
A questão cobra a definição clássica da tríade de Charcot, marcador clínico da colangite aguda. Basta lembrar que ela reúne febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia, e que choque e confusão mental são os dois elementos que, somados a ela, formam a pêntade de Reynolds.
Febre + dor no hipocôndrio direito + icterícia = tríade de Charcot (colangite aguda) → antibiótico e drenagem biliar
A tríade de Charcot é a combinação de febre (em geral com calafrios), dor no hipocôndrio direito e icterícia. Ela traduz a colangite aguda, que é uma infecção da via biliar causada por obstrução, mais comumente por coledocolitíase. A febre reflete a infecção, e a dor e a icterícia refletem a obstrução e a colestase.
Quando a tríade se soma a hipotensão (choque) e a alteração do estado mental (confusão), temos a pêntade de Reynolds, que indica colangite grave com sepse e exige drenagem biliar urgente. Em prova, choque e confusão mental são as pistas que separam Reynolds de Charcot.
Armadilha importante: a tríade completa tem alta especificidade, mas baixa sensibilidade, porque muitos pacientes com colangite não apresentam os três achados. Por isso, os Tokyo Guidelines 2018 fazem o diagnóstico combinando inflamação sistêmica, colestase laboratorial e dilatação ou causa obstrutiva no exame de imagem, e graduam a gravidade pela presença de disfunção orgânica.
Tem febre e dor no hipocôndrio direito, mas troca a icterícia por choque. Choque é um componente da pêntade de Reynolds, não da tríade de Charcot.
Só a febre pertence à tríade. Choque e confusão mental são os dois elementos que a pêntade de Reynolds acrescenta.
Lista exatamente os três componentes da tríade de Charcot: dor no hipocôndrio direito, febre e icterícia.
Omite a dor no hipocôndrio direito e inclui confusão mental, que é sinal de gravidade da pêntade de Reynolds.
Omite a dor no hipocôndrio direito e inclui choque, achado da pêntade de Reynolds, não da tríade de Charcot.
Charcot são três: febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia. Se aparecer choque ou confusão mental, a banca está falando da pêntade de Reynolds.
Litíase biliar é a presença de cálculos na vesícula ou nas vias biliares; para prova, o mais importante é separar cólica biliar, colecistite aguda, coledocolitíase, colangite aguda e pancreatite biliar, porque cada uma tem conduta diferente.
A banca costuma trazer mulher, meia-idade, obesidade, multípara, com dor no hipocôndrio direito ou epigástrio após refeição gordurosa.
O dado que mata a questão:
dor episódica, sem febre e sem leucocitose: cólica biliar;
dor persistente maior que 6 horas, febre, leucocitose e Murphy positivo: colecistite aguda;
icterícia, colúria, acolia fecal e bilirrubina direta elevada: coledocolitíase;
febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito: colangite aguda;
dor epigástrica irradiada para dorso, amilase ou lipase elevada: pancreatite aguda biliar.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova costuma ser “Murphy”, “colúria”, “tríade de Charcot”, “via biliar dilatada” ou “cálculo no colédoco”.
A maioria dos cálculos é de colesterol, formada por bile supersaturada, hipomotilidade da vesícula e nucleação de cristais. A obstrução intermitente do ducto cístico causa cólica biliar. A obstrução persistente causa inflamação da vesícula, levando à colecistite aguda.
Quando o cálculo migra para o colédoco, pode causar obstrução biliar extra-hepática, com icterícia colestática. Se houver infecção associada e aumento da pressão na via biliar, surge colangite aguda, que é emergência. Se o cálculo impacta transitoriamente na papila, pode obstruir o ducto pancreático e causar pancreatite biliar.
Regra de prova: cálculo parado na vesícula causa dor; cálculo no colédoco causa icterícia; cálculo infectado na via biliar causa colangite.
Cólica biliar:
dor em hipocôndrio direito ou epigástrio;
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geralmente após refeição gordurosa;
duração típica menor que 6 horas;
sem febre;
sem sinais inflamatórios importantes;
ultrassom mostra cálculo, mas sem espessamento importante da parede.
Colecistite aguda:
dor persistente maior que 6 horas;
febre;
náuseas e vômitos;
sinal de Murphy positivo;
leucocitose;
PCR elevada;
ultrassom com cálculo, parede vesicular espessada, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico.
Coledocolitíase:
icterícia;
colúria;
acolia fecal;
prurido;
padrão colestático: bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT elevadas;
dilatação de via biliar no ultrassom.
Colangite aguda:
tríade de Charcot: febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito;
pêntade de Reynolds: tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do sensório;
emergência infecciosa obstrutiva.
Pancreatite biliar:
dor epigástrica intensa irradiada para dorso;
náuseas e vômitos;
lipase elevada, geralmente maior que 3 vezes o limite superior da normalidade;
ALT maior que 150 U/L sugere etiologia biliar.
Íleo biliar:
obstrução intestinal mecânica em idoso;
história de litíase biliar;
fístula colecistoentérica;
cálculo impactado, classicamente na válvula ileocecal;
tríade de Rigler: pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico.
Síndrome de Mirizzi:
cálculo impactado no infundíbulo da vesícula ou ducto cístico;
compressão extrínseca do ducto hepático comum;
icterícia obstrutiva;
pegadinha: parece coledocolitíase, mas o cálculo não está necessariamente dentro do colédoco.
febre com icterícia;
hipotensão;
confusão mental;
lactato elevado;
sinais de sepse;
dor persistente com defesa abdominal;
bilirrubina muito elevada com dilatação de via biliar;
suspeita de colangite aguda grave.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.