
A questão cobra a definição das classes de Mallampati, que se baseia apenas nas estruturas orofaríngeas visíveis, e não em medidas lineares do pescoço ou da mandíbula. As alternativas A, B e D trazem distâncias e comprimentos, que são outros preditores de via aérea difícil. Resta a C, que descreve corretamente a classe III da classificação modificada: só palato mole e base da úvula visíveis.
Paciente sentado + boca aberta + língua protrusa + só palato mole e base da úvula visíveis = Mallampati classe III → atenção para via aérea difícil
A classificação de Mallampati é um teste de beira de leito que estima a relação entre o tamanho da língua e a cavidade oral para prever dificuldade de laringoscopia e intubação. O paciente fica sentado, com a cabeça em posição neutra, abre a boca ao máximo e protrui a língua sem fonar, enquanto o examinador observa quais estruturas da orofaringe estão visíveis.
Na versão modificada por Samsoon e Young, que é a cobrada em prova: classe I, visíveis palato mole, fauces, úvula e pilares amigdalianos; classe II, palato mole, fauces e úvula; classe III, palato mole e base da úvula; classe IV, palato mole não visível, apenas palato duro. A proposta original de Mallampati tinha só três classes. Classes III e IV indicam maior risco de via aérea difícil.
Armadilha clássica: confundir a classificação de Mallampati com medidas lineares, como a distância tireomentoniana, a abertura bucal ou o comprimento da mandíbula, que são preditores independentes. Além disso, o Mallampati isolado tem sensibilidade e especificidade limitadas, por isso deve ser combinado a outros achados na avaliação pré-anestésica.
Distância tireomentoniana menor que 6 cm é um preditor de via aérea difícil, mas é uma medida linear independente e não define nenhuma classe de Mallampati.
A distância entre o ângulo da mandíbula e o mento é uma medida do espaço mandibular, sem relação com a classificação de Mallampati, que é baseada apenas na visualização da orofaringe.
Descreve exatamente a classe III da classificação de Mallampati modificada: com a língua protrusa, enxergam-se apenas o palato mole e a base da úvula. É o gabarito.
O comprimento horizontal da mandíbula também é um parâmetro anatômico linear e não faz parte do Mallampati. A classe IV é definida pela não visualização do palato mole.
Mallampati é só o que se vê na boca aberta com a língua para fora: I tudo, II úvula inteira, III só a base da úvula, IV nem o palato mole. Se a alternativa traz centímetros, não é Mallampati.
Via aérea, em anestesiologia, é o conjunto de avaliação, preparo e técnicas para garantir oxigenação e ventilação antes, durante e após o ato anestésico.
Para prova, o mais importante é separar três cenários:
Via aérea normal: sequência padrão de pré-oxigenação, indução, ventilação sob máscara e intubação.
Via aérea difícil prevista: planejar acordado ou com estratégia avançada antes de perder a ventilação espontânea.
Via aérea difícil não prevista: seguir algoritmo, limitar tentativas e priorizar oxigenação.
O erro clássico é pensar que intubar é o objetivo principal. Em prova, o objetivo principal é oxigenar.
A banca costuma cobrar um paciente no centro cirúrgico, emergência ou trauma, com necessidade de anestesia geral ou proteção de via aérea.
O padrão clássico:
Obeso, gestante, trauma facial, queimadura de face, tumor cervical, limitação de abertura oral ou instabilidade cervical.
Após indução, ocorre dificuldade de ventilação sob máscara ou dificuldade de intubação.
A questão pergunta a próxima conduta.
A palavra que entrega a gravidade é: "não ventila, não intuba" ou "dessaturação progressiva".
O dado que mata a questão é: se não consegue oxigenar, deve chamar ajuda, usar dispositivo supraglótico e, se falhar, via aérea cirúrgica de emergência.
A anestesia geral reduz tônus da musculatura faríngea, deprime reflexos protetores, diminui drive ventilatório e favorece colapso de via aérea superior. Por isso, o paciente que respirava antes pode obstruir logo após sedação ou indução.
A pré-oxigenação aumenta a reserva de oxigênio pela substituição do nitrogênio alveolar por oxigênio. Na prática, ela compra tempo seguro de apneia.
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Regra de prova: paciente obeso, gestante, criança e paciente crítico dessaturam mais rápido porque têm menor reserva funcional ou maior consumo de oxigênio.
Sinais de via aérea difícil prevista:
Abertura oral reduzida.
Mallampati III ou IV.
Distância tireomentoniana curta.
Pescoço curto ou mobilidade cervical reduzida.
Obesidade.
Apneia obstrutiva do sono.
Trauma facial.
Tumor, abscesso, sangramento ou edema de via aérea.
História prévia de intubação difícil.
Sinais de ventilação difícil sob máscara:
Barba.
Obesidade.
Idade avançada.
Edentulismo.
Roncos ou apneia obstrutiva do sono.
Deformidade facial.
Preditores úteis:
Mallampati: avalia visualização de estruturas orofaríngeas com boca aberta e língua protrusa.
Distância tireomentoniana menor que 6 a 6,5 cm sugere laringoscopia difícil.
Abertura oral menor que 3 cm sugere dificuldade de laringoscopia.
Mobilidade cervical limitada dificulta alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo.
Regra 3-3-2: 3 dedos de abertura oral, 3 dedos mento-hioide, 2 dedos hioide-cartilagem tireoide.
Estridor.
Angioedema.
Queimadura de face ou inalação de fumaça.
Trauma de face ou pescoço.
Hematoma cervical expansivo.
Abscesso profundo de pescoço.
Sangramento ativo em via aérea.
Massa obstrutiva de orofaringe, laringe ou traqueia.
Instabilidade cervical associada a trauma.
Nesses cenários, a pegadinha é induzir anestesia sem plano de resgate.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.