
A questão cobra a composição do escore SOFA e pergunta pelo item que NÃO faz parte dele. O SOFA pontua seis sistemas: respiratório (PaO2/FiO2), coagulação (plaquetas), hepático (bilirrubina), cardiovascular (PAM e vasopressores), neurológico (Glasgow) e renal (creatinina ou diurese). Como a coagulação entra pelas plaquetas, o TP (INR) é o único item da lista fora do escore.
SOFA = PaO2/FiO2 + plaquetas + bilirrubina + PAM/vasopressor + Glasgow + creatinina/diurese; TP (INR) não entra = alternativa A
O SOFA score (Sequential Organ Failure Assessment, originalmente Sepsis-related Organ Failure Assessment) quantifica a disfunção orgânica em seis sistemas. Cada um recebe de 0 a 4 pontos, e o total vai de 0 a 24. Os componentes são: respiratório (relação PaO2/FiO2), coagulação (contagem de plaquetas), hepático (bilirrubina), cardiovascular (pressão arterial média ou uso de vasopressores, com 1 ponto para PAM menor que 70 mmHg), neurológico (escala de coma de Glasgow) e renal (creatinina ou débito urinário).
Pelo Sepsis-3, sepse é a disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Essa disfunção é definida por aumento agudo de 2 ou mais pontos no SOFA em relação ao basal. Quando não há disfunção prévia conhecida, o basal é considerado zero. O qSOFA (frequência respiratória de 22 ou mais, pressão sistólica de 100 mmHg ou menos e alteração do nível de consciência) é apenas uma ferramenta de beira de leito para identificar pacientes de maior risco. Ele não substitui o SOFA.
A armadilha clássica é achar que a coagulação no SOFA é medida pelo INR. No escore, ela entra apenas pelas plaquetas. O INR aparece em outros escores de gravidade, como o MELD, usado na doença hepática. Outro erro comum é trocar a bilirrubina por transaminases, que também não fazem parte do escore.
O TP (INR) não faz parte do SOFA, porque a coagulação é avaliada só pela contagem de plaquetas. Por isso é a resposta da questão.
A escala de coma de Glasgow é o componente neurológico do SOFA, portanto é avaliada.
A relação PaO2/FiO2 é o componente respiratório do SOFA, portanto é avaliada.
A bilirrubina é o componente hepático do SOFA, portanto é avaliada.
No SOFA, a coagulação é avaliada por plaquetas e o fígado por bilirrubina. INR é do MELD, não do SOFA.
Sepse é disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Para prova, o que separa sepse de infecção simples é disfunção orgânica; o que separa choque séptico de sepse é necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L apesar de reposição volêmica adequada.
A banca costuma trazer paciente com foco infeccioso provável, piora do estado geral e sinais de hipoperfusão ou disfunção orgânica.
Perfil clássico:
Idoso com pneumonia, confusão mental, hipotensão e taquipneia.
Paciente com infecção urinária, febre, rebaixamento do nível de consciência e oligúria.
Pós-operatório com taquicardia, hipotensão, lactato elevado e leucocitose.
Imunossuprimido com hipotermia, alteração mental e instabilidade hemodinâmica.
Sintomas-chave:
Febre ou hipotermia.
Taquicardia.
Taquipneia.
Hipotensão.
Confusão mental.
Oligúria.
Pele fria, moteada ou enchimento capilar lentificado.
Achados laboratoriais que entregam:
Lactato elevado.
Creatinina subindo.
Plaquetopenia.
Bilirrubina elevada.
Hipoxemia.
Acidose metabólica.
Coagulopatia.
Palavra que mata a questão:
Infecção + disfunção orgânica.
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Infecção + lactato alto.
Infecção + hipotensão persistente.
Infecção + rebaixamento do nível de consciência.
Na sepse, o problema não é apenas o microrganismo. O ponto central é a resposta inflamatória desregulada, que causa vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção endotelial, microtrombose e má distribuição do fluxo sanguíneo.
O resultado prático para prova:
O paciente pode estar hipotenso por vasodilatação e extravasamento capilar.
Pode haver hipoperfusão mesmo com débito cardíaco alto.
Lactato alto sugere hipóxia tecidual, hipoperfusão ou metabolismo celular alterado.
A disfunção orgânica pode aparecer como rim, cérebro, pulmão, fígado, coagulação ou circulação.
Não precisa decorar cascata inflamatória. Precisa reconhecer que sepse é infecção com órgão sofrendo.
Febre ou hipotermia.
Taquicardia.
Taquipneia.
Hipotensão.
Alteração do estado mental.
Oligúria.
Lactato elevado.
Pele fria, sudoreica, moteada ou com enchimento capilar lento.
Foco infeccioso evidente, principalmente pneumonia, infecção urinária, abdome agudo infeccioso, infecção de pele e cateter.
Para prova, o quadro mais típico é: paciente infectado, hipotenso, taquipneico e confuso.
Leucocitose ou leucopenia.
Plaquetopenia.
Hiperglicemia em não diabético.
Hipoxemia ou necessidade de oxigênio.
Acidose metabólica.
Aumento de bilirrubina.
Coagulopatia.
Extremidades quentes no início do choque distributivo.
Extremidades frias em fase avançada ou hipoperfusão importante.
A banca pode cobrar que sepse não exige febre. Idoso, imunossuprimido e paciente grave podem ter hipotermia.
PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg.
Lactato ≥ 2 mmol/L.
Lactato ≥ 4 mmol/L, marcador de alto risco.
Rebaixamento do nível de consciência.
Oligúria ou anúria.
Saturação baixa ou desconforto respiratório.
Pele moteada.
Necessidade de vasopressor.
Plaquetopenia importante.
Suspeita de meningite, pneumonia grave, peritonite, fasciíte necrosante ou colangite.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.