
A questão cobra, de forma direta, os três critérios do qSOFA e seus pontos de corte. Basta lembrar que é um escore de beira de leito, sem exames laboratoriais: frequência respiratória >= 22/min, alteração do nível de consciência e pressão arterial sistólica <= 100 mmHg.
FR >= 22/min + alteração do nível de consciência + PAS <= 100 mmHg = qSOFA (>= 2 pontos em suspeita de infecção → maior risco de mau desfecho, investigar disfunção orgânica)
O qSOFA (quick Sequential Organ Failure Assessment) foi proposto junto com as definições do Sepsis-3, em 2016, como versão simplificada do escore SOFA. Tem três itens, cada um valendo 1 ponto: frequência respiratória >= 22 incursões por minuto, alteração do nível de consciência (Glasgow < 15) e pressão arterial sistólica <= 100 mmHg. Não exige nenhum exame laboratorial, por isso pode ser aplicado à beira do leito, no pronto-socorro ou na enfermaria.
Em paciente com suspeita de infecção fora da UTI, pontuação >= 2 identifica maior risco de morte ou de permanência prolongada em terapia intensiva. O diagnóstico de sepse, pelo Sepsis-3, continua sendo disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada à infecção, definida por aumento agudo >= 2 pontos no SOFA completo, que inclui PaO2/FiO2, plaquetas, bilirrubina, pressão arterial média ou uso de vasopressores, Glasgow e creatinina ou diurese.
Armadilhas frequentes: o qSOFA não é critério diagnóstico de sepse e não deve ser usado isoladamente como triagem. A Surviving Sepsis Campaign 2021 recomenda não usá-lo sozinho em comparação com SIRS, NEWS ou MEWS, porque é pouco sensível. Também não confunda com os critérios de SIRS (temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória ou PaCO2 e leucócitos), que usam FR > 20/min e não incluem pressão arterial nem nível de consciência.
Saturação de oxigênio e temperatura não fazem parte do qSOFA. Apenas o nível de consciência coincide, e faltam frequência respiratória e pressão arterial sistólica.
São exatamente os três critérios do qSOFA com os pontos de corte do Sepsis-3: FR >= 22/min, alteração do nível de consciência e PAS <= 100 mmHg.
Bilirrubina, creatinina e pressão arterial média são componentes do SOFA completo, que depende de exames laboratoriais. Não pertencem ao qSOFA.
Formas jovens de leucócitos (bastões) e frequência cardíaca são critérios de SIRS, e o lactato (a alternativa escreve 'lactose') entra na definição de choque séptico. Nenhum deles faz parte do qSOFA.
qSOFA é só clínica, sem laboratório: FR >= 22, PAS <= 100 e confusão mental. Pontuação >= 2 indica risco de mau desfecho, mas quem define sepse é o aumento >= 2 no SOFA completo.
Sepse é disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Para prova, o que separa sepse de infecção simples é disfunção orgânica; o que separa choque séptico de sepse é necessidade de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L apesar de reposição volêmica adequada.
A banca costuma trazer paciente com foco infeccioso provável, piora do estado geral e sinais de hipoperfusão ou disfunção orgânica.
Perfil clássico:
Idoso com pneumonia, confusão mental, hipotensão e taquipneia.
Paciente com infecção urinária, febre, rebaixamento do nível de consciência e oligúria.
Pós-operatório com taquicardia, hipotensão, lactato elevado e leucocitose.
Imunossuprimido com hipotermia, alteração mental e instabilidade hemodinâmica.
Sintomas-chave:
Febre ou hipotermia.
Taquicardia.
Taquipneia.
Hipotensão.
Confusão mental.
Oligúria.
Pele fria, moteada ou enchimento capilar lentificado.
Achados laboratoriais que entregam:
Lactato elevado.
Creatinina subindo.
Plaquetopenia.
Bilirrubina elevada.
Hipoxemia.
Acidose metabólica.
Coagulopatia.
Palavra que mata a questão:
Infecção + disfunção orgânica.
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Infecção + lactato alto.
Infecção + hipotensão persistente.
Infecção + rebaixamento do nível de consciência.
Na sepse, o problema não é apenas o microrganismo. O ponto central é a resposta inflamatória desregulada, que causa vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção endotelial, microtrombose e má distribuição do fluxo sanguíneo.
O resultado prático para prova:
O paciente pode estar hipotenso por vasodilatação e extravasamento capilar.
Pode haver hipoperfusão mesmo com débito cardíaco alto.
Lactato alto sugere hipóxia tecidual, hipoperfusão ou metabolismo celular alterado.
A disfunção orgânica pode aparecer como rim, cérebro, pulmão, fígado, coagulação ou circulação.
Não precisa decorar cascata inflamatória. Precisa reconhecer que sepse é infecção com órgão sofrendo.
Febre ou hipotermia.
Taquicardia.
Taquipneia.
Hipotensão.
Alteração do estado mental.
Oligúria.
Lactato elevado.
Pele fria, sudoreica, moteada ou com enchimento capilar lento.
Foco infeccioso evidente, principalmente pneumonia, infecção urinária, abdome agudo infeccioso, infecção de pele e cateter.
Para prova, o quadro mais típico é: paciente infectado, hipotenso, taquipneico e confuso.
Leucocitose ou leucopenia.
Plaquetopenia.
Hiperglicemia em não diabético.
Hipoxemia ou necessidade de oxigênio.
Acidose metabólica.
Aumento de bilirrubina.
Coagulopatia.
Extremidades quentes no início do choque distributivo.
Extremidades frias em fase avançada ou hipoperfusão importante.
A banca pode cobrar que sepse não exige febre. Idoso, imunossuprimido e paciente grave podem ter hipotermia.
PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg.
Lactato ≥ 2 mmol/L.
Lactato ≥ 4 mmol/L, marcador de alto risco.
Rebaixamento do nível de consciência.
Oligúria ou anúria.
Saturação baixa ou desconforto respiratório.
Pele moteada.
Necessidade de vasopressor.
Plaquetopenia importante.
Suspeita de meningite, pneumonia grave, peritonite, fasciíte necrosante ou colangite.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.