
A questão cobra os pontos de corte dos critérios de Ranson na versão clássica, que separa 5 critérios da admissão e 6 critérios avaliados em 48 horas. Idade maior que 55 anos, glicemia maior que 200 mg/dL e leucocitose maior que 16.000/mm3 são critérios de admissão, o que torna a alternativa A correta. As demais trazem ao menos um valor de corte errado.
Admissão: idade > 55 + leucócitos > 16.000 + glicemia > 200 + LDH > 350 + AST > 250; 48 h: queda Ht > 10% + aumento ureia (BUN) > 5 + Ca < 8 + PaO2 < 60 + déficit de bases > 4 + sequestro > 6 L; soma ≥ 3 = pancreatite grave → monitorização intensiva
Os critérios de Ranson formam um escore prognóstico da pancreatite aguda descrito em 1974. Na versão clássica são 11 critérios, cada um valendo 1 ponto. Cinco são avaliados na admissão: idade maior que 55 anos, leucocitose maior que 16.000/mm3, glicemia maior que 200 mg/dL, LDH maior que 350 UI/L e AST (TGO) maior que 250 UI/L. Seis são avaliados em 48 horas: queda do hematócrito maior que 10%, aumento da ureia (BUN) maior que 5 mg/dL, cálcio sérico menor que 8 mg/dL, PaO2 menor que 60 mmHg, déficit de bases maior que 4 mEq/L e sequestro de líquidos maior que 6 litros.
A pontuação igual ou maior que 3 indica pancreatite aguda grave, e a mortalidade aumenta progressivamente com o número de critérios presentes. A principal limitação é que o escore só fica completo após 48 horas. Por isso, na prática atual, ele divide espaço com outros sistemas, como APACHE II, BISAP e a síndrome da resposta inflamatória sistêmica persistente.
Armadilha clássica: existe uma versão modificada para pancreatite biliar, com cortes diferentes. Nela, a idade é maior que 70 anos, os leucócitos maiores que 18.000/mm3, a glicemia maior que 220 mg/dL e o sequestro de líquidos maior que 4 litros. Quando a questão não especifica, use os valores clássicos: 55 anos, 16.000 e 200 na admissão, e 10%, 8 mg/dL e 6 litros em 48 horas.
Idade maior que 55 anos, glicemia maior que 200 mg/dL e leucocitose maior que 16.000/mm3 são exatamente três dos cinco critérios de admissão da versão clássica de Ranson.
O cálcio menor que 8 mg/dL e o sequestro maior que 6 litros estão corretos para 48 horas. Porém, a queda do hematócrito que pontua é maior que 10%, e não de 5%.
O ponto de corte da leucocitose é maior que 16.000/mm3. O valor de 12.000/mm3 lembra o critério de SIRS e não faz parte de Ranson.
A queda do hematócrito maior que 10% e o cálcio menor que 8 mg/dL estão corretos. O sequestro de líquidos, porém, é maior que 6 litros na versão clássica (maior que 4 litros na biliar), nunca 3 litros.
Ranson clássico: admissão com 55 anos, 16.000 leucócitos e glicemia de 200; 48 horas com hematócrito caindo 10%, cálcio abaixo de 8 e sequestro acima de 6 litros. Três ou mais pontos indicam pancreatite grave. Se aparecer 12.000 leucócitos, pense em SIRS, não em Ranson.
Pancreatite é inflamação do pâncreas, e para prova quase sempre significa pancreatite aguda: dor epigástrica intensa irradiada para dorso, lipase elevada e conduta inicial com hidratação, analgesia e avaliação de gravidade.
O que separa este tema dos vizinhos é a combinação: dor abdominal alta + enzima pancreática ≥ 3 vezes o limite superior + causa biliar ou alcoólica como principal etiologia.
A banca costuma cobrar o paciente com dor epigástrica súbita, forte, em faixa, irradiada para dorso, associada a náuseas e vômitos.
Perfis clássicos:
Mulher com colelitíase, dor após refeição gordurosa, icterícia ou colúria: pense em pancreatite aguda biliar.
Homem com etilismo importante: pense em pancreatite alcoólica.
Paciente com triglicerídeos muito altos: pense em pancreatite por hipertrigliceridemia.
Dor após CPRE: pancreatite pós-CPRE.
A palavra que entrega o diagnóstico é lipase ≥ 3 vezes o limite superior da normalidade. Amilase também pode subir, mas lipase é mais específica e permanece elevada por mais tempo.
A ideia útil para prova é: enzimas pancreáticas são ativadas dentro do próprio pâncreas, gerando autodigestão, edema, inflamação local e, nos casos graves, resposta inflamatória sistêmica.
Na pancreatite biliar, cálculo impacta transitoriamente a ampola ou o colédoco distal, causando obstrução do fluxo pancreático e biliar.
Na pancreatite alcoólica, o álcool aumenta secreção proteica, favorece plugs ductais e toxicidade acinar.
O que mata a questão é entender que gravidade não depende só da dor ou da enzima. Gravidade depende de falência orgânica, necrose e complicações sistêmicas.
Dor epigástrica intensa.
Irradiação para dorso.
624 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Náuseas e vômitos.
Piora em decúbito dorsal.
Melhora parcial ao sentar e inclinar o tronco para frente.
Distensão abdominal e íleo paralítico.
Febre baixa e taquicardia podem ocorrer.
Icterícia sugere etiologia biliar ou obstrução persistente.
Derrame pleural, especialmente à esquerda.
Hipocalcemia em casos graves.
Hiperglicemia por disfunção pancreática.
Elevação de ALT, especialmente ALT > 150 U/L, sugere pancreatite biliar.
Triglicerídeos > 1.000 mg/dL sugerem causa por hipertrigliceridemia.
Hipotensão.
Taquicardia persistente.
Hipoxemia.
Oligúria.
Confusão mental.
Hematócrito elevado ou ureia subindo apesar de hidratação.
SIRS persistente.
Falência orgânica por mais de 48 horas.
Sinais cutâneos raros, mas clássicos: Cullen (equimose periumbilical) e Grey Turner (equimose em flancos).
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.