
A questão cobra o primeiro exame diante de abdome agudo perfurativo: dor abdominal súbita com rigidez em tábua em etilista e tabagista sugere úlcera péptica perfurada. O exame inicial é a radiografia de tórax em ortostase, que busca pneumoperitônio sob as cúpulas diafragmáticas. É rápido, barato e disponível na sala de emergência.
Dor abdominal súbita + abdome em tábua + etilismo/tabagismo = suspeita de víscera oca perfurada → radiografia de tórax em ortostase para pesquisar pneumoperitônio
O abdome em tabua (abdome em tábua) é a rigidez muscular involuntária e difusa da parede abdominal, causada por peritonite generalizada. O exemplo clássico é a úlcera péptica perfurada: o conteúdo gastroduodenal ácido extravasa para a cavidade e provoca peritonite química intensa. O paciente refere dor súbita, de forte intensidade, que logo se difunde pelo abdome, e pode apresentar o sinal de Jobert (timpanismo na área de macicez hepática).
Diante desse quadro, o primeiro exame é a radiografia de tórax em ortostase, mantendo o paciente alguns minutos em pé ou sentado antes do disparo para o ar livre subir. O achado procurado é o pneumoperitônio, visto como ar livre sob as cúpulas diafragmáticas. Se o paciente não consegue ficar em pé, faz-se a radiografia em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais.
A armadilha é achar que radiografia normal exclui perfuração: o ar livre pode estar ausente em parte relevante dos casos. Se a suspeita persistir, a tomografia de abdome é o exame mais sensível, sempre com contraste oral hidrossolúvel (iodado), porque o bário na cavidade peritoneal causa peritonite grave. A endoscopia digestiva é contraindicada na suspeita de perfuração.
É o exame inicial na suspeita de perfuração de víscera oca: rápido, barato e disponível, mostra pneumoperitônio sob as cúpulas diafragmáticas. Um resultado positivo, somado à clínica de peritonite, já indica cirurgia.
A tomografia é mais sensível, mas não é o primeiro exame na emergência e fica reservada para casos duvidosos. Além disso, o contraste baritado é contraindicado na suspeita de perfuração, porque o bário extravasado causa peritonite grave; usa-se contraste hidrossolúvel.
A ultrassonografia pode identificar líquido livre e até ar livre, mas é operador-dependente e não é o exame padrão para pesquisar pneumoperitônio. Não é a conduta inicial esperada nesse cenário.
A endoscopia é contraindicada na suspeita de perfuração, pois a insuflação de ar pode ampliar o pneumoperitônio e piorar a contaminação da cavidade. Seu papel é na hemorragia digestiva alta, não no abdome perfurativo.
Dor súbita + abdome em tábua = pense em úlcera perfurada e peça radiografia de tórax em ortostase. Se precisar de contraste oral, use sempre hidrossolúvel, nunca bário.
Abdome agudo é dor abdominal de início recente, potencialmente grave, que exige decisão rápida entre observar, investigar, operar ou tratar causa clínica. Para prova, o mais importante é reconhecer o abdome agudo cirúrgico, principalmente quando há peritonite, instabilidade, obstrução, isquemia ou perfuração.
O que separa este tema dos vizinhos é a lógica sindrômica: não começa decorando doença, começa classificando o padrão da dor.
A banca costuma cobrar paciente com dor abdominal súbita ou progressiva, associada a vômitos, febre, parada de eliminação de gases e fezes, defesa abdominal, descompressão brusca dolorosa ou alteração hemodinâmica.
O dado que mata a questão é o padrão:
Padrão | Palavra que entrega |
|---|---|
Inflamatório | Dor progressiva, febre, leucocitose, irritação peritoneal localizada |
Perfurativo | Dor súbita intensa, abdome em tábua, pneumoperitônio |
Obstrutivo | Dor em cólica, distensão, vômitos, parada de gases e fezes |
Vascular | Dor intensa desproporcional ao exame, acidose, lactato elevado |
Hemorrágico | Dor com choque, palidez, queda de hemoglobina |
Ginecológico | Mulher em idade fértil, dor pélvica, atraso menstrual, sangramento vaginal |
Para prova, a primeira pergunta é: tem peritonite difusa ou instabilidade? Se sim, pense em cirurgia ou intervenção urgente, sem perder tempo com investigação prolongada.
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A dor visceral é mal localizada, em cólica ou profunda, causada por distensão, isquemia ou inflamação de víscera. A dor somática aparece quando o peritônio parietal é irritado, ficando localizada e piorando com movimento, tosse ou palpação.
Regra prática: dor que começou vaga e depois localizou sugere processo inflamatório evoluindo para irritação peritoneal, como apendicite. Dor súbita, intensa e com rigidez sugere perfuração. Dor intensa com exame pobre sugere