
A questão cobra os critérios de Light, usados para separar exsudato de transudato no derrame pleural. Basta ter um dos três critérios presente para classificar o líquido como exsudato, e a única alternativa que reproduz um deles corretamente é a relação DHL pleural/sérica > 0,6.
Proteína pleural/sérica > 0,5 ou DHL pleural/sérica > 0,6 ou DHL pleural > 2/3 do limite superior normal sérico = exsudato (basta um critério)
Ao estudar critérios de light derrame pleural, lembre que eles servem para separar exsudato de transudato a partir de dosagens simultâneas no líquido pleural e no sangue. O líquido é exsudato quando há pelo menos um dos três achados: relação proteína pleural/sérica > 0,5; relação DHL pleural/sérica > 0,6; DHL pleural > 2/3 do limite superior da normalidade do DHL sérico. Se nenhum estiver presente, o líquido é transudato.
Essa separação orienta a investigação. O transudato resulta de alteração de pressões hidrostática ou oncótica, como na insuficiência cardíaca, na cirrose e na síndrome nefrótica. O exsudato indica doença da própria pleura ou de estruturas vizinhas, como derrame parapneumônico, tuberculose pleural, neoplasia e tromboembolismo pulmonar, e pede análises adicionais: citologia, celularidade, glicose, pH, ADA e cultura.
A armadilha mais cobrada é a sensibilidade alta com especificidade menor. Os critérios de Light podem classificar como exsudato parte dos transudatos de pacientes com insuficiência cardíaca em uso de diurético. Nesses casos, um gradiente de albumina (sérica menos pleural) > 1,2 g/dL favorece transudato. Outra armadilha: glicose baixa no líquido pleural e gradiente de albumina são testes complementares e não fazem parte dos critérios de Light.
Glicose não faz parte dos critérios de Light. Glicose pleural acima de 60 mg/dL é achado habitual. O valor que chama atenção é o baixo (< 60 mg/dL), visto em empiema, artrite reumatoide, tuberculose e neoplasia.
O gradiente de albumina não é critério de Light. Ele é calculado como albumina sérica menos albumina pleural, e o corte usado é 1,2 g/dL, não 0,5. É útil principalmente para reclassificar transudatos em pacientes com insuficiência cardíaca em uso de diurético.
Relação DHL pleural/sérica > 0,6 é um dos três critérios de Light. Isoladamente, já basta para classificar o líquido como exsudato.
O sinal está invertido. O critério para exsudato é relação proteína pleural/sérica > 0,5, e uma relação < 0,5 é compatível com transudato.
Memorize os três números dos critérios de Light: proteína > 0,5, DHL > 0,6 e DHL > 2/3 do limite superior sérico. Basta um deles para exsudato, e qualquer sinal invertido ou parâmetro diferente (glicose, albumina) está fora dos critérios.
Complicações pulmonares são eventos respiratórios que surgem principalmente no pós-operatório, na internação ou em pacientes com doença clínica grave, e o que separa esse tema dos vizinhos é reconhecer rapidamente se o problema é atelectasia, pneumonia, broncoaspiração, tromboembolismo pulmonar, edema pulmonar ou insuficiência respiratória.
Para prova, o cenário clássico é paciente internado ou em pós-operatório com dispneia, queda de saturação, febre, dor torácica, tosse, taquipneia ou alteração de ausculta.
A banca costuma cobrar:
pós-operatório imediato com hipoxemia e murmúrio vesicular reduzido: pense em atelectasia;
febre, tosse purulenta e infiltrado novo após 48 horas de internação: pense em pneumonia hospitalar;
dispneia súbita, dor pleurítica, taquicardia e fator de risco trombótico: pense em tromboembolismo pulmonar;
rebaixamento, vômitos, disfagia ou anestesia recente com infiltrado em região dependente: pense em broncoaspiração;
crepitações difusas, ortopneia, congestão e cardiopatia: pense em edema agudo de pulmão;
hipoxemia refratária, infiltrado bilateral e relação PaO₂/FiO₂ reduzida: pense em SDRA.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser o tempo de aparecimento.
O mecanismo mais cobrado é a perda de ventilação alveolar no pós-operatório. Anestesia, dor, imobilidade, opioides e incisão torácica ou abdominal alta reduzem expansão pulmonar, tosse e clearance de secreções. Isso favorece atelectasia e infecção.
Na pneumonia, há colonização e infecção do parênquima pulmonar, geralmente por flora hospitalar quando ocorre após 48 horas de internação.
No tromboembolismo pulmonar, há obstrução vascular pulmonar por trombo, geralmente originado de veias profundas dos membros inferiores.
Na broncoaspiração, conteúdo gástrico ou orofaríngeo atinge a árvore respiratória. Pode causar pneumonite química inicialmente e pneumonia aspirativa quando há infecção.
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Na SDRA, uma agressão pulmonar ou sistêmica gera inflamação alveolocapilar, edema não cardiogênico e hipoxemia importante.
Atelectasia: hipoxemia precoce, taquipneia, redução de murmúrio vesicular, estertores finos, febre baixa no pós-operatório inicial.
Pneumonia hospitalar: febre, secreção purulenta, leucocitose, piora ventilatória e infiltrado novo na radiografia.
Tromboembolismo pulmonar: dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, dessaturação e, às vezes, hemoptise.
Broncoaspiração: tosse, sibilos, hipoxemia ou infiltrado em áreas dependentes após vômito, sedação, crise convulsiva ou rebaixamento.
Edema agudo de pulmão: dispneia intensa, ortopneia, crepitações difusas, expectoração rósea e sinais de congestão.
Exacerbação de DPOC no pós-operatório ou durante internação.
Derrame pleural parapneumônico.
Pneumotórax após procedimento, ventilação mecânica ou punção.
SDRA após sepse, pneumonia grave, pancreatite, politrauma ou aspiração.
Saturação persistentemente baixa apesar de oxigênio.
Rebaixamento do nível de consciência.
Hipotensão, síncope ou choque em suspeita de tromboembolismo pulmonar.
Uso de musculatura acessória, fadiga respiratória ou hipercapnia.
Infiltrado bilateral com hipoxemia importante.
Febre persistente com piora clínica apesar de antibiótico.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.