
A questão cobra quais parasitas intestinais têm fase de migração larvária pelos pulmões, capaz de gerar pneumonite eosinofílica transitória. Entre as opções, só o Strongyloides stercoralis tem esse ciclo pulmonar. Protozoários e helmintos de ciclo exclusivamente intestinal ficam de fora.
Parasita intestinal + larva com ciclo pulmonar (Ascaris, ancilostomídeos, Strongyloides) + infiltrado pulmonar migratório + eosinofilia = síndrome de Loeffler → Strongyloides stercoralis entre as opções
A síndrome de Loeffler é uma eosinofilia pulmonar simples: infiltrados pulmonares transitórios e migratórios associados a eosinofilia no sangue periférico, em geral com sintomas leves, como tosse seca, chiado e febre baixa. Costuma regredir espontaneamente em poucas semanas. A causa clássica é a passagem de larvas de helmintos pelos alvéolos durante o ciclo pulmonar.
Os parasitas intestinais que fazem esse trajeto (pele ou intestino, circulação, pulmão, árvore traqueobrônquica, deglutição) são o Ascaris lumbricoides, os ancilostomídeos (Ancylostoma duodenale e Necator americanus) e o Strongyloides stercoralis, lembrados pelo mnemônico SANA. Giardia, Entamoeba, Enterobius e Trichuris não passam pelo pulmão e não causam o quadro.
Armadilha frequente: na fase pulmonar, o parasitológico de fezes costuma ser negativo, porque os vermes adultos ainda não chegaram ao intestino. O diagnóstico é clínico-radiológico, apoiado na eosinofilia, e as larvas às vezes aparecem no escarro. Vale lembrar também que a síndrome pode ter causas não parasitárias, como fármacos.
A Giardia lamblia é um protozoário que coloniza o duodeno e o jejuno sem migração tecidual ou pulmonar. Causa diarreia e má absorção, não síndrome de Loeffler.
O Enterobius vermicularis tem ciclo exclusivamente intestinal: os ovos são ingeridos e as fêmeas fazem a postura na região perianal. Sem fase pulmonar, não causa o quadro.
O Trichocephalus trichiurus (Trichuris trichiura) é adquirido pela ingestão de ovos e se desenvolve direto no intestino grosso, sem migração pulmonar. Pode causar prolapso retal em infecções maciças, mas não síndrome de Loeffler.
A Entamoeba histolytica causa colite amebiana e abscesso hepático, que pode se estender à pleura e ao pulmão por contiguidade. Isso não é ciclo larvário nem pneumonite eosinofílica, portanto não é síndrome de Loeffler.
As larvas filarioides do Strongyloides stercoralis penetram a pele e, pela via clássica, chegam aos pulmões pela circulação, sobem pela árvore traqueobrônquica e são deglutidas. Essa passagem pulmonar pode gerar infiltrado eosinofílico transitório, que é a síndrome de Loeffler.
Síndrome de Loeffler parasitária pede helminto com ciclo pulmonar: lembre SANA (Strongyloides, Ascaris, Necator e Ancylostoma). Protozoários, oxiúrus e tricocéfalo ficam de fora.
Parasitoses intestinais são infecções por protozoários ou helmintos que aparecem em prova como diarreia, dor abdominal, anemia, prurido anal, eosinofilia ou achado em exame parasitológico de fezes. Para prova, o mais importante é separar protozoose de helmintíase: protozoários costumam dar diarreia sem eosinofilia; helmintos costumam dar eosinofilia, anemia ou sintomas obstrutivos.
A banca costuma cobrar cinco cenários clássicos:
Criança com dor abdominal, distensão, desnutrição ou eliminação de verme nas fezes: pense em ascaridíase.
Criança com prurido anal noturno: pense em enterobíase.
Paciente com diarreia gordurosa, fétida, flatulência e má absorção: pense em giardíase.
Paciente com diarreia sanguinolenta, dor abdominal e risco de abscesso hepático: pense em amebíase.
Paciente com anemia ferropriva, geofagia ou contato com solo: pense em ancilostomíase.
O dado que mata a questão:
Pista | Diagnóstico provável |
|---|---|
Prurido anal noturno | Enterobius vermicularis |
Diarreia gordurosa e fétida | Giardia duodenalis |
Disenteria e abscesso hepático | Entamoeba histolytica |
Anemia ferropriva | Ancilostomíase |
Síndrome de Löeffler | Ascaris, ancilostomídeos ou Strongyloides |
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Imunossupressão com sepse por Gram-negativo
Hiperinfecção por Strongyloides stercoralis |
Protozoários intestinais aderem à mucosa ou invadem tecido. Por isso, a prova separa:
Giardia: adere ao duodeno e jejuno, causa má absorção, esteatorreia e perda ponderal.
Entamoeba histolytica: invade mucosa colônica, causa úlcera, disenteria e pode ir ao fígado pela circulação porta.
Cryptosporidium: causa diarreia aquosa, especialmente grave em imunossuprimidos.
Helmintos têm ciclos com ovos, larvas e vermes adultos. A pegadinha é lembrar que eosinofilia aparece mais quando há migração tecidual ou invasão, não em todo parasita intestinal.
Ascaris pode migrar pelo pulmão, causando tosse, infiltrado pulmonar migratório e eosinofilia.
Ancilostomídeos penetram pela pele, migram para o pulmão e depois intestino, onde sugam sangue.
Strongyloides pode fazer autoinfecção, por isso é perigoso em uso de corticoide, transplante, HTLV-1 e imunossupressão.
Giardíase: diarreia crônica ou recorrente, fezes gordurosas, distensão, flatulência, perda de peso, má absorção.
Amebíase intestinal: colite, dor abdominal, tenesmo, diarreia com sangue ou muco.
Ascaridíase: dor abdominal, desnutrição, eliminação de vermes, obstrução intestinal em carga parasitária alta.
Enterobíase: prurido perianal noturno, irritabilidade, vulvovaginite em meninas.
Ancilostomíase: anemia ferropriva, palidez, fadiga, geofagia, eosinofilia.
Estrongiloidíase: dor abdominal, diarreia, urticária, larva currens, eosinofilia, risco de hiperinfecção.
Tricuríase: diarreia crônica, dor abdominal, anemia, prolapso retal em infecção intensa.
Teníase: eliminação de proglotes, desconforto abdominal, geralmente pouco sintomática.
Himenolepíase: comum em crianças, dor abdominal e diarreia leve.
Criptosporidiose: diarreia aquosa autolimitada em imunocompetente; grave, crônica e volumosa em HIV avançado.
Diarreia com sangue e toxemia.
Desidratação moderada ou grave.
Anemia importante.
Obstrução intestinal.
Icterícia ou dor em hipocôndrio direito em paciente com ascaridíase, sugerindo migração biliar.
Uso de corticoide ou imunossupressão com suspeita de Strongyloides.
Abscesso hepático em paciente com história de disenteria ou exposição epidemiológica.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.