
A questão cobra as regras de aplicação dos itens da escala NIHSS em situações especiais. O item de ataxia de membros é testado pelas manobras index-nariz e calcanhar-joelho (ou calcanhar-canela), o que torna a alternativa A correta. As demais trazem erros sobre intubação, amputação, negligência e indicação da escala.
Ataxia de membros na NIHSS + manobras index-nariz e calcanhar-joelho = alternativa A correta
A escala NIHSS (National Institutes of Health Stroke Scale) quantifica o déficit neurológico no AVC isquêmico. Ela tem 11 grupos de itens: nível de consciência, olhar conjugado, campos visuais, paralisia facial, força dos membros superiores e inferiores, ataxia de membros, sensibilidade, linguagem, disartria e extinção/desatenção. A pontuação total vai de 0 a 42, e valores maiores indicam AVC mais grave.
Na prática, a escala serve para estimar gravidade e prognóstico, apoiar a decisão de trombólise e trombectomia e acompanhar a evolução do paciente. A ataxia de membros é pesquisada pelas provas index-nariz e calcanhar-joelho e pontua 0 (ausente), 1 (em um membro) ou 2 (em dois membros). Ela só pontua se for desproporcional à fraqueza: o membro plégico recebe 0 nesse item.
As armadilhas estão nas situações especiais. Em amputação ou fusão articular, o item motor é registrado como não testável (UN), e não com pontuação máxima. No paciente intubado, a disartria também é registrada como não testável, e a linguagem deve ser avaliada pela escrita. A regra geral é pontuar o que se observa, sem presumir déficit.
O item de ataxia de membros é testado pelas manobras index-nariz e calcanhar-joelho, bilateralmente. Pontua 1 se houver ataxia em um membro e 2 se houver em dois membros.
Barreira mecânica à fala não gera pontuação máxima. A disartria é registrada como não testável (UN), e a linguagem deve ser avaliada pedindo ao paciente que escreva.
Em amputação ou fusão articular, o item motor daquele membro é registrado como não testável (UN), com justificativa anotada. Não se atribui pontuação máxima.
A negligência só é pontuada quando há evidência observável dela durante o exame. Não se presume heminegligência só porque o paciente não colabora.
A NIHSS foi desenvolvida e validada principalmente para o AVC isquêmico. É nele que orienta decisões como trombólise e trombectomia, embora também possa ser aplicada no AVC hemorrágico.
Na NIHSS, o que não pode ser testado por causa mecânica (amputação, intubação) vira UN, nunca pontuação máxima. Ataxia só pontua se for desproporcional à fraqueza.
AVC é déficit neurológico súbito por causa vascular, isquêmica ou hemorrágica. Para prova, o ponto central é reconhecer déficit focal de início abrupto, diferenciar isquemia de hemorragia com neuroimagem e saber a janela de reperfusão.
A banca costuma cobrar paciente com início súbito de hemiparesia, afasia, desvio de rima, hemianopsia, disartria, ataxia ou rebaixamento do nível de consciência.
O dado que mata a questão é o tempo de início dos sintomas, porque ele define trombólise, trombectomia e conduta inicial.
Padrão clássico:
Déficit focal súbito: pensar em AVC até prova em contrário.
Tomografia de crânio sem contraste: primeiro exame para excluir hemorragia.
AVC isquêmico com janela até 4,5 horas: avaliar trombólise intravenosa.
Suspeita de oclusão de grande vaso: avaliar trombectomia mecânica.
Hipoglicemia pode simular AVC: glicemia capilar é obrigatória na chegada.
No AVC isquêmico, há obstrução arterial com área central de infarto e zona de penumbra, que ainda pode ser salva se houver reperfusão rápida. Por isso, tempo é cérebro.
No AVC hemorrágico, há ruptura vascular com sangramento intraparenquimatoso ou subaracnoideo, efeito de massa, hipertensão intracraniana e risco de deterioração neurológica. Aqui, trombólise é contraindicada.
Para prova, não precisa decorar cascata molecular. Precisa entender que AVC isquêmico pede reperfusão quando elegível, enquanto AVC hemorrágico pede controle pressórico, reversão de anticoagulação quando houver e avaliação neurocirúrgica conforme o caso.
Hemiparesia ou hemiplegia súbita.
Afasia, especialmente em lesão de hemisfério dominante.
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Hemianopsia homônima.
Disartria.
Assimetria facial central.
Déficit sensitivo unilateral.
Início abrupto, geralmente em minutos.
Síndromes vasculares muito cobradas:
Artéria cerebral média: hemiparesia e hipoestesia contralateral predominando em face e braço, afasia se hemisfério dominante, negligência se hemisfério não dominante.
Artéria cerebral anterior: fraqueza contralateral predominando em membro inferior, alteração comportamental, abulia.
Artéria cerebral posterior: hemianopsia homônima contralateral, alterações visuais.
Circulação posterior: vertigem, diplopia, disartria, disfagia, ataxia, nistagmo, rebaixamento de consciência.
Ataque isquêmico transitório: déficit neurológico focal transitório, sem infarto agudo em imagem. A pegadinha é achar que melhorou e pode mandar embora sem investigação. Não pode.
AVC lacunar: síndrome motora pura, sensitiva pura ou sensitivo-motora, geralmente por doença de pequenos vasos associada a hipertensão e diabetes.
AVC cardioembólico: início súbito, déficit cortical, múltiplos territórios, fibrilação atrial.
Dissecção arterial: paciente jovem, dor cervical ou cefaleia, síndrome de Horner, AVC após trauma cervical ou manipulação.
Rebaixamento de consciência.
Cefaleia súbita e intensa.
Vômitos em jato.
Crise convulsiva no início.
Sinais de hipertensão intracraniana.
Uso de anticoagulante.
Suspeita de hemorragia subaracnoidea.
Déficit de circulação posterior, porque pode ser subestimado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.