
A questão cobra os aspectos clínicos básicos da síndrome de Zollinger-Ellison: epidemiologia, diagnóstico pelo teste da secretina, quadro clínico e localização das úlceras. O gastrinoma causa hipersecreção ácida, que produz dor abdominal, pirose, dispepsia, diarreia e perda de peso. Por isso a alternativa C está correta.
Úlcera péptica refratária ou múltipla + diarreia + gastrina sérica elevada com pH gástrico ácido = síndrome de Zollinger-Ellison → teste da secretina e localização do gastrinoma
A síndrome de Zollinger-Ellison é causada por um gastrinoma, tumor neuroendócrino que secreta gastrina de forma autônoma. O resultado é hipersecreção ácida, com doença ulcerosa péptica grave, recorrente ou refratária, além de doença do refluxo e diarreia. A maioria dos gastrinomas fica no duodeno, seguido do pâncreas, dentro do chamado triângulo do gastrinoma. Cerca de 20 a 25% dos casos se associam à neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (hiperparatireoidismo, tumores hipofisários e pancreáticos), e não ao tipo 2.
O diagnóstico começa com a dosagem da gastrina sérica de jejum associada ao pH gástrico. Gastrina acima de 10 vezes o limite superior com pH gástrico abaixo de 2 confirma o quadro. Nos casos duvidosos usa-se o teste da secretina: no gastrinoma ocorre aumento paradoxal da gastrina (elevação de pelo menos 120 pg/mL). Em pessoas normais ou com hipergastrinemia por acloridria, a secretina não provoca esse aumento.
Armadilhas comuns: o inibidor de bomba de prótons eleva a gastrina e pode confundir a dosagem, e a gastrite atrófica gera hipergastrinemia com pH alto, sem hipersecreção. A diarreia é frequente e pode ser o primeiro sintoma. Ela decorre da inativação da lipase pancreática e da precipitação de sais biliares pelo ácido, da lesão da mucosa e do grande volume de secreção. A maioria das úlceras fica no bulbo duodenal, mas úlceras em duodeno distal ou jejuno devem sempre levantar a suspeita.
Há discreto predomínio masculino, e o diagnóstico costuma ocorrer entre a 4ª e a 5ª décadas de vida. A associação hereditária é com a neoplasia endócrina múltipla tipo 1, não com o tipo 2.
No gastrinoma, a secretina provoca aumento paradoxal da gastrina sérica, e não redução. Esse é o princípio do teste provocativo usado no diagnóstico.
Dor abdominal, diarreia, pirose, dispepsia e perda de peso são as manifestações típicas, todas decorrentes da hipersecreção ácida. Dor abdominal e diarreia são os sintomas mais frequentes.
As úlceras ocorrem principalmente na primeira porção do duodeno, e não no antro e no piloro. Úlceras múltiplas ou em locais atípicos, como duodeno distal e jejuno, são pistas clássicas da síndrome.
Úlcera refratária, múltipla ou pós-bulbar com diarreia faz pensar em gastrinoma. Na síndrome de Zollinger-Ellison a secretina AUMENTA a gastrina, e a associação genética é com NEM-1.
Doença ulcerosa péptica é uma lesão da mucosa gástrica ou duodenal que ultrapassa a muscular da mucosa, geralmente por Helicobacter pylori ou anti-inflamatórios não esteroidais. Gastrite é inflamação da mucosa gástrica, muitas vezes endoscópica ou histológica, e nem sempre explica dispepsia.
Para prova, o mais importante é separar:
úlcera péptica: dor epigástrica com lesão ulcerada, risco de sangramento, perfuração e obstrução;
gastrite: inflamação mucosa, muitas vezes por H. pylori, AINE, álcool, estresse grave ou autoimunidade;
dispepsia funcional: sintomas sem lesão estrutural relevante.
A banca costuma cobrar adulto com dor epigástrica em que o detalhe central é o fator causal.
Padrões clássicos:
H. pylori: principal causa de gastrite crônica e úlcera duodenal.
AINE: úlcera gástrica ou duodenal, pode sangrar sem muita dor.
Úlcera duodenal: dor melhora com alimentação e piora 2 a 3 horas após comer ou à noite.
Úlcera gástrica: dor pode piorar com alimentação, associada a perda ponderal por medo de comer.
Hemorragia digestiva alta: hematêmese, melena, anemia ferropriva ou choque.
Perfuração: dor súbita, abdome em tábua e pneumoperitônio.
Gastrite autoimune: anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12, anticorpo anti-célula parietal ou anti-fator intrínseco, acometimento de corpo e fundo gástricos.
A palavra que entrega a questão costuma ser: H. pylori, AINE, melena, pneumoperitônio, anemia perniciosa, dor epigástrica noturna.
A mucosa gástrica se defende com muco, bicarbonato, prostaglandinas, fluxo sanguíneo e renovação epitelial. Úlcera aparece quando agressão supera defesa.
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Principais mecanismos:
H. pylori: inflamação crônica, aumento de gastrina e ácido em muitos pacientes, dano mucoso e predisposição a úlcera duodenal, úlcera gástrica, linfoma MALT e câncer gástrico.
AINE: inibição de COX-1 reduz prostaglandinas, diminuindo muco, bicarbonato e fluxo sanguíneo mucoso.
Estresse fisiológico grave: isquemia mucosa em UTI, choque, sepse, ventilação mecânica ou coagulopatia.
Gastrite autoimune: destruição de células parietais, hipocloridria, deficiência de fator intrínseco e deficiência de B12.
Regra de prova: H. pylori e AINE explicam a maioria das úlceras pépticas.
Dor ou queimação epigástrica.
Náuseas, plenitude pós-prandial, empachamento e eructações.
Dor duodenal que melhora com alimento ou antiácido.
Dor gástrica que pode piorar com alimento.
Melena ou hematêmese quando há sangramento.
Uso recente ou crônico de AINE, AAS ou corticoide associado a AINE.
História de H. pylori.
Anemia ferropriva por sangramento crônico.
Vômitos persistentes e saciedade precoce por obstrução de saída gástrica.
Perda de peso, anorexia e vômitos em úlcera gástrica ou neoplasia.
Gastrite erosiva por álcool, AINE ou doença crítica.
Gastrite autoimune com glossite, parestesias, ataxia, anemia macrocítica e B12 baixa.
Linfoma MALT associado a H. pylori.
Sinais de alarme em dispepsia:
perda ponderal não intencional;
sangramento digestivo, melena, hematêmese ou anemia;
disfagia ou odinofagia;
vômitos persistentes;
massa abdominal ou linfonodomegalia;
história familiar de câncer gastrointestinal alto;
início em idade mais avançada.
Para prova brasileira, muita questão usa idade maior que 45 anos ou sinais de alarme como indicação de endoscopia digestiva alta. Em diretrizes internacionais, o corte frequentemente aparece como ≥ 60 anos.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.