
A questão cobra os parâmetros da classificação tomográfica original de Balthazar para pancreatite aguda. Os graus A a E descrevem pâncreas normal, aumento da glândula, inflamação peripancreática e uma ou mais coleções líquidas. A porcentagem de necrose só entrou depois, no índice de gravidade tomográfico (CTSI), por isso a resposta é a alternativa A.
Aumento do pâncreas + inflamação peripancreática + coleções líquidas = classificação de Balthazar (graus A a E); somando a necrose = CTSI
A classificação de Balthazar é um escore tomográfico descrito em 1985 para estimar a gravidade da pancreatite aguda pela tomografia computadorizada com contraste. Ela tem cinco graus: A (pâncreas normal), B (aumento focal ou difuso da glândula), C (alterações pancreáticas associadas à inflamação peripancreática), D (coleção líquida única) e E (duas ou mais coleções e/ou presença de gás no pâncreas ou adjacente a ele).
Em 1990, o mesmo grupo criou o índice de gravidade tomográfico (CTSI), que soma os pontos do grau de Balthazar (A = 0, B = 1, C = 2, D = 3, E = 4) aos pontos da necrose pancreática (ausente = 0, até 30% = 2, 30 a 50% = 4, acima de 50% = 6). O total vai de 0 a 10: 0 a 3 indica doença leve, 4 a 6 moderada e 7 a 10 grave, com maior morbimortalidade nas faixas mais altas.
A armadilha clássica é confundir a classificação de Balthazar pura com o CTSI: a porcentagem de necrose não faz parte da classificação original. Lembre também que a tomografia não é necessária para diagnosticar pancreatite aguda e que a necrose costuma ficar bem definida apenas após 72 horas do início do quadro, por isso exame muito precoce pode subestimar a gravidade.
Lista exatamente os três parâmetros da classificação original: aumento da víscera (grau B), inflamação peripancreática (grau C) e coleções (graus D e E). É a resposta.
Troca as coleções pela porcentagem de necrose. A necrose só é quantificada no índice de gravidade tomográfico (CTSI), não na classificação de Balthazar.
Omite a inflamação peripancreática, que define o grau C, e inclui a necrose, que não pertence à classificação original.
Omite o aumento da glândula, que define o grau B, e inclui a porcentagem de necrose, que é componente do CTSI.
A porcentagem de necrose isolada não compõe a classificação de Balthazar. Ela é apenas uma das duas partes do CTSI, somada ao grau de Balthazar.
Balthazar = tamanho + inflamação + coleção (graus A a E); CTSI = grau de Balthazar + necrose, de 0 a 10. Se a alternativa fala em porcentagem de necrose, está falando de CTSI.
Pancreatite é inflamação do pâncreas, e para prova quase sempre significa pancreatite aguda: dor epigástrica intensa irradiada para dorso, lipase elevada e conduta inicial com hidratação, analgesia e avaliação de gravidade.
O que separa este tema dos vizinhos é a combinação: dor abdominal alta + enzima pancreática ≥ 3 vezes o limite superior + causa biliar ou alcoólica como principal etiologia.
A banca costuma cobrar o paciente com dor epigástrica súbita, forte, em faixa, irradiada para dorso, associada a náuseas e vômitos.
Perfis clássicos:
Mulher com colelitíase, dor após refeição gordurosa, icterícia ou colúria: pense em pancreatite aguda biliar.
Homem com etilismo importante: pense em pancreatite alcoólica.
Paciente com triglicerídeos muito altos: pense em pancreatite por hipertrigliceridemia.
Dor após CPRE: pancreatite pós-CPRE.
A palavra que entrega o diagnóstico é lipase ≥ 3 vezes o limite superior da normalidade. Amilase também pode subir, mas lipase é mais específica e permanece elevada por mais tempo.
A ideia útil para prova é: enzimas pancreáticas são ativadas dentro do próprio pâncreas, gerando autodigestão, edema, inflamação local e, nos casos graves, resposta inflamatória sistêmica.
Na pancreatite biliar, cálculo impacta transitoriamente a ampola ou o colédoco distal, causando obstrução do fluxo pancreático e biliar.
Na pancreatite alcoólica, o álcool aumenta secreção proteica, favorece plugs ductais e toxicidade acinar.
O que mata a questão é entender que gravidade não depende só da dor ou da enzima. Gravidade depende de falência orgânica, necrose e complicações sistêmicas.
Dor epigástrica intensa.
Irradiação para dorso.
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Náuseas e vômitos.
Piora em decúbito dorsal.
Melhora parcial ao sentar e inclinar o tronco para frente.
Distensão abdominal e íleo paralítico.
Febre baixa e taquicardia podem ocorrer.
Icterícia sugere etiologia biliar ou obstrução persistente.
Derrame pleural, especialmente à esquerda.
Hipocalcemia em casos graves.
Hiperglicemia por disfunção pancreática.
Elevação de ALT, especialmente ALT > 150 U/L, sugere pancreatite biliar.
Triglicerídeos > 1.000 mg/dL sugerem causa por hipertrigliceridemia.
Hipotensão.
Taquicardia persistente.
Hipoxemia.
Oligúria.
Confusão mental.
Hematócrito elevado ou ureia subindo apesar de hidratação.
SIRS persistente.
Falência orgânica por mais de 48 horas.
Sinais cutâneos raros, mas clássicos: Cullen (equimose periumbilical) e Grey Turner (equimose em flancos).
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.