
A questão cobra os sucedâneos do sinal de Babinski, isto é, manobras alternativas que evocam a mesma resposta de extensão do hálux em lesões piramidais. A compressão das massas musculares da panturrilha corresponde ao sinal de Gordon.
Sucedâneo de Babinski + compressão da panturrilha = sinal de Gordon
O sinal de Babinski é a extensão (dorsiflexão) lenta do hálux após estímulo da borda lateral da planta do pé, do calcanhar em direção aos dedos, curvando medialmente na altura das cabeças dos metatarsos. A resposta normal do reflexo cutâneo-plantar no adulto é a flexão dos dedos. A extensão indica lesão do neurônio motor superior, ou seja, comprometimento do trato corticoespinhal. A abertura dos demais dedos em leque pode acompanhar a resposta, mas não é necessária para o diagnóstico.
Os sucedâneos do sinal de Babinski produzem a mesma extensão do hálux com estímulos em outros locais. São úteis quando o paciente retira o pé ou tem hipersensibilidade plantar. Os principais são: Chaddock (estímulo da face lateral do pé, abaixo do maléolo lateral, em direção ao quinto dedo), Oppenheim (deslizar os dedos com pressão sobre a borda anterior da tíbia, de cima para baixo), sinal de Gordon (compressão das massas musculares da panturrilha) e Schaefer (compressão do tendão calcâneo).
Armadilhas frequentes: em lactentes, a extensão do hálux pode ser fisiológica, pela mielinização incompleta da via piramidal. A retirada voluntária do pé não deve ser confundida com resposta extensora verdadeira. Os sucedâneos têm o mesmo significado clínico do sinal de Babinski, não indicam topografias diferentes.
O sinal de Oppenheim é pesquisado deslizando os dedos com pressão sobre a borda anterior da tíbia, no sentido proximal para distal. Não envolve compressão da panturrilha.
O sinal de Schaefer é obtido pela compressão do tendão calcâneo (de Aquiles), e não do ventre muscular da panturrilha.
O sinal de Gordon é obtido pela compressão das massas musculares da panturrilha. É exatamente a manobra descrita no enunciado.
O sinal de Chaddock é pesquisado pelo estímulo da face lateral do pé, contornando o maléolo lateral em direção ao quinto dedo.
Memorize as manobras pela topografia, de cima para baixo: panturrilha é Gordon, tíbia é Oppenheim, tendão calcâneo é Schaefer e borda lateral do pé é Chaddock. Todas significam lesão do neurônio motor superior.
Semiologia neurológica é a arte de transformar sintomas e sinais em localização anatômica da lesão antes de pensar em etiologia.
Para prova, o mais importante é seguir esta ordem: nível de consciência, sinais meníngeos, nervos cranianos, força, reflexos, sensibilidade, coordenação, marcha e linguagem. O dado que mata a questão quase sempre é a topografia: córtex, tronco encefálico, medula, raiz, plexo, nervo periférico, junção neuromuscular ou músculo.
A banca costuma cobrar semiologia neurológica em vinhetas com déficit focal, alteração de consciência, síndrome medular, síndrome cerebelar, síndrome piramidal, neuropatia periférica ou lesão de nervo craniano.
Padrões clássicos:
Hemiparesia com hiperreflexia, Babinski e espasticidade: lesão de neurônio motor superior.
Fraqueza com hiporreflexia, atrofia e fasciculações: lesão de neurônio motor inferior.
Afasia: lesão hemisférica dominante, geralmente esquerdo.
Negligência: lesão parietal não dominante, geralmente direito.
Ataxia, dismetria e disdiadococinesia: cerebelo.
Paralisia de nervo craniano com déficit motor ou sensitivo contralateral: tronco encefálico.
Nível sensitivo: medula.
Perda sensitiva em luva e bota: polineuropatia periférica.
Ptose e diplopia flutuantes, pior ao esforço: junção neuromuscular.
Palavras que entregam o diagnóstico topográfico: Babinski, nível sensitivo, afasia, negligência, ataxia, dismetria, fasciculações, hiperreflexia, hiporreflexia, sinal de Romberg, rigidez de nuca.
O exame neurológico procura responder duas perguntas:
Onde está a lesão?
Qual é a provável causa?
Para prova
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Regra prática:
Lesão cortical: altera função superior, como linguagem, campo visual, negligência, crise epiléptica ou déficit motor proporcional a área cortical.
Lesão subcortical ou cápsula interna: déficit motor ou sensitivo puro, geralmente denso e contralateral.
Lesão de tronco: nervo craniano ipsilateral com trato longo contralateral.
Lesão medular: nível sensitivo, sinais piramidais abaixo da lesão e possível disfunção esfincteriana.
Lesão radicular: dor em trajeto de dermátomo, fraqueza em miótomo e reflexo específico reduzido.
Lesão de nervo periférico: déficit no território de um nervo.
Lesão de junção neuromuscular: fraqueza flutuante, sem alteração sensitiva.
Lesão muscular: fraqueza proximal, reflexos preservados até fases tardias e sem alteração sensitiva.
Síndrome piramidal:
Fraqueza.
Espasticidade.
Hiperreflexia.
Clônus.
Sinal de Babinski.
Perda de movimentos finos.
Síndrome de neurônio motor inferior:
Fraqueza.
Hipotonia.
Hiporreflexia ou arreflexia.
Atrofia.
Fasciculações.
Síndrome cerebelar:
Ataxia.
Dismetria.
Disdiadococinesia.
Tremor de intenção.
Marcha ebriosa.
Nistagmo.
Fala escandida.
Síndrome meníngea:
Cefaleia.
Febre.
Rigidez de nuca.
Fotofobia.
Náuseas e vômitos.
Sinais de Kernig e Brudzinski podem aparecer, mas têm baixa sensibilidade.
Síndrome medular:
Fraqueza abaixo da lesão.
Alteração sensitiva com nível.
Hiperreflexia abaixo da lesão, após fase inicial de choque medular.
Alteração esfincteriana.
Dor cervical ou lombar pode ser pista.
Alteração de nervos cranianos:
III par: ptose, diplopia, olho desviado para baixo e para fora. Midríase sugere compressão.
IV par: diplopia vertical, pior ao descer escadas.
VI par: incapacidade de abduzir o olho.
VII par periférico: acomete fronte, olho e boca do mesmo lado.
VII par central: poupa a fronte.
IX e X pares: disfagia, disfonia, desvio da úvula para o lado normal.
XII par: língua desvia para o lado da lesão periférica.
Distúrbios de linguagem:
Afasia de Broca: fala não fluente, compreensão relativamente preservada.
Afasia de Wernicke: fala fluente, compreensão ruim.
Afasia global: fala e compreensão ruins.
Disartria: problema de articulação, sem perda da linguagem.
Sensibilidade:
Dor e temperatura: trato espinotalâmico.
Vibração e propriocepção: cordões posteriores.
Perda em hemicorpo: lesão central.
Perda em dermátomo: raiz.
Perda em território de nervo: mononeuropatia.
Perda em luva e bota: polineuropatia.
Achados que exigem conduta urgente:
Déficit neurológico focal súbito.
Rebaixamento do nível de consciência.
Cefaleia súbita e explosiva.
Febre com rigidez de nuca.
Crise convulsiva de início novo ou estado de mal epiléptico.
Papiledema.
Anisocoria aguda.
Paraparesia ou tetraparesia aguda.
Nível sensitivo com retenção urinária.
Lombalgia ou cervicalgia com déficit neurológico progressivo.
Síndrome da cauda equina: anestesia em sela, retenção urinária, incontinência e déficit motor.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.