
A questão cobra o significado semiológico dos sinais de Cullen e Grey-Turner em uma paciente com pancreatite aguda biliar grave. Esses sinais são equimoses cutâneas que resultam da dissecção de sangue e exsudato hemorrágico do retroperitônio até o subcutâneo. Por isso, a resposta é hemorragia retroperitoneal.
Pancreatite aguda grave + equimose periumbilical (Cullen) + equimose em flancos (Grey-Turner) = hemorragia retroperitoneal → marcador de gravidade e pior prognóstico
O sinal de Grey-Turner é a equimose nos flancos, e o sinal de Cullen é a equimose periumbilical. Ambos resultam da dissecção de sangue e exsudato hemorrágico do retroperitônio pelos planos fasciais até o subcutâneo. No caso do Cullen, o trajeto ocorre pelo ligamento falciforme e pelo ligamento redondo até a região umbilical. São achados de exame físico, pesquisados pela inspeção do abdome e dos flancos, e não dependem de exames complementares.
Na pancreatite aguda grave, esses sinais aparecem em uma minoria dos pacientes, geralmente após 24 a 72 horas do início da dor. Refletem hemorragia retroperitoneal, associada à forma necrosante (antigamente chamada necro-hemorrágica), e funcionam como marcadores de gravidade e de maior mortalidade. Por serem pouco sensíveis e tardios, não servem para diagnosticar pancreatite nem para excluir gravidade quando ausentes.
A armadilha é achar que são exclusivos da pancreatite. Qualquer hemorragia retroperitoneal ou intra-abdominal pode produzi-los, como gravidez ectópica rota, ruptura de aneurisma de aorta abdominal, trauma e sangramento em uso de anticoagulante. Também não indicam infecção da necrose nem formação de coleções.
A necrose pancreática infectada costuma surgir mais tarde, a partir da segunda semana. Ela se manifesta por febre, piora clínica e gás na necrose à tomografia, não por equimoses cutâneas. A armadilha é associar gravidade a infecção.
Os sinais de Cullen e Grey-Turner representam sangue retroperitoneal que dissecou até a pele. Na pancreatite aguda grave, isso indica doença necrosante e pior prognóstico.
O pseudocisto é uma coleção líquida com parede bem definida e sem necrose, que se forma após cerca de 4 semanas do início da pancreatite. Não causa equimoses cutâneas.
A ascite pancreática é o acúmulo de líquido rico em amilase na cavidade peritoneal, geralmente por ruptura do ducto pancreático ou de pseudocisto. Causa distensão abdominal, não equimose de parede.
A perfuração de cólon é uma complicação rara da pancreatite grave. Manifesta-se por peritonite e pneumoperitônio, não por equimoses periumbilical e em flancos.
Cullen (umbigo) e Grey-Turner (flanco) significam sangue no retroperitônio. Na pancreatite, pense em forma grave. Fora dela, lembre de gravidez ectópica rota, aneurisma roto e trauma.
Pancreatite é inflamação do pâncreas, e para prova quase sempre significa pancreatite aguda: dor epigástrica intensa irradiada para dorso, lipase elevada e conduta inicial com hidratação, analgesia e avaliação de gravidade.
O que separa este tema dos vizinhos é a combinação: dor abdominal alta + enzima pancreática ≥ 3 vezes o limite superior + causa biliar ou alcoólica como principal etiologia.
A banca costuma cobrar o paciente com dor epigástrica súbita, forte, em faixa, irradiada para dorso, associada a náuseas e vômitos.
Perfis clássicos:
Mulher com colelitíase, dor após refeição gordurosa, icterícia ou colúria: pense em pancreatite aguda biliar.
Homem com etilismo importante: pense em pancreatite alcoólica.
Paciente com triglicerídeos muito altos: pense em pancreatite por hipertrigliceridemia.
Dor após CPRE: pancreatite pós-CPRE.
A palavra que entrega o diagnóstico é lipase ≥ 3 vezes o limite superior da normalidade. Amilase também pode subir, mas lipase é mais específica e permanece elevada por mais tempo.
A ideia útil para prova é: enzimas pancreáticas são ativadas dentro do próprio pâncreas, gerando autodigestão, edema, inflamação local e, nos casos graves, resposta inflamatória sistêmica.
Na pancreatite biliar, cálculo impacta transitoriamente a ampola ou o colédoco distal, causando obstrução do fluxo pancreático e biliar.
Na pancreatite alcoólica, o álcool aumenta secreção proteica, favorece plugs ductais e toxicidade acinar.
O que mata a questão é entender que gravidade não depende só da dor ou da enzima. Gravidade depende de falência orgânica, necrose e complicações sistêmicas.
Dor epigástrica intensa.
Irradiação para dorso.
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Náuseas e vômitos.
Piora em decúbito dorsal.
Melhora parcial ao sentar e inclinar o tronco para frente.
Distensão abdominal e íleo paralítico.
Febre baixa e taquicardia podem ocorrer.
Icterícia sugere etiologia biliar ou obstrução persistente.
Derrame pleural, especialmente à esquerda.
Hipocalcemia em casos graves.
Hiperglicemia por disfunção pancreática.
Elevação de ALT, especialmente ALT > 150 U/L, sugere pancreatite biliar.
Triglicerídeos > 1.000 mg/dL sugerem causa por hipertrigliceridemia.
Hipotensão.
Taquicardia persistente.
Hipoxemia.
Oligúria.
Confusão mental.
Hematócrito elevado ou ureia subindo apesar de hidratação.
SIRS persistente.
Falência orgânica por mais de 48 horas.
Sinais cutâneos raros, mas clássicos: Cullen (equimose periumbilical) e Grey Turner (equimose em flancos).
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.