, com coleção purulenta.
Fístula anal é a comunicação crônica entre o canal anal ou reto e a pele perianal, frequentemente após abscesso drenado ou não drenado.
Doença pilonidal é doença da região sacrococcígea, relacionada a pelos e inflamação crônica, não é uma fístula anal verdadeira.
Regra de prova: abscesso e fístula são fases diferentes do mesmo processo infeccioso criptoglandular.
Hemorroida interna: sangramento vermelho-vivo, indolor, gotejamento no vaso ou sangue no papel, podendo haver prolapso.
Hemorroida externa trombosada: dor súbita, nódulo perianal endurecido e arroxeado.
Fissura anal: dor intensa ao evacuar, persistente por minutos a horas, associada a pequeno sangramento.
Abscesso perianal: dor contínua, febre, calor local, hiperemia, edema e flutuação.
Fístula anal: secreção purulenta recorrente, sujidade na roupa íntima, orifício externo perianal.
Prurido anal por umidade, secreção, dermatite de contato, higiene excessiva ou parasitose.
Plicoma sentinela em fissura crônica.
Papila anal hipertrófica associada à fissura crônica.
Prolapso hemorroidário com necessidade de redução manual.
Doença pilonidal com abscesso ou secreção crônica na linha interglútea.
Sangramento anal em paciente acima de 45 a 50 anos, anemia, perda ponderal ou alteração do hábito intestinal: não atribuir automaticamente a hemorroida.
Fissura lateral, múltipla, indolor ou recorrente: pensar em Crohn, HIV, sífilis, tuberculose, neoplasia ou trauma.
Abscesso em diabético, imunossuprimido ou com dor desproporcional: pensar em infecção grave e fasciíte necrosante.
Fístulas múltiplas, complexas ou recorrentes: pensar em doença de Crohn.
Lesão endurecida, ulcerada, vegetante ou sangramento persistente: excluir câncer anal ou retal.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.