
A questão cobra a interpretação da classificação de Cormack-Lehane modificada por Cook, que gradua a visão da laringe obtida na laringoscopia direta. A classe 2B corresponde à visão apenas das aritenoides ou da porção posterior das pregas vocais. É uma visão restrita, com intubação de dificuldade moderada, e o uso de guia (bougie) é a estratégia recomendada.
Laringoscopia direta + visão só das aritenoides ou da porção posterior das pregas vocais = Cormack-Lehane 2B (visão restrita) → intubação com auxílio de bougie
A classificação de cormack-lehane foi descrita em 1984 e gradua o que se enxerga da laringe durante a laringoscopia direta. Grau 1: glote inteira visível. Grau 2: apenas a parte posterior da glote. Grau 3: apenas a epiglote. Grau 4: nem a epiglote é vista. Ela não é um preditor pré-operatório como o Mallampati: é feita no momento da laringoscopia e documenta a dificuldade real para orientar intubações futuras.
Na modificação de Cook (2000), o grau 2 se divide em 2A (visão parcial da glote) e 2B (apenas aritenoides ou porção posterior das pregas vocais). O grau 3 se divide em 3A (epiglote visível e elevável) e 3B (epiglote aderida à parede posterior da faringe). Cook agrupou as classes de forma prática: 1 e 2A são visões fáceis, 2B e 3A são visões restritas que se beneficiam de bougie, e 3B e 4 são visões difíceis que exigem técnicas avançadas, como fibroscopia ou videolaringoscopia.
Armadilhas comuns: confundir 2A com 2B e achar que toda classe 2 é intubação fácil, ou tratar 2B como via aérea difícil que obriga a interromper o procedimento. Lembre também que obesidade e pescoço curto são fatores de risco para via aérea difícil, mas a classe só é definida pelo que se vê na laringoscopia.
A visão da maior parte das pregas vocais corresponde às classes 1 ou 2A, consideradas fáceis. Na 2B, só se veem as aritenoides ou a porção posterior das pregas vocais.
Descreve a classe 2B: aritenoides visíveis, visão restrita e intubação de dificuldade moderada. O bougie é a ferramenta indicada por Cook para esse grupo.
Superestima a dificuldade. A classe 2B é uma visão restrita, manejada com bougie. Interromper o procedimento e partir para fibroscopia ou videolaringoscopia é a lógica das visões difíceis (3B e 4).
A ausência de visualização de qualquer estrutura laríngea corresponde à classe 4, não à 2B. Além disso, nessa situação a conduta seria recorrer a técnicas avançadas, e não insistir no laringoscópio convencional.
Cormack-Lehane por Cook: 1 e 2A são fáceis, 2B e 3A são restritas (use bougie), 3B e 4 são difíceis (técnicas avançadas). A classe 2B corresponde a 'só aritenoides ou porção posterior das pregas vocais'.
Intubação é a colocação de um tubo na traqueia para garantir via aérea definitiva, permitir ventilação e proteger contra aspiração. Para prova, o mais importante é reconhecer quando intubar, como preparar a sequência rápida e o que fazer quando a via aérea é difícil ou a intubação falha.
O que separa intubação de medidas temporárias é isto: máscara, cânula e ventilação não são via aérea definitiva; tubo traqueal com balonete insuflado é.
A banca costuma cobrar intubação em cenário de urgência:
Paciente politraumatizado com Glasgow ≤ 8.
Rebaixamento do nível de consciência e perda de reflexos protetores.
Insuficiência respiratória aguda com falha de oxigenação ou ventilação.
Choque, sepse, queimadura de via aérea ou anafilaxia.
Trauma de face, trauma cervical, hematoma expansivo de pescoço.
Parada cardiorrespiratória ou peri-parada.
A palavra que entrega o diagnóstico de necessidade de via aérea definitiva costuma ser uma destas:
Glasgow ≤ 8.
Estridor.
Queimadura de face com rouquidão.
Inalação de fumaça em ambiente fechado.
Hipoxemia refratária.
Incapacidade de proteger via aérea.
Trauma com instabilidade hemodinâmica e necessidade de cirurgia imediata.
O exame típico que confirma o tubo na traqueia é capnografia com onda persistente. Ausculta ajuda, mas não é o melhor método.
A intubação resolve três problemas principais:
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Oxigenação: aumenta oferta de O2 e permite PEEP.
Ventilação: remove CO2 quando o paciente não ventila adequadamente.
Proteção de via aérea: reduz risco de aspiração quando há rebaixamento, vômitos, sangramento ou reflexos abolidos.
Na sequência rápida de intubação, a lógica é simples: o paciente tem risco de aspiração, então evita-se ventilação sob máscara prolongada antes do tubo, faz-se pré-oxigenação, indução, bloqueio neuromuscular e intubação.
A pegadinha é achar que intubar é só “passar o tubo”. Em prova, intubação segura envolve preparo, plano B, confirmação, fixação e ventilação pós-intubação.
Glasgow ≤ 8 em trauma.
Insuficiência respiratória aguda com fadiga, hipoxemia ou hipercapnia.
Obstrução iminente de via aérea.
Queimadura inalatória.
Choque grave com necessidade de controle ventilatório.
Agitação ou rebaixamento que impede tratamento seguro.
Parada cardiorrespiratória.
Status epilepticus refratário.
Intoxicação exógena com depressão respiratória.
Edema de glote.
Angioedema.
Hemorragia digestiva alta maciça com rebaixamento.
Trauma cranioencefálico grave.
Trauma raquimedular cervical com ventilação inadequada.
Estridor.
Rouquidão após queimadura.
Sialorreia e incapacidade de deglutir.
Hematoma cervical expansivo.
Trauma maxilofacial importante.
Vômitos ou sangue em via aérea.
Hipoxemia que não melhora com oxigênio.
Ventilação difícil sob máscara.
Pescoço curto, obesidade, abertura oral reduzida, mobilidade cervical limitada.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.