
A questão cobra o reconhecimento dos sinais de alarme (red flags) que sugerem cefaleia secundária e indicam investigação complementar. Para acertar, basta escolher a alternativa em que os dois itens são sinais de alarme. Fotofobia e pródromos aparecem com frequência na enxaqueca, que é primária, e por isso derrubam A, C e D.
Cefaleia nova após os 50 anos + imunossupressão (HIV ou corticoide) = sinais de alarme para cefaleia secundária → investigar (neuroimagem e exames conforme a suspeita)
Os sinais de alarme cefaleia (red flags) são achados da história e do exame que aumentam a probabilidade de uma causa secundária, como hemorragia subaracnóidea, meningite, tumor, abscesso, arterite de células gigantes ou trombose venosa cerebral. A cefaleia secundária é a que decorre de outra doença, ao contrário das cefaleias primárias (enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas). Na atenção primária, reconhecer esses sinais define quem precisa de investigação e encaminhamento.
A lista mais usada é o mnemônico SNOOP, ampliado para SNNOOP10. Os principais itens são: sintomas sistêmicos (febre, perda de peso, exantema), neoplasia prévia, déficit neurológico focal ou alteração de consciência, início súbito (cefaleia em trovoada), início após os 50 anos, mudança de padrão ou cefaleia nova e progressiva. Também entram piora com Valsalva, desencadeamento por mudança de postura, papiledema, gestação ou puerpério, dor ocular com sinais autonômicos, cefaleia pós-traumática, imunossupressão (HIV, uso de corticoides ou imunossupressores) e uso excessivo de analgésicos. A rigidez de nuca (meningismo) também é sinal de alarme.
A principal armadilha é confundir sintomas comuns da enxaqueca com sinais de alarme. Fotofobia, fonofobia, náuseas, pródromos e aura típica fazem parte do quadro migranoso e, isolados, não indicam causa secundária. Ausência de sinais de alarme com quadro típico de cefaleia primária dispensa neuroimagem de rotina.
A rigidez de nuca é sinal de alarme, pois sugere meningite ou hemorragia subaracnóidea. A fotofobia, porém, é sintoma frequente da enxaqueca e não indica causa secundária isoladamente.
Os dois itens são sinais de alarme clássicos. Cefaleia nova após os 50 anos levanta suspeita de arterite de células gigantes e neoplasia. Imunossupressão aumenta o risco de infecções oportunistas do sistema nervoso central, como neurotoxoplasmose, criptococose e linfoma primário.
Exantema pode integrar os sinais sistêmicos de alarme, como as petéquias da meningococcemia. Pródromos, por outro lado, são característicos da enxaqueca, uma cefaleia primária.
Imunossupressão é sinal de alarme, mas a fotofobia não é. Basta um item que não seja sinal de alarme para a alternativa não responder à pergunta.
Fotofobia, fonofobia, náuseas, pródromos e aura típica apontam para enxaqueca, não para cefaleia secundária. Procure idade acima de 50 anos, imunossupressão, febre, déficit focal, início em trovoada, meningismo e mudança de padrão.
Cefaleia em prova é menos sobre decorar todos os tipos e mais sobre separar três grupos: cefaleia primária típica, cefaleia secundária grave e cefaleia que exige neuroimagem ou punção lombar.
Para prova, o mais importante é reconhecer migrânea, cefaleia tensional e cefaleia em salvas, além das red flags que apontam para hemorragia subaracnoidea, meningite, hipertensão intracraniana, arterite de células gigantes e trombose venosa cerebral.
A banca costuma cobrar um paciente com dor de cabeça e pedir o diagnóstico ou a próxima conduta.
O padrão clássico é:
Mulher jovem, crises recorrentes, dor unilateral pulsátil, náuseas, fotofobia e piora com esforço: pensar em migrânea.
Dor bilateral em aperto, leve a moderada, sem náuseas e sem piora com esforço: pensar em cefaleia tensional.
Homem jovem ou meia-idade, dor orbitária unilateral, muito intensa, com lacrimejamento, hiperemia conjuntival, rinorreia e inquietação: pensar em cefaleia em salvas.
