
A questão cobra a estrutura classicamente associada ao sinal de Romberg. O teste mostra se o paciente depende da visão para manter o equilíbrio, o que acontece quando falta informação proprioceptiva, conduzida pelas colunas dorsais (funículo posterior) da medula. Por isso a resposta é a alternativa D.
Estável de olhos abertos + oscila ou cai ao fechar os olhos = Romberg positivo por ataxia sensitiva → pensar em lesão das colunas dorsais
O sinal de Romberg é pesquisado com o paciente em pé, pés juntos e braços ao longo do corpo, primeiro de olhos abertos e depois de olhos fechados, por alguns segundos. O sinal é positivo quando o paciente fica estável de olhos abertos, mas oscila de forma importante ou cai ao fechar os olhos. Isso mostra que a visão compensava um déficit de propriocepção.
O achado clássico é a ataxia sensitiva por lesão das colunas dorsais, como na tabes dorsalis (neurossífilis) e na degeneração combinada subaguda por deficiência de vitamina B12. Também aparece nas neuropatias periféricas de fibras grossas. Disfunções vestibulares podem positivar o teste, em geral com tendência de queda para o lado da lesão.
A principal armadilha é confundir com ataxia cerebelar. O paciente cerebelar já é instável de olhos abertos, e fechar os olhos piora pouco o equilíbrio. Por isso o Romberg não é um teste de função cerebelar. Uma oscilação leve de olhos fechados é normal e não deve ser interpretada como sinal positivo.
O nervo vestibulococlear participa do equilíbrio, e lesões vestibulares podem até alterar o teste. Porém, a estrutura classicamente associada ao sinal de Romberg é a via proprioceptiva das colunas dorsais.
O trato espinotalâmico conduz dor, temperatura e tato grosseiro. Sua lesão não compromete a propriocepção e não explica o sinal.
A ponta anterior da medula contém o neurônio motor inferior. Sua lesão causa fraqueza, atrofia e fasciculações, e não ataxia sensitiva.
As colunas dorsais (funículo posterior) conduzem a propriocepção consciente e a sensibilidade vibratória. A perda dessa informação torna o equilíbrio dependente da visão, e é exatamente isso que o Romberg revela.
Romberg positivo significa ataxia sensitiva (colunas dorsais, neuropatia de fibras grossas) ou vestibular, nunca cerebelar. O cerebelar já cai de olhos abertos.
Semiologia neurológica é a arte de transformar sintomas e sinais em localização anatômica da lesão antes de pensar em etiologia.
Para prova, o mais importante é seguir esta ordem: nível de consciência, sinais meníngeos, nervos cranianos, força, reflexos, sensibilidade, coordenação, marcha e linguagem. O dado que mata a questão quase sempre é a topografia: córtex, tronco encefálico, medula, raiz, plexo, nervo periférico, junção neuromuscular ou músculo.
A banca costuma cobrar semiologia neurológica em vinhetas com déficit focal, alteração de consciência, síndrome medular, síndrome cerebelar, síndrome piramidal, neuropatia periférica ou lesão de nervo craniano.
Padrões clássicos:
Hemiparesia com hiperreflexia, Babinski e espasticidade: lesão de neurônio motor superior.
Fraqueza com hiporreflexia, atrofia e fasciculações: lesão de neurônio motor inferior.
Afasia: lesão hemisférica dominante, geralmente esquerdo.
Negligência: lesão parietal não dominante, geralmente direito.
Ataxia, dismetria e disdiadococinesia: cerebelo.
Paralisia de nervo craniano com déficit motor ou sensitivo contralateral: tronco encefálico.
Nível sensitivo: medula.
Perda sensitiva em luva e bota: polineuropatia periférica.
Ptose e diplopia flutuantes, pior ao esforço: junção neuromuscular.
Palavras que entregam o diagnóstico topográfico: Babinski, nível sensitivo, afasia, negligência, ataxia, dismetria, fasciculações, hiperreflexia, hiporreflexia, sinal de Romberg, rigidez de nuca.
O exame neurológico procura responder duas perguntas:
Onde está a lesão?
Qual é a provável causa?
Para prova
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Regra prática:
Lesão cortical: altera função superior, como linguagem, campo visual, negligência, crise epiléptica ou déficit motor proporcional a área cortical.
Lesão subcortical ou cápsula interna: déficit motor ou sensitivo puro, geralmente denso e contralateral.
Lesão de tronco: nervo craniano ipsilateral com trato longo contralateral.
Lesão medular: nível sensitivo, sinais piramidais abaixo da lesão e possível disfunção esfincteriana.
Lesão radicular: dor em trajeto de dermátomo, fraqueza em miótomo e reflexo específico reduzido.
Lesão de nervo periférico: déficit no território de um nervo.
Lesão de junção neuromuscular: fraqueza flutuante, sem alteração sensitiva.
Lesão muscular: fraqueza proximal, reflexos preservados até fases tardias e sem alteração sensitiva.
Síndrome piramidal:
Fraqueza.
Espasticidade.
Hiperreflexia.
Clônus.
Sinal de Babinski.
Perda de movimentos finos.
Síndrome de neurônio motor inferior:
Fraqueza.
Hipotonia.
Hiporreflexia ou arreflexia.
Atrofia.
Fasciculações.
Síndrome cerebelar:
Ataxia.
Dismetria.
Disdiadococinesia.
Tremor de intenção.
Marcha ebriosa.
Nistagmo.
Fala escandida.
Síndrome meníngea:
Cefaleia.
Febre.
Rigidez de nuca.
Fotofobia.
Náuseas e vômitos.
Sinais de Kernig e Brudzinski podem aparecer, mas têm baixa sensibilidade.
Síndrome medular:
Fraqueza abaixo da lesão.
Alteração sensitiva com nível.
Hiperreflexia abaixo da lesão, após fase inicial de choque medular.
Alteração esfincteriana.
Dor cervical ou lombar pode ser pista.
Alteração de nervos cranianos:
III par: ptose, diplopia, olho desviado para baixo e para fora. Midríase sugere compressão.
IV par: diplopia vertical, pior ao descer escadas.
VI par: incapacidade de abduzir o olho.
VII par periférico: acomete fronte, olho e boca do mesmo lado.
VII par central: poupa a fronte.
IX e X pares: disfagia, disfonia, desvio da úvula para o lado normal.
XII par: língua desvia para o lado da lesão periférica.
Distúrbios de linguagem:
Afasia de Broca: fala não fluente, compreensão relativamente preservada.
Afasia de Wernicke: fala fluente, compreensão ruim.
Afasia global: fala e compreensão ruins.
Disartria: problema de articulação, sem perda da linguagem.
Sensibilidade:
Dor e temperatura: trato espinotalâmico.
Vibração e propriocepção: cordões posteriores.
Perda em hemicorpo: lesão central.
Perda em dermátomo: raiz.
Perda em território de nervo: mononeuropatia.
Perda em luva e bota: polineuropatia.
Achados que exigem conduta urgente:
Déficit neurológico focal súbito.
Rebaixamento do nível de consciência.
Cefaleia súbita e explosiva.
Febre com rigidez de nuca.
Crise convulsiva de início novo ou estado de mal epiléptico.
Papiledema.
Anisocoria aguda.
Paraparesia ou tetraparesia aguda.
Nível sensitivo com retenção urinária.
Lombalgia ou cervicalgia com déficit neurológico progressivo.
Síndrome da cauda equina: anestesia em sela, retenção urinária, incontinência e déficit motor.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.