
A questão cobra a escolha da cirurgia com base na localização do tumor e no seu padrão macroscópico. Tumor antral (terço distal) com padrão Borrmann II (ulcerado, de bordas bem delimitadas, crescimento expansivo) permite margem proximal adequada sem retirar todo o estômago. Por isso, o padrão é a gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2, e a reconstrução pode ser Billroth II.
Adenocarcinoma de antro + Borrmann II (expansivo, bem delimitado) = margem proximal alcançável → gastrectomia subtotal + linfadenectomia D2
A classificação de Borrmann descreve o aspecto macroscópico do câncer gástrico avançado, ou seja, do tumor que invade além da submucosa. Tem quatro tipos. Borrmann I é polipoide ou vegetante. Borrmann II é ulcerado, com bordas elevadas e bem delimitadas. Borrmann III é ulcerado e infiltrativo, com bordas mal definidas. Borrmann IV é difusamente infiltrativo, a chamada linite plástica. O câncer gástrico precoce não entra nessa classificação: usa a classificação japonesa do tipo 0 (0-I, 0-II e 0-III).
Na prática, o tipo de Borrmann ajuda a planejar a margem cirúrgica. Tumores de crescimento expansivo (Borrmann I e II) pedem margem proximal de cerca de 3 cm. Os infiltrativos (Borrmann III e IV) pedem cerca de 5 cm, porque a infiltração submucosa ultrapassa o limite visível. A localização define a extensão da cirurgia. Tumores distais, de antro, são tratados com gastrectomia subtotal quando a margem é alcançável. Tumores proximais ou que não permitem margem segura exigem gastrectomia total. Em ambos os casos, a linfadenectomia D2 é o padrão para doença avançada.
Armadilha comum: achar que qualquer câncer gástrico exige gastrectomia total. Para tumores distais, a subtotal tem sobrevida equivalente e menor morbidade. Outra armadilha é pensar que o Borrmann IV sempre obriga gastrectomia total. Na verdade, a total costuma ser necessária porque a extensão infiltrativa impede margem segura, e a decisão continua sendo guiada por margem e localização.
A ressecção local não trata o adenocarcinoma gástrico avançado. Ela não contempla a drenagem linfática nem garante margens oncológicas adequadas.
A antrectomia é uma ressecção limitada, típica de cirurgia para úlcera péptica. Não inclui linfadenectomia e pode não atingir a margem proximal necessária. A reconstrução a Billroth I, em si, é aceitável após gastrectomia distal: o problema é a cirurgia insuficiente.
Tumor antral Borrmann II permite margem proximal de cerca de 3 cm com gastrectomia subtotal, associada à linfadenectomia D2. A reconstrução pode ser Billroth II, Billroth I ou Y de Roux.
A gastrectomia total não traz ganho de sobrevida para tumor distal com margem alcançável e aumenta a morbidade. Fica reservada para tumores proximais ou quando a subtotal não garante margem segura.
A localização define a extensão (distal é subtotal, proximal é total), e o tipo de Borrmann define a margem (I e II: cerca de 3 cm; III e IV: cerca de 5 cm). A linfadenectomia D2 acompanha a cirurgia curativa do tumor avançado.
Câncer de estômago, para prova, quase sempre significa adenocarcinoma gástrico, geralmente associado a gastrite crônica por Helicobacter pylori, tabagismo, dieta rica em sal e nitrosaminas, história familiar ou lesões pré-malignas. O que separa este tema dos vizinhos é: sintomas vagos no início, diagnóstico por endoscopia digestiva alta com biópsia e estadiamento definindo se o tratamento será cirúrgico, perioperatório ou paliativo.
A banca costuma cobrar adulto mais velho, perda ponderal, anorexia, dor epigástrica persistente, saciedade precoce, náuseas, vômitos, anemia ferropriva ou sangramento digestivo oculto. A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser "endoscopia com lesão ulcerada infiltrativa" ou "biópsia mostrando adenocarcinoma".
Perfil clássico:
Homem, idade > 50 anos, emagrecimento e dispepsia de início recente.
História de H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo ou dieta rica em alimentos salgados e defumados.
Lesão em antro ou corpo, podendo ser tipo intestinal de Lauren.
Em jovem, mulher, sangue tipo A, história familiar e lesão difusa com células em anel de sinete, pense em tipo difuso.
Sintomas-chave:
Perda de peso.
Anorexia.
Dor epigástrica persistente.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Vômitos se obstrução pilórica.
Disfagia se tumor de cárdia ou junção esofagogástrica.
Achados clássicos de prova:
Linfonodo de Virchow: supraclavicular esquerdo.
Nódulo da irmã Maria José: metástase umbilical.
Prateleira de Blumer: implante no fundo de saco retal ao toque.
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Acanthose nigricans ou sinal de Leser-Trélat: síndrome paraneoplásica rara, mas típica de prova.
O caminho mais cobrado é a sequência inflamatória crônica: H. pylori causa gastrite crônica, que pode evoluir para atrofia gástrica, metaplasia intestinal, displasia e adenocarcinoma, especialmente no tipo intestinal. Esse tipo costuma formar massa ou úlcera, é mais associado a fatores ambientais e aparece em pacientes mais velhos.
O tipo difuso não depende tanto da sequência metaplasia-displasia. Ele infiltra a parede, pode produzir células em anel de sinete e causar linite plástica, com estômago rígido, pouco distensível. Para prova, esse é o tipo que aparece em pacientes mais jovens, com pior prognóstico e relação com mutações germinativas em CDH1 em casos familiares.
Regra prática: intestinal é mais ambiental e glandular; difuso é mais infiltrativo, anel de sinete e linite plástica.
Dispepsia nova em paciente > 50 anos.
Emagrecimento inexplicado.
Dor epigástrica persistente.
Anorexia.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Sangramento digestivo oculto.
Náuseas e vômitos se tumor distal com obstrução de saída gástrica.
Disfagia progressiva se tumor proximal ou de cárdia.
Massa epigástrica palpável em doença avançada.
Ascite por carcinomatose peritoneal.
Dor óssea, icterícia ou hepatomegalia por metástases.
Tromboflebite migratória como síndrome de Trousseau.
Em dispepsia, os sinais de alarme que obrigam investigação endoscópica são:
Perda de peso.
Anemia.
Sangramento gastrointestinal.
Disfagia.
Odinofagia.
Vômitos persistentes.
Massa abdominal ou linfonodomegalia.
História familiar de câncer gastrointestinal alto.
Idade mais avançada com início recente dos sintomas.
Para prova, dispepsia em paciente mais velho com emagrecimento não é "tratar gastrite e rever": é endoscopia digestiva alta.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.