Cefaleia súbita, explosiva, “pior da vida”: pensar em hemorragia subaracnoidea até prova em contrário.
Cefaleia com febre, rigidez de nuca e alteração do sensório: pensar em meningite.
Idoso com cefaleia nova, claudicação mandibular e alteração visual: pensar em arterite de células gigantes.
A palavra que entrega a questão costuma ser “súbita”, “explosiva”, “pior cefaleia da vida”, “lacrimejamento unilateral”, “aura”, “fotofobia” ou “claudicação mandibular”.
Cefaleias primárias não têm lesão estrutural detectável como causa principal. A dor vem de ativação de vias trigeminovasculares, sensibilização central e disfunção de modulação da dor.
Na migrânea, a chave é a ativação trigeminovascular com liberação de neuropeptídeos, especialmente CGRP. Isso explica dor pulsátil, náuseas, foto-fonofobia e resposta a triptanos e anti-CGRP.
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Na cefaleia tensional, predomina dor por tensão muscular pericraniana e sensibilização da dor. Não deve ter vômitos, aura ou déficit neurológico.
Na cefaleia em salvas, há ativação trigêmino-autonômica. Por isso, a dor é unilateral e vem com sinais autonômicos ipsilaterais: lacrimejamento, hiperemia conjuntival, congestão nasal, rinorreia, ptose ou miose.
Nas cefaleias secundárias, o raciocínio é procurar sinal de alarme: sangue, infecção, tumor, hipertensão intracraniana, vasculite, trombose, glaucoma agudo ou crise hipertensiva com lesão de órgão-alvo.
Migrânea:
Crises recorrentes de 4 a 72 horas.
Dor unilateral, pulsátil, moderada a intensa.
Piora com atividade física.
Náuseas e/ou vômitos.
Fotofobia e fonofobia.
Pode ter aura visual, sensitiva ou de linguagem, geralmente reversível.
Cefaleia tensional:
Dor bilateral.
Sensação de aperto ou pressão.
Intensidade leve a moderada.
Não piora com atividade física habitual.
Sem náuseas ou vômitos.
Pode ter fotofobia ou fonofobia, mas não as duas juntas.
Cefaleia em salvas:
Dor orbitária, supraorbitária ou temporal unilateral.
Muito intensa.
Duração de 15 a 180 minutos.
Frequência de 1 crise em dias alternados até 8 crises por dia.
Sinais autonômicos ipsilaterais: lacrimejamento, hiperemia conjuntival, rinorreia, congestão nasal, sudorese facial, miose, ptose.
Paciente fica inquieto, diferente da migrânea, em que prefere repouso.
Cefaleia por uso excessivo de analgésicos:
Cefaleia crônica em paciente que usa analgésico com muita frequência.
Regra prática: dor em mais de 15 dias por mês e uso excessivo de medicação sintomática por mais de 3 meses.
Corte clássico: triptanos, opioides ou analgésicos combinados em 10 ou mais dias por mês; analgésicos simples em 15 ou mais dias por mês.
Hipertensão intracraniana idiopática:
Mulher jovem, obesidade, cefaleia, papiledema e obscurecimentos visuais transitórios.
Pode ter diplopia por paralisia do VI par.
Líquor com pressão de abertura elevada e composição normal.
Neuroimagem sem massa antes da punção.
Arterite de células gigantes:
Idade maior que 50 anos.
Cefaleia nova.
Dor ou espessamento de artéria temporal.
Claudicação mandibular.
Sintomas visuais.
VHS e PCR elevados.
A conduta não espera biópsia se houver suspeita forte.
Use o mnemônico SNNOOP10, mas para prova grave o essencial é:
Início súbito ou em trovão.
Pior cefaleia da vida.
Cefaleia nova após 50 anos.
Déficit neurológico focal.
Febre, rigidez de nuca ou imunossupressão.
Papiledema.
Alteração do nível de consciência.
Cefaleia progressiva ou mudança de padrão.
Cefaleia desencadeada por esforço, sexo ou Valsalva.
Gestação ou puerpério.
História de câncer.
Trauma.
Uso de anticoagulante.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.