
A questão cobra a chamada quimioprofilaxia primária, isto é, a prevenção da infecção tuberculosa no recém-nascido que convive com um caso bacilífero. O RN não recebe BCG ao nascer: usa isoniazida por 3 meses e depois faz a prova tuberculínica (PPD). Se o PPD for negativo, não houve infecção, então suspende-se a isoniazida e aplica-se a BCG, o que corresponde à alternativa C.
Recém-nascido + coabitante bacilífero = quimioprofilaxia primária sem BCG ao nascer → isoniazida 3 meses → PPD: se menor que 5 mm, suspende e vacina BCG; se maior ou igual a 5 mm, completa o tratamento da infecção latente
A quimioprofilaxia na tuberculose pode ser primária ou secundária. A primária previne a infecção em quem ainda não foi infectado, e o exemplo clássico é o recém-nascido que mora com um adulto bacilífero (TB pulmonar ou laríngea). A secundária corresponde ao tratamento da infecção latente (ILTB) em quem já está infectado, identificado pela prova tuberculínica ou por IGRA.
No recém-nascido coabitante de caso bacilífero, o Ministério da Saúde orienta não aplicar a BCG ao nascer e iniciar isoniazida. Após 3 meses, realiza-se a prova tuberculínica. Se o resultado for menor que 5 mm, o RN não se infectou: suspende-se a isoniazida e vacina-se com BCG. Se for maior ou igual a 5 mm, houve infecção latente: afasta-se doença ativa e mantém-se a isoniazida até completar o esquema (6 meses no total).
A armadilha mais comum é inverter a leitura do PPD. PPD positivo nunca é motivo para suspender e vacinar, porque indica infecção e exige completar o tratamento. Outro erro é condicionar o início da profilaxia ao PPD: no recém-nascido ela começa logo após a exposição, pois o teste inicial seria pouco informativo.
Inverte a conduta. PPD positivo após 3 meses indica infecção latente, então não se suspende a isoniazida nem se vacina: completa-se o esquema após afastar doença ativa.
Isoniazida associada à rifampicina por seis meses não é esquema de quimioprofilaxia do recém-nascido. A associação das duas drogas já se aproxima do tratamento de doença, e o esquema combinado reconhecido para infecção latente dura 3 meses.
Descreve a conduta preconizada: isoniazida por 3 meses seguida de PPD. Se negativo, o RN não se infectou: suspende-se a droga e aplica-se a BCG.
A profilaxia do RN exposto não depende de um PPD prévio. Ela é iniciada logo após a exposição, e o PPD só é feito após 3 meses de isoniazida.
A profilaxia primária é feita em todo RN coabitante de bacilífero, sem PPD prévio. O PPD positivo apenas define que o esquema será completado como tratamento da infecção latente.
RN com contato bacilífero: não faz BCG ao nascer, faz isoniazida 3 meses e depois PPD. PPD negativo significa suspender e vacinar; PPD positivo significa completar o tratamento.
Tuberculose é uma infecção crônica por Mycobacterium tuberculosis, geralmente pulmonar, que deve ser lembrada em tosse prolongada, sintomas constitucionais e imagem sugestiva. Para prova, o que separa tuberculose dos vizinhos é a combinação de tosse por 3 semanas ou mais, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e acometimento de ápices pulmonares.
A banca costuma cobrar o paciente com tosse crônica, escarro, febre baixa no fim do dia, sudorese noturna e perda ponderal. O dado que mata a questão é tosse por 3 semanas ou mais associada a sintomas constitucionais.
Achados clássicos:
Radiografia de tórax: infiltrado em ápice, cavitação ou padrão fibroexsudativo.
Escarro: baciloscopia positiva para BAAR.
Teste rápido molecular: detecta M. tuberculosis e resistência à rifampicina.
Cultura: mais sensível e permite teste de sensibilidade, mas demora mais.
Palavras que entregam o diagnóstico: tosse há mais de 3 semanas, febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento, cavitação apical, BAAR, contato domiciliar, população privada de liberdade, HIV, situação de rua.
A transmissão é aérea, por aerossóis eliminados por pessoa com tuberculose pulmonar ou laríngea bacilífera. O bacilo chega aos alvéolos e pode ser contido pela imunidade celular, formando granulomas.
O ponto-chave para prova é:
Imunidade preservada: pode haver infecção latente.
Queda da imunidade celular: maior risco de reativação e doença disseminada.
Lesão cavitária: alta carga bacilar e maior transmissão.
HIV: aumenta risco de formas extrapulmonares, disseminadas e apresentações radiológicas atípicas.
Não precisa decorar a imunologia fina. Para prova, basta lembrar que tuberculose é doença de transmissão aérea, crônica, granulomatosa e muito associada a vulnerabilidade social e imunossupressão.
689 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Tosse por 3 semanas ou mais.
Febre vespertina.
Sudorese noturna.
Emagrecimento.
Astenia.
Escarro, com ou sem hemoptise.
Dor torácica pleurítica quando há acometimento pleural.
Radiografia com infiltrado ou cavitação em lobos superiores.
Tuberculose pleural: dor torácica, dispneia, derrame pleural unilateral, líquido exsudativo linfocitário, ADA elevado.
Tuberculose ganglionar: linfonodomegalia cervical crônica, indolor, podendo fistulizar.
Tuberculose miliar: febre, emagrecimento, hepatoesplenomegalia, micronódulos difusos na imagem.
Tuberculose meníngea: febre, cefaleia, confusão, sinais meníngeos, evolução subaguda.
Tuberculose óssea: dor crônica, especialmente mal de Pott na coluna.
Tuberculose em HIV: pode ter radiografia normal, padrão atípico, adenomegalias ou doença disseminada.
Sinais neurológicos ou suspeita de meningite tuberculosa.
Hemoptise volumosa.
Insuficiência respiratória.
Tuberculose miliar.
Imunossupressão importante.
HIV com sintomas sistêmicos.
Suspeita de resistência à rifampicina ou abandono prévio.
Criança pequena com suspeita de doença ativa.
Gestante com sintomas respiratórios persistentes.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.