
A questão cobra os componentes do escore de Glasgow-Blatchford, ferramenta de estratificação de risco aplicada na admissão do paciente com hemorragia digestiva alta, antes da endoscopia. Hemoglobina, pressão sistólica, insuficiência cardíaca e melena fazem parte do escore. Achados endoscópicos não fazem parte, o que leva à alternativa E.
Escore de Glasgow-Blatchford = ureia + hemoglobina + PAS + FC + melena + síncope + hepatopatia + insuficiência cardíaca (sem endoscopia) → escore baixo permite manejo ambulatorial
O escore de Glasgow-Blatchford é um escore pré-endoscópico de estratificação de risco na hemorragia digestiva alta. Ele estima a chance de o paciente precisar de intervenção (transfusão, terapia endoscópica ou cirurgia) ou de evoluir para óbito. Seu principal uso é identificar quem tem risco muito baixo e pode ser conduzido ambulatorialmente, com endoscopia eletiva.
O cálculo usa apenas dados disponíveis na admissão: ureia sérica, hemoglobina (com pontos de corte diferentes para homens e mulheres), pressão arterial sistólica, frequência cardíaca maior ou igual a 100 bpm, melena, síncope, hepatopatia e insuficiência cardíaca. A pontuação vai de 0 a 23. No trabalho original, apenas o escore 0 definia baixo risco. As diretrizes atuais do ACG e da ESGE aceitam escore 0 ou 1 como critério para alta precoce.
Armadilha clássica: confundir o Glasgow-Blatchford com o escore de Rockall completo, que inclui achados endoscópicos (diagnóstico e estigmas de sangramento recente) e é usado para prever ressangramento e mortalidade. Outro escore pré-endoscópico cobrado em prova é o AIMS65, que usa albumina, INR, alteração do estado mental, PAS e idade e tem foco em mortalidade.
A hemoglobina é componente do escore, com pontuação maior quanto mais baixo o valor e com pontos de corte distintos para homens e mulheres.
A pressão arterial sistólica na admissão integra o escore: quanto menor a PAS, maior a pontuação.
A insuficiência cardíaca é uma das comorbidades pontuadas no escore, ao lado da hepatopatia.
A melena é um dos achados clínicos que somam pontos no escore, assim como a síncope e a taquicardia.
Gabarito. Achados endoscópicos não fazem parte do Glasgow-Blatchford, que é aplicado antes da endoscopia. Eles compõem o escore de Rockall completo.
Glasgow-Blatchford é pré-endoscópico e não tem endoscopia nem idade. Se a alternativa citar estigmas endoscópicos, pense em Rockall completo.
Hemorragia digestiva alta é sangramento originado acima do ligamento de Treitz. Para prova, o mais importante é separar HDA não varicosa (principalmente úlcera péptica) de HDA varicosa (cirrótico com hipertensão portal), porque a abordagem inicial é parecida, mas o tratamento específico muda muito.
A banca costuma dar paciente com hematêmese, melena ou instabilidade hemodinâmica. O dado que mata a questão é a combinação de sangramento digestivo + sinais de hipovolemia + necessidade de endoscopia digestiva alta precoce.
Padrões clássicos:
Hematêmese: sugere HDA, principalmente se sangue vivo ou vômitos em borra de café.
Melena: fezes enegrecidas, fétidas, pegajosas, típica de HDA.
Enterorragia volumosa com choque: pode ser HDA maciça, não assuma que é hemorragia digestiva baixa.
Cirrose, ascite, icterícia, esplenomegalia ou plaquetopenia: pense em varizes esofagogástricas.
Uso de AINE, AAS, anticoagulante ou história de dispepsia: pense em úlcera péptica.
Vômitos repetidos antes da hematêmese: pense em Mallory-Weiss.
A HDA causa perda intravascular aguda. O paciente pode morrer de choque antes de morrer de anemia, então a primeira conduta é estabilização hemodinâmica, não endoscopia imediata em paciente instável.
Na HDA não varicosa, a causa mais cobrada é úlcera péptica, geralmente relacionada a Helicobacter pylori ou AINE. O risco de ressangramento depende do estigma endoscópico, como sangramento ativo, vaso visível ou coágulo aderido.
Na HDA varicosa, o problema é hipertensão portal. A ruptura de variz é grave, tem alto risco de ressangramento e exige vasoconstritor esplâncnico, antibiótico e endoscopia terapêutica.
Hematêmese.
Melena.
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Tontura, síncope, sudorese fria, palidez.
Taquicardia e hipotensão.
Queda de hemoglobina, lembrando que pode estar normal no início do sangramento agudo.
Ureia elevada desproporcionalmente à creatinina, por digestão de sangue no tubo digestivo.
Enterorragia em HDA maciça.
Dor epigástrica ou história de doença ulcerosa péptica.
Uso de AINE, AAS, clopidogrel, varfarina ou anticoagulante oral direto.
Estigmas de hepatopatia crônica em HDA varicosa.
Vômitos intensos antes do sangramento em laceração de Mallory-Weiss.
Hipotensão, choque ou síncope.
Hematêmese volumosa.
Rebaixamento do nível de consciência ou risco de broncoaspiração.
Doença hepática crônica.
Anticoagulação.
Idoso ou paciente com doença cardiovascular.
Hemoglobina muito baixa ou queda progressiva.
Sangramento persistente ou ressangramento após endoscopia.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.