
A questão cobra a finalidade e os graus da classificação de Forrest. Ela descreve o aspecto endoscópico da úlcera péptica hemorrágica para estimar o risco de ressangramento e indicar ou não terapia endoscópica. Conhecendo os graus, as alternativas C e D ficam invertidas, e a A erra a indicação.
Úlcera péptica sangrante + aspecto endoscópico (jato, babação, vaso visível, coágulo, hematina, base limpa) = classificação de Forrest → estima o risco de ressangramento e define a terapia endoscópica
A classificação de Forrest foi descrita em 1974 para a úlcera péptica com sangramento. Ela classifica, durante a endoscopia digestiva alta, os estigmas de sangramento da lesão. O objetivo é estratificar o risco de ressangramento, que é maior no Forrest I e menor no III, e decidir quem precisa de terapia endoscópica.
Forrest I indica sangramento ativo: Ia em jato (arterial) e Ib em babação (porejamento). Forrest II indica sangramento recente: IIa com vaso visível não sangrante, IIb com coágulo aderido e IIc com hematina (mancha pigmentada plana). Forrest III é a úlcera de base limpa, sem estigmas de sangramento.
Na prática, Ia, Ib e IIa são estigmas de alto risco e recebem terapia endoscópica, seguida de inibidor de bomba de prótons em dose alta. No IIb, pode-se remover o coágulo e tratar o estigma subjacente. IIc e III têm baixo risco e não precisam de terapia endoscópica. A armadilha clássica é confundir o vaso visível (IIa, sem sangramento ativo) com o grau Ib, que é sangramento ativo em babação.
A classificação de Forrest foi criada e validada para a úlcera péptica hemorrágica. Não é o sistema padrão para estratificar sangramento por câncer gástrico.
Essa é a finalidade da classificação. O aspecto endoscópico da úlcera péptica estima o risco de ressangramento e orienta a indicação de terapia endoscópica.
O grau Ib corresponde a sangramento ativo em babação (porejamento). Vaso visível sem sangramento ativo é o grau IIa.
O grau III é a úlcera de base limpa, sem sinais de sangramento e de baixo risco. Sangramento ativo em jato é o grau Ia.
Forrest I sangra agora (Ia jato, Ib babação), Forrest II sangrou (IIa vaso visível, IIb coágulo, IIc hematina) e Forrest III é base limpa. Ia, Ib e IIa exigem terapia endoscópica.
Hemorragia digestiva alta é sangramento originado acima do ligamento de Treitz. Para prova, o mais importante é separar HDA não varicosa (principalmente úlcera péptica) de HDA varicosa (cirrótico com hipertensão portal), porque a abordagem inicial é parecida, mas o tratamento específico muda muito.
A banca costuma dar paciente com hematêmese, melena ou instabilidade hemodinâmica. O dado que mata a questão é a combinação de sangramento digestivo + sinais de hipovolemia + necessidade de endoscopia digestiva alta precoce.
Padrões clássicos:
Hematêmese: sugere HDA, principalmente se sangue vivo ou vômitos em borra de café.
Melena: fezes enegrecidas, fétidas, pegajosas, típica de HDA.
Enterorragia volumosa com choque: pode ser HDA maciça, não assuma que é hemorragia digestiva baixa.
Cirrose, ascite, icterícia, esplenomegalia ou plaquetopenia: pense em varizes esofagogástricas.
Uso de AINE, AAS, anticoagulante ou história de dispepsia: pense em úlcera péptica.
Vômitos repetidos antes da hematêmese: pense em Mallory-Weiss.
A HDA causa perda intravascular aguda. O paciente pode morrer de choque antes de morrer de anemia, então a primeira conduta é estabilização hemodinâmica, não endoscopia imediata em paciente instável.
Na HDA não varicosa, a causa mais cobrada é úlcera péptica, geralmente relacionada a Helicobacter pylori ou AINE. O risco de ressangramento depende do estigma endoscópico, como sangramento ativo, vaso visível ou coágulo aderido.
Na HDA varicosa, o problema é hipertensão portal. A ruptura de variz é grave, tem alto risco de ressangramento e exige vasoconstritor esplâncnico, antibiótico e endoscopia terapêutica.
Hematêmese.
Melena.
402 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Tontura, síncope, sudorese fria, palidez.
Taquicardia e hipotensão.
Queda de hemoglobina, lembrando que pode estar normal no início do sangramento agudo.
Ureia elevada desproporcionalmente à creatinina, por digestão de sangue no tubo digestivo.
Enterorragia em HDA maciça.
Dor epigástrica ou história de doença ulcerosa péptica.
Uso de AINE, AAS, clopidogrel, varfarina ou anticoagulante oral direto.
Estigmas de hepatopatia crônica em HDA varicosa.
Vômitos intensos antes do sangramento em laceração de Mallory-Weiss.
Hipotensão, choque ou síncope.
Hematêmese volumosa.
Rebaixamento do nível de consciência ou risco de broncoaspiração.
Doença hepática crônica.
Anticoagulação.
Idoso ou paciente com doença cardiovascular.
Hemoglobina muito baixa ou queda progressiva.
Sangramento persistente ou ressangramento após endoscopia.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.