
A questão pede a alternativa falsa sobre a síndrome de dor complexa regional tipo 1. A literatura clássica cita diabetes, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo e dislipidemia tipo IV como condições que predispõem ao quadro, nunca como protetoras. Por isso a alternativa C, que inverte essa relação, é a exceção.
SDRC tipo 1 + DM, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo e dislipidemia tipo IV descritos como predisponentes (nenhum protetor) = alternativa C é a exceção
Alodínia é a dor provocada por um estímulo que normalmente não causa dor, como o toque leve de um algodão, o contato da roupa ou uma brisa fria. Ela difere da hiperalgesia, que é a resposta dolorosa exagerada a um estímulo que já seria doloroso, como uma picada de agulha. As duas refletem sensibilização do sistema nervoso (periférica e central) e são marcas da dor neuropática, ao lado da queimação e das disestesias.
No exame físico, a alodínia é pesquisada comparando o lado afetado com o contralateral: pincel ou algodão deslizado sobre a pele (alodínia mecânica dinâmica), pressão digital leve (alodínia mecânica estática) e objetos frios ou mornos (alodínia térmica). O achado ajuda a caracterizar a dor como neuropática e a delimitar a área acometida, o que orienta tratamento e seguimento.
Na síndrome de dor complexa regional, a alodínia faz parte da categoria sensitiva dos critérios de Budapeste, junto com a hiperalgesia. As outras categorias são vasomotora (temperatura e cor), sudomotora/edema e motora/trófica. A armadilha de prova é confundir alodínia com hiperalgesia ou achar que alodínia, isoladamente, fecha o diagnóstico de SDRC: ela é um sinal, não uma doença.
Afirmação considerada verdadeira pela banca: o diabetes melito é citado na literatura clássica como condição associada à SDRC tipo 1. Estudos recentes mostram evidência inconsistente, mas a alternativa não é a exceção.
Afirmação considerada verdadeira: o hipertireoidismo aparece em textos clássicos entre as condições que predispõem à SDRC tipo 1. Não é a resposta da questão.
É a exceção pedida. Hiperparatireoidismo e dislipidemia tipo IV são descritos na literatura clássica como condições predisponentes, e não há doença sistêmica reconhecida como protetora contra a SDRC.
Afirmação verdadeira: a SDRC é frequentemente subdiagnosticada, sobretudo nas formas leves ou iniciais, e o uso dos critérios de Budapeste busca padronizar e melhorar esse reconhecimento.
Em questões de EXCETO sobre SDRC, desconfie de qualquer alternativa que transforme uma doença sistêmica em fator protetor. Alodínia é dor com estímulo que não deveria doer; hiperalgesia é dor exagerada com estímulo que já dói.
Neuropatia periférica é lesão de nervos periféricos, geralmente manifestada por sintomas sensitivos, motores ou autonômicos em padrão compatível com o tipo de fibra e a distribuição acometida.
Para prova, o mais importante é separar:
Polineuropatia distal simétrica: padrão “bota e luva”, geralmente metabólico ou tóxico, com diabetes como causa clássica.
Mononeuropatia: lesão de um nervo específico, como túnel do carpo.
Mononeuropatia múltipla: acometimento assimétrico de nervos diferentes, típico de vasculite, hanseníase e diabetes.
Polirradiculoneuropatia aguda: fraqueza ascendente com arreflexia, pensar em Guillain-Barré.
O dado que mata a questão é o padrão de distribuição.
A banca costuma cobrar neuropatia periférica de 4 jeitos:
Paciente diabético com parestesias em pés, dor em queimação, perda de sensibilidade vibratória e reflexo aquileu reduzido.
Palavra que entrega: “bota e luva”.
Diagnóstico provável: polineuropatia diabética distal simétrica.
Fraqueza ascendente após infecção, arreflexia e líquor com proteína alta e poucas células.
Palavra que entrega: “dissociação albuminocitológica”.
Diagnóstico provável: síndrome de Guillain-Barré.
Dor e parestesia nos 3 primeiros dedos da mão, pior à noite, associada a hipotrofia tenar.
Palavra que entrega: “nervo mediano”.
Diagnóstico provável: síndrome do túnel do carpo.
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Neuropatia dolorosa, assimétrica, com acometimento de nervos separados.
Palavra que entrega: “mononeurite múltipla”.
Diagnóstico provável: vasculite, hanseníase ou diabetes.
Regra prática: neuropatia periférica em prova é menos “qual nervo?” e mais “qual padrão?”.
O nervo periférico pode sofrer lesão principalmente por:
Degeneração axonal: perda do axônio, comum em diabetes, álcool, deficiência de vitamina B12, uremia, quimioterapia e vasculites. Costuma ser comprimento-dependente, começando nos pés.
Desmielinização: lesão da mielina, com lentificação da condução nervosa. Clássica em Guillain-Barré e polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica.
Isquemia do nervo: vasculites e mononeurite múltipla.
Compressão focal: túnel do carpo, compressão do nervo ulnar, fibular comum.
Para prova, axonal costuma dar sintomas distais e simétricos; desmielinizante costuma dar fraqueza mais importante, arreflexia e alteração de condução.
Parestesias, dormência, queimação ou dor em pés.
Padrão distal, simétrico e progressivo.
Perda de sensibilidade vibratória e proprioceptiva.
Redução ou abolição de reflexos, especialmente aquileu.
Fraqueza distal em casos mais avançados.
Marcha insegura, pior no escuro, quando há perda proprioceptiva.
Úlceras plantares e pé diabético em neuropatia diabética.
Na polineuropatia diabética, a apresentação clássica é “bota e luva”: começa nos pés, sobe gradualmente e só depois acomete mãos.
Sintomas autonômicos:
Hipotensão ortostática.
Gastroparesia.
Diarreia ou constipação.
Disfunção erétil.
Bexiga neurogênica.
Alteração de sudorese.
Neuropatia de fibras finas:
Dor em queimação.
Alodinia.
Sensibilidade térmica e dolorosa alteradas.
Força e reflexos podem estar preservados no início.
Eletroneuromiografia pode ser normal.
Neuropatia de fibras grossas:
Perda de vibração e propriocepção.
Ataxia sensitiva.
Romberg positivo.
Reflexos reduzidos.
Red flags sugerem causa inflamatória, infecciosa, neoplásica ou compressiva grave:
Início agudo ou subagudo.
Fraqueza progressiva importante.
Assimetria marcante.
Predomínio motor.
Sintomas autonômicos graves.
Acometimento de nervos cranianos.
Dor intensa desproporcional.
Perda ponderal, febre, sudorese noturna.
Déficit sensitivo com nível medular.
Disfunção esfincteriana associada a sinal de neurônio motor superior.
Arreflexia com fraqueza ascendente.
Insuficiência respiratória ou disfagia.
Pegadinha: neuropatia periférica não dá sinal piramidal. Se há Babinski, hiperreflexia ou nível sensitivo, pense em medula ou sistema nervoso central.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.