
A questão cobra a definição semiológica do sinal de Courvoisier-Terrier. Basta lembrar que é a combinação de icterícia com vesícula biliar palpável e indolor, o que aponta para obstrução biliar distal de origem provavelmente neoplásica. As demais alternativas descrevem outros sinais clássicos do abdome.
Icterícia + vesícula palpável e indolor = sinal de Courvoisier-Terrier → pensar em neoplasia periampular (cabeça de pâncreas) e investigar com exame de imagem
O sinal de Courvoisier-Terrier é a presença de vesícula biliar palpável, distendida e indolor em um paciente ictérico. Ele traduz uma obstrução biliar lenta e progressiva abaixo da inserção do ducto cístico. A vesícula, até então sadia e complacente, se dilata sem inflamação. As causas típicas são as neoplasias periampulares: adenocarcinoma de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal, tumor da ampola de Vater e de duodeno.
A lógica clássica (lei de Courvoisier) é que, na coledocolitíase, a vesícula costuma estar fibrosada e retraída por inflamação crônica, e por isso raramente se distende. Assim, uma vesícula palpável em paciente ictérico fala mais a favor de neoplasia do que de cálculo. O sinal é pesquisado pela palpação do hipocôndrio direito, na borda lateral do reto abdominal, abaixo do rebordo costal.
Armadilhas: o sinal tem boa especificidade, mas baixa sensibilidade, e sua ausência não afasta câncer de pâncreas. Obstruções acima do cístico, como o tumor de Klatskin, não distendem a vesícula. Também não confunda com o sinal de Murphy, que é doloroso e indica colecistite aguda.
É a definição clássica. A vesícula é palpável porque está distendida pela obstrução biliar distal ao cístico, e é indolor porque não há inflamação aguda.
Hipertimpanismo no hipocôndrio direito, com perda da macicez hepática, é o sinal de Jobert. Ele sugere pneumoperitônio, por exemplo na perfuração de víscera oca.
Dor referida na região escapular ou no ombro esquerdo após trauma abdominal fechado indica irritação diafragmática por sangue. Remete ao sinal de Kehr, sugestivo de lesão esplênica.
É o sinal de Rovsing: dor na fossa ilíaca direita ao palpar a fossa ilíaca esquerda. É usado na suspeita de apendicite aguda.
É o sinal de Murphy: o paciente interrompe a inspiração por dor durante a palpação do hipocôndrio direito. É clássico da colecistite aguda.
Murphy dói (colecistite aguda). Courvoisier-Terrier não dói e vem com icterícia (obstrução distal, pense em neoplasia periampular).
Câncer de pâncreas, para prova, quase sempre significa adenocarcinoma ductal pancreático, tumor agressivo, geralmente diagnosticado tarde, que deve ser lembrado em paciente idoso com perda ponderal, dor abdominal vaga e icterícia colestática progressiva.
O que separa esse tema dos vizinhos é a combinação: icterícia indolor + vesícula palpável + emagrecimento + massa na cabeça do pâncreas.
A banca costuma cobrar homem ou mulher acima de 60 anos, tabagista, com emagrecimento importante, anorexia, dor epigástrica irradiada para dorso e icterícia progressiva.
O padrão clássico depende da localização:
Cabeça do pâncreas: icterícia obstrutiva, colúria, acolia fecal, prurido e sinal de Courvoisier-Terrier.
Corpo e cauda: dor abdominal, dor lombar, perda de peso e diagnóstico mais tardio.
Doença avançada: caquexia, trombose venosa migratória, ascite, metástase hepática.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova é icterícia indolor em idoso com vesícula palpável.
A maioria dos casos é adenocarcinoma ductal, originado do epitélio dos ductos pancreáticos. O tumor cresce de forma infiltrativa, invade estruturas vasculares próximas e metastatiza precocemente.
Para prova, o mais importante é entender a anatomia:
Tumor na cabeça do pâncreas comprime o colédoco distal, causando colestase.
Tumor no corpo ou cauda demora mais para obstruir via biliar, então aparece mais tarde e com pior prognóstico.
Invasão do plexo celíaco explica dor epigástrica irradiada para dorso.
Invasão vascular define ressecabilidade, especialmente artéria mesentérica superior, tronco celíaco, veia porta e veia mesentérica superior.
Fatores de risco clássicos:
Tabagismo (principal fator modificável).
234 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Pancreatite crônica.
Diabetes mellitus de início recente em idoso.
Obesidade.
História familiar.
Síndromes genéticas, como BRCA1, BRCA2, Peutz-Jeghers e Lynch.
Icterícia progressiva, geralmente indolor.
Colúria, acolia fecal e prurido.
Perda ponderal importante.
Anorexia e astenia.
Dor epigástrica irradiada para dorso.
Vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico (sinal de Courvoisier-Terrier).
Diabetes mellitus de início recente ou piora súbita do controle glicêmico.
Pancreatite aguda sem causa evidente em paciente idoso.
Náuseas, vômitos e saciedade precoce.
Tromboflebite migratória, conhecida como síndrome de Trousseau.
Esteatorreia por insuficiência pancreática exócrina.
Depressão ou sintomas neuropsiquiátricos inespecíficos antes do diagnóstico.
Icterícia colestática em idoso sem dor abdominal importante.
Emagrecimento rápido e inexplicado.
Dor epigástrica persistente com irradiação para dorso.
Diabetes de início recente após os 50 anos associado a perda de peso.
Pancreatite aguda idiopática em paciente idoso.
Massa pancreática associada a dilatação do ducto pancreático e da via biliar.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.