
A questão pede a associação entre um sinal radiográfico clássico e a malformação que o produz. Ar no estômago e no bulbo duodenal dilatados, sem gás distal, indica obstrução duodenal completa no recém-nascido, cuja causa clássica é a atresia duodenal.
RN com vômitos (geralmente biliosos) nas primeiras horas + radiografia com duas bolhas gasosas (estômago e duodeno) sem ar distal = atresia duodenal → sonda gástrica, hidratação venosa e duodenoduodenostomia
O sinal da dupla bolha é a imagem de duas coleções gasosas com nível hidroaéreo no abdome superior: a bolha maior, à esquerda, é o estômago distendido, e a menor, à direita, é o duodeno proximal dilatado. Ele aparece na radiografia simples de abdome do recém-nascido e pode ser suspeitado ainda no pré-natal, pela ultrassonografia com polidrâmnio associado.
A causa clássica é a atresia duodenal, a obstrução intestinal congênita mais comum do duodeno. Em cerca de 85% dos casos a atresia fica distal à ampola de Vater, o que explica os vômitos biliosos precoces. Há associação importante com síndrome de Down (cerca de um terço dos casos), cardiopatias congênitas e pâncreas anular.
Armadilha: o sinal não é patognomônico. Estenose duodenal, membrana duodenal, pâncreas anular e má rotação intestinal com volvo também podem produzi-lo. Se houver gás distal, a obstrução é incompleta, e a má rotação com volvo precisa ser excluída com urgência, porque ameaça a viabilidade de todo o intestino médio.
Gastrosquise é um defeito da parede abdominal, geralmente à direita do cordão umbilical, com alças expostas e sem saco. O diagnóstico é clínico e não depende do sinal da dupla bolha.
A fístula traqueoesofágica isolada (tipo H) causa tosse e engasgos às mamadas e pneumonias de repetição. Não produz obstrução duodenal nem dupla bolha.
Na atresia de esôfago, a sonda não progride e aparece enrolada no coto esofágico proximal. O abdome é aerado quando há fístula distal e sem gás quando não há fístula, mas não forma dupla bolha.
Megaesôfago (acalasia ou doença de Chagas) é um distúrbio motor do esôfago que mostra dilatação esofágica com afilamento distal em 'bico de pássaro' no esofagograma, não dupla bolha.
A atresia duodenal causa obstrução completa do duodeno, com ar retido no estômago e no duodeno proximal e ausência de gás distal: é a imagem clássica da dupla bolha.
Dupla bolha sem gás distal em RN: pense em atresia duodenal, sobretudo se houver síndrome de Down ou polidrâmnio. Dupla bolha com gás distal: exclua má rotação com volvo.
Em neonatologia, doenças do trato gastrointestinal são cobradas como quadros de vômitos, distensão abdominal, atraso na eliminação de mecônio, sangramento digestivo, icterícia colestática ou dificuldade alimentar no recém-nascido. Para prova, o mais importante é separar doença funcional e benigna de obstrução intestinal, enterocolite necrosante, malformação cirúrgica e colestase neonatal.
O dado que mata a questão costuma ser: vômito bilioso, distensão progressiva, ausência de mecônio nas primeiras 24 a 48 horas, sangue nas fezes, pneumatoses intestinais, ânus imperfurado, oliva pilórica ou acolia fecal.
A banca costuma descrever um recém-nascido com um destes padrões:
Vômito bilioso nas primeiras horas ou dias de vida Pensar em obstrução intestinal até prova em contrário. Em prova, vômito verde em recém-nascido é urgência cirúrgica.
Distensão abdominal + sangue nas fezes + prematuridade Pensar em enterocolite necrosante, especialmente se houver instabilidade clínica, resíduo gástrico, apneia, letargia ou sepse.
Não eliminou mecônio em 24 a 48 horas Pensar em doença de Hirschsprung, íleo meconial, atresia intestinal, síndrome da rolha meconial ou ânus imperfurado.
Vômitos não biliosos progressivos com fome após vomitar Pensar em estenose hipertrófica do piloro, geralmente entre 2 e 8 semanas, com alcalose metabólica hipoclorêmica.
Icterícia prolongada + colúria + acolia fecal Pensar em colestase neonatal. A grande pegadinha é não chamar de “icterícia fisiológica”. Bilirrubina direta elevada sempre exige investigação.
Regurgitação em lactente que ganha peso Pensar em refluxo gastroesofágico fisiológico. Não confundir com doença do refluxo gastroesofágico, que tem repercussão clínica.
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O trato gastrointestinal do recém-nascido é imaturo, especialmente no prematuro. Isso explica maior risco de intolerância alimentar, refluxo, distensão, dismotilidade e enterocolite necrosante.
Para prova, guarde quatro mecanismos:
Obstrução mecânica Atresias, má rotação com volvo, ânus imperfurado, estenose hipertrófica do piloro. O sinal de alarme é vômito bilioso, exceto na estenose pilórica, em que o vômito é não bilioso.
Obstrução funcional Doença de Hirschsprung, síndrome da rolha meconial e íleo meconial. O recém-nascido não elimina mecônio adequadamente e evolui com distensão.
Lesão isquêmico-inflamatória intestinal Enterocolite necrosante, típica de prematuros, associada à imaturidade da barreira intestinal, disbiose, alimentação enteral e instabilidade perfusional.
Falha de fluxo biliar Colestase neonatal. O problema não é excesso de bilirrubina indireta, mas elevação da bilirrubina direta, com risco de atresia de vias biliares e perda de janela cirúrgica.
Vômito bilioso: obstrução intestinal distal à papila duodenal ou má rotação com volvo até prova em contrário.
Distensão abdominal progressiva: obstrução baixa, enterocolite necrosante ou doença de Hirschsprung.
Atraso na eliminação de mecônio: atenção se não eliminou nas primeiras 24 horas, e ainda mais se persiste após 48 horas.
Sangue nas fezes em prematuro doente: pensar em enterocolite necrosante.
Vômito em jato não bilioso + fome após vomitar: estenose hipertrófica do piloro.
Icterícia persistente com colúria ou acolia: colestase neonatal, até prova em contrário.
Regurgitações frequentes sem perda ponderal: refluxo gastroesofágico fisiológico.
Fezes com muco e sangue em lactente bem: proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar.
Sialorreia + engasgos + impossibilidade de passar sonda gástrica: atresia de esôfago.
Polidrâmnio na gestação + vômitos precoces: obstrução digestiva alta.
Síndrome de Down + dupla bolha: atresia duodenal.
Fibrose cística + íleo meconial: mecônio espesso causando obstrução ileal.
Vômito bilioso.
Distensão abdominal progressiva.
Peritonite, abdome tenso ou doloroso.
Sangue nas fezes com instabilidade.
Pneumoperitônio.
Pneumatose intestinal.
Não eliminação de mecônio em 48 horas.
Acolia fecal.
Colúria.
Perda de peso, desidratação ou choque.
Febre, letargia, apneia ou sinais de sepse.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.