
A questão cobra o espectro de ação, a farmacocinética e a toxicidade da ivermectina. O espectro listado na assertiva I está correto, e a neurotoxicidade em doses elevadas (III) também. A assertiva II falha porque o fármaco é metabolizado no fígado e eliminado pelas fezes, sem excreção renal relevante. Logo, apenas I e III estão corretas.
Ivermectina + amplo espectro (Strongyloides, Onchocerca, filárias, Ascaris, piolhos) + metabolismo hepático com excreção fecal + neurotoxicidade em superdosagem = I e III corretas, II falsa → alternativa B
A oncocercose é uma filariose causada pelo nematódeo Onchocerca volvulus e transmitida pela picada de simulídeos (borrachudos), que se reproduzem em rios de correnteza rápida. As microfilárias migram pela pele e pelos olhos, causando dermatite pruriginosa, nódulos subcutâneos com vermes adultos e lesões oculares que podem evoluir para cegueira, daí o nome 'cegueira dos rios'. No Brasil, o foco conhecido fica na área Yanomami, entre Roraima e Amazonas.
O diagnóstico clássico é a biópsia de pele superficial (skin snip), que mostra as microfilárias, complementada pelo exame oftalmológico com lâmpada de fenda e pela pesquisa dos nódulos. O tratamento de escolha é a ivermectina em dose única, repetida periodicamente (a cada 6 a 12 meses). Ela é microfilaricida e não mata o verme adulto, por isso exige doses repetidas. A doxiciclina pode ser associada para atingir a bactéria endossimbionte Wolbachia e reduzir a viabilidade dos vermes adultos.
Armadilhas de prova: a dietilcarbamazina não deve ser usada na oncocercose, porque provoca reação inflamatória intensa (reação de Mazzotti) e piora das lesões oculares. Antes de usar ivermectina em áreas endêmicas de Loa loa, é preciso avaliar a microfilaremia, já que cargas altas desse parasita aumentam o risco de encefalopatia grave. Lembre também que a ivermectina é metabolizada no fígado e eliminada pelas fezes, sem necessidade de ajuste renal.
Inclui a assertiva II, que é falsa. A ivermectina não tem excreção renal relevante e não costuma elevar ureia e creatinina por esse mecanismo.
A assertiva I traz indicações reais da ivermectina, e a III descreve sua neurotoxicidade em doses elevadas, com confusão mental e convulsões. É a combinação certa.
Exclui a assertiva I, que é verdadeira, e inclui a II, que é falsa por atribuir excreção renal a um fármaco eliminado pelas fezes.
Considera todas corretas, mas a assertiva II é falsa, o que invalida a alternativa.
Ivermectina: fígado (CYP3A4) e fezes, nunca rim. Na oncocercose ela mata a microfilária, não o adulto, e a dietilcarbamazina está proibida pelo risco de reação de Mazzotti.
Parasitoses intestinais são infecções por protozoários ou helmintos que aparecem em prova como diarreia, dor abdominal, anemia, prurido anal, eosinofilia ou achado em exame parasitológico de fezes. Para prova, o mais importante é separar protozoose de helmintíase: protozoários costumam dar diarreia sem eosinofilia; helmintos costumam dar eosinofilia, anemia ou sintomas obstrutivos.
A banca costuma cobrar cinco cenários clássicos:
Criança com dor abdominal, distensão, desnutrição ou eliminação de verme nas fezes: pense em ascaridíase.
Criança com prurido anal noturno: pense em enterobíase.
Paciente com diarreia gordurosa, fétida, flatulência e má absorção: pense em giardíase.
Paciente com diarreia sanguinolenta, dor abdominal e risco de abscesso hepático: pense em amebíase.
Paciente com anemia ferropriva, geofagia ou contato com solo: pense em ancilostomíase.
O dado que mata a questão:
Pista | Diagnóstico provável |
|---|---|
Prurido anal noturno | Enterobius vermicularis |
Diarreia gordurosa e fétida | Giardia duodenalis |
Disenteria e abscesso hepático | Entamoeba histolytica |
Anemia ferropriva | Ancilostomíase |
Síndrome de Löeffler | Ascaris, ancilostomídeos ou Strongyloides |
296 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Imunossupressão com sepse por Gram-negativo | Hiperinfecção por Strongyloides stercoralis |
Protozoários intestinais aderem à mucosa ou invadem tecido. Por isso, a prova separa:
Giardia: adere ao duodeno e jejuno, causa má absorção, esteatorreia e perda ponderal.
Entamoeba histolytica: invade mucosa colônica, causa úlcera, disenteria e pode ir ao fígado pela circulação porta.
Cryptosporidium: causa diarreia aquosa, especialmente grave em imunossuprimidos.
Helmintos têm ciclos com ovos, larvas e vermes adultos. A pegadinha é lembrar que eosinofilia aparece mais quando há migração tecidual ou invasão, não em todo parasita intestinal.
Ascaris pode migrar pelo pulmão, causando tosse, infiltrado pulmonar migratório e eosinofilia.
Ancilostomídeos penetram pela pele, migram para o pulmão e depois intestino, onde sugam sangue.
Strongyloides pode fazer autoinfecção, por isso é perigoso em uso de corticoide, transplante, HTLV-1 e imunossupressão.
Giardíase: diarreia crônica ou recorrente, fezes gordurosas, distensão, flatulência, perda de peso, má absorção.
Amebíase intestinal: colite, dor abdominal, tenesmo, diarreia com sangue ou muco.
Ascaridíase: dor abdominal, desnutrição, eliminação de vermes, obstrução intestinal em carga parasitária alta.
Enterobíase: prurido perianal noturno, irritabilidade, vulvovaginite em meninas.
Ancilostomíase: anemia ferropriva, palidez, fadiga, geofagia, eosinofilia.
Estrongiloidíase: dor abdominal, diarreia, urticária, larva currens, eosinofilia, risco de hiperinfecção.
Tricuríase: diarreia crônica, dor abdominal, anemia, prolapso retal em infecção intensa.
Teníase: eliminação de proglotes, desconforto abdominal, geralmente pouco sintomática.
Himenolepíase: comum em crianças, dor abdominal e diarreia leve.
Criptosporidiose: diarreia aquosa autolimitada em imunocompetente; grave, crônica e volumosa em HIV avançado.
Diarreia com sangue e toxemia.
Desidratação moderada ou grave.
Anemia importante.
Obstrução intestinal.
Icterícia ou dor em hipocôndrio direito em paciente com ascaridíase, sugerindo migração biliar.
Uso de corticoide ou imunossupressão com suspeita de Strongyloides.
Abscesso hepático em paciente com história de disenteria ou exposição epidemiológica.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.