
A questão cobra a diferenciação entre transudato e exsudato pleural. Os critérios de Light (relação de proteína > 0,5, relação de LDH > 0,6 e LDH pleural > 2/3 do limite superior da normalidade sérica) definem exsudato, o que elimina A, C e D. A pneumonia bacteriana gera exsudato, o que elimina B. Resta a insuficiência ventricular esquerda, a principal causa de transudato, que surge por aumento da pressão hidrostática e não por inflamação pleural.
Derrame pleural + nenhum critério de Light preenchido + pressão hidrostática elevada = transudato → pensar em insuficiência cardíaca
Para diferenciar transudato e exsudato no derrame pleural, usam-se os critérios de Light. O líquido é exsudato quando preenche pelo menos um destes três critérios: relação proteína pleural/sérica > 0,5; relação LDH pleural/sérica > 0,6; LDH pleural maior que 2/3 do limite superior da normalidade da LDH sérica. Se nenhum critério for preenchido, o líquido é transudato. Por isso é preciso dosar proteína e LDH no líquido pleural e no sangue.
O transudato resulta de um desequilíbrio entre as pressões hidrostática e oncótica, com a pleura íntegra. A insuficiência cardíaca é a causa mais comum, e também a causa mais comum de derrame pleural em geral. Outras causas são a cirrose com hidrotórax hepático, a síndrome nefrótica e a diálise peritoneal. O exsudato reflete doença da própria pleura ou aumento da permeabilidade capilar. Exemplos são o derrame parapneumônico, o empiema, as neoplasias e a tuberculose pleural.
Armadilha: os critérios de Light são muito sensíveis para exsudato, mas classificam erroneamente cerca de 25% dos transudatos como exsudatos. Isso acontece sobretudo em pacientes com insuficiência cardíaca em uso de diurético. Nesses casos, um gradiente de albumina (albumina sérica menos albumina pleural) maior que 1,2 g/dL, ou um gradiente de proteína maior que 3,1 g/dL, indica transudato. Um NT-proBNP elevado reforça a origem cardíaca.
A relação proteína pleural/sérica maior que 0,5 é um dos critérios de Light e define exsudato, não transudato.
A pneumonia bacteriana causa derrame parapneumônico, que é um exsudato porque decorre de inflamação pleural.
A relação LDH pleural/sérica maior que 0,6 é um critério de Light para exsudato.
LDH pleural maior que 2/3 do limite superior da normalidade sérica é o terceiro critério de Light e indica exsudato.
Gabarito. A insuficiência ventricular esquerda eleva a pressão venosa pulmonar e causa acúmulo de líquido no espaço pleural com pleura íntegra. É a causa mais comum de transudato.
Os critérios de Light definem exsudato: basta um critério positivo. Se a questão pedir uma característica de transudato, procure a causa sistêmica (insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica) e descarte qualquer número que pertença aos critérios.
Complicações pulmonares são eventos respiratórios que surgem principalmente no pós-operatório, na internação ou em pacientes com doença clínica grave, e o que separa esse tema dos vizinhos é reconhecer rapidamente se o problema é atelectasia, pneumonia, broncoaspiração, tromboembolismo pulmonar, edema pulmonar ou insuficiência respiratória.
Para prova, o cenário clássico é paciente internado ou em pós-operatório com dispneia, queda de saturação, febre, dor torácica, tosse, taquipneia ou alteração de ausculta.
A banca costuma cobrar:
pós-operatório imediato com hipoxemia e murmúrio vesicular reduzido: pense em atelectasia;
febre, tosse purulenta e infiltrado novo após 48 horas de internação: pense em pneumonia hospitalar;
dispneia súbita, dor pleurítica, taquicardia e fator de risco trombótico: pense em tromboembolismo pulmonar;
rebaixamento, vômitos, disfagia ou anestesia recente com infiltrado em região dependente: pense em broncoaspiração;
crepitações difusas, ortopneia, congestão e cardiopatia: pense em edema agudo de pulmão;
hipoxemia refratária, infiltrado bilateral e relação PaO₂/FiO₂ reduzida: pense em SDRA.
A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser o tempo de aparecimento.
O mecanismo mais cobrado é a perda de ventilação alveolar no pós-operatório. Anestesia, dor, imobilidade, opioides e incisão torácica ou abdominal alta reduzem expansão pulmonar, tosse e clearance de secreções. Isso favorece atelectasia e infecção.
Na pneumonia, há colonização e infecção do parênquima pulmonar, geralmente por flora hospitalar quando ocorre após 48 horas de internação.
No tromboembolismo pulmonar, há obstrução vascular pulmonar por trombo, geralmente originado de veias profundas dos membros inferiores.
Na broncoaspiração, conteúdo gástrico ou orofaríngeo atinge a árvore respiratória. Pode causar pneumonite química inicialmente e pneumonia aspirativa quando há infecção.
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Na SDRA, uma agressão pulmonar ou sistêmica gera inflamação alveolocapilar, edema não cardiogênico e hipoxemia importante.
Atelectasia: hipoxemia precoce, taquipneia, redução de murmúrio vesicular, estertores finos, febre baixa no pós-operatório inicial.
Pneumonia hospitalar: febre, secreção purulenta, leucocitose, piora ventilatória e infiltrado novo na radiografia.
Tromboembolismo pulmonar: dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, dessaturação e, às vezes, hemoptise.
Broncoaspiração: tosse, sibilos, hipoxemia ou infiltrado em áreas dependentes após vômito, sedação, crise convulsiva ou rebaixamento.
Edema agudo de pulmão: dispneia intensa, ortopneia, crepitações difusas, expectoração rósea e sinais de congestão.
Exacerbação de DPOC no pós-operatório ou durante internação.
Derrame pleural parapneumônico.
Pneumotórax após procedimento, ventilação mecânica ou punção.
SDRA após sepse, pneumonia grave, pancreatite, politrauma ou aspiração.
Saturação persistentemente baixa apesar de oxigênio.
Rebaixamento do nível de consciência.
Hipotensão, síncope ou choque em suspeita de tromboembolismo pulmonar.
Uso de musculatura acessória, fadiga respiratória ou hipercapnia.
Infiltrado bilateral com hipoxemia importante.
Febre persistente com piora clínica apesar de antibiótico.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.