
A questão cobra o reconhecimento do sinal de Faget, isto é, febre com bradicardia relativa (a frequência cardíaca sobe menos do que o esperado para a temperatura). Entre as opções, o único agente classicamente associado a essa dissociação é a Salmonella typhi, causadora da febre tifoide. Os demais agentes provocam, em geral, taquicardia proporcional à febre.
Febre alta + frequência cardíaca desproporcionalmente baixa = sinal de Faget → pensar em febre tifoide (Salmonella typhi), febre amarela, Legionella, leptospirose, riquetsioses
O sinal de faget é a dissociação pulso-temperatura: o paciente tem febre, mas a frequência cardíaca não acompanha a elevação da temperatura, caracterizando bradicardia relativa. Em condições habituais, a frequência cardíaca sobe aproximadamente 8 a 10 batimentos por minuto para cada grau Celsius de aumento da temperatura. Quando isso não acontece em um paciente febril, o sinal está presente.
O sinal leva o nome de Jean Charles Faget, que o descreveu na febre amarela, e por isso ele é muito cobrado nesse tema. Nas provas, porém, a associação mais clássica é com a febre tifoide. Outras causas infecciosas descritas incluem Legionella, psitacose, febre Q, leptospirose, riquetsioses, malária e dengue. Entre as causas não infecciosas estão a febre por drogas e a febre factícia.
Para que o achado tenha valor, a febre precisa ser significativa. O sinal perde validade em pacientes em uso de betabloqueador, com marca-passo, arritmias ou distúrbios de condução. A maioria das infecções bacterianas piogênicas, como pneumonia pneumocócica, estafilococcias e infecções por Pseudomonas, cursa com taquicardia proporcional à febre.
Pseudomonas aeruginosa causa infecções piogênicas, frequentemente graves e nosocomiais, que cursam com taquicardia proporcional à febre. Não é causa clássica de bradicardia relativa.
Salmonella typhi causa a febre tifoide, protótipo de infecção com febre e bradicardia relativa. É a resposta esperada.
Staphylococcus aureus, em bacteremia, pneumonia ou infecções de pele, costuma gerar taquicardia compatível com a febre e com a resposta inflamatória sistêmica.
Streptococcus pneumoniae é a principal causa de pneumonia típica, que cursa com taquicardia. A bradicardia relativa em pneumonia sugere agente atípico, como Legionella, e não o pneumococo.
Streptococcus pyogenes causa faringite, celulite, fasciíte e síndrome do choque tóxico, quadros com taquicardia e não com dissociação pulso-temperatura.
Febre alta com pulso lento em paciente sem betabloqueador ou distúrbio de condução é o sinal de Faget. A banca quase sempre espera febre tifoide ou febre amarela, e na pneumonia o achado sugere Legionella.
Febre amarela é uma arbovirose viral aguda, transmitida por mosquitos, que deve ser lembrada em paciente não vacinado com febre súbita, exposição a área de risco e sinais de hepatite grave com icterícia, sangramento e insuficiência renal.
O que separa febre amarela de outras arboviroses é o padrão bifásico: fase inicial inespecífica, melhora breve e depois fase tóxica com icterícia, hemorragias, albuminúria, oligúria e choque.
A banca costuma cobrar um paciente que esteve em área rural, mata, região silvestre ou área com epizootia de macacos, não vacinado ou com vacinação desconhecida, que evolui com:
Febre alta de início súbito.
Cefaleia, mialgia intensa, lombalgia, náuseas e vômitos.
Icterícia após poucos dias.
Sangramentos (hematêmese em borra de café, epistaxe, gengivorragia, melena).
Bradicardia relativa (sinal de Faget).
Elevação importante de transaminases, especialmente AST maior que ALT.
Leucopenia, plaquetopenia, aumento de bilirrubinas, alargamento de TAP/INR.
Proteinúria ou albuminúria.
Insuficiência renal aguda.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser: febre + icterícia + hemorragia + exposição em área silvestre + não vacinado.
A febre amarela é causada por um Flavivirus. No Brasil, o ciclo mais importante para prova é o ciclo silvestre, transmitido principalmente por mosquitos Haemagogus e Sabethes. Macacos não transmitem diretamente a doença ao ser humano: eles funcionam como sentinelas epidemiológicas.
O vírus causa viremia inicial e depois acometimento hepático, renal, miocárdico e hemorrágico. A lesão hepática explica icterícia, aumento de transaminases e coagulopatia. A lesão renal e a instabilidade hemodinâmica explicam albuminúria, oligúria e insuficiência renal.
Para prova
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Forma clássica bifásica:
Fase de infecção:
Febre alta súbita.
Calafrios.
Cefaleia.
Mialgia, principalmente lombalgia.
Náuseas e vômitos.
Prostração.
Hiperemia conjuntival.
Bradicardia relativa.
Período de remissão:
Melhora transitória por algumas horas até 1 a 2 dias.
Fase tóxica:
Retorno da febre.
Icterícia.
Hemorragias.
Dor abdominal e vômitos persistentes.
Oligúria ou anúria.
Confusão, torpor ou convulsões em casos graves.
Choque e falência de múltiplos órgãos.
Maioria dos casos pode ser assintomática ou oligossintomática.
Formas leves simulam dengue, influenza, leptospirose ou outras viroses.
A letalidade é alta nas formas graves.
Sinal de Faget: febre com bradicardia relativa. Não é obrigatório, mas é uma pista clássica.
Icterícia.
Sangramento.
Vômitos persistentes.
Dor abdominal intensa.
Sonolência, confusão ou convulsões.
Hipotensão ou choque.
Oligúria.
INR alargado.
Creatinina elevada.
AST/ALT muito elevadas.
Plaquetopenia importante.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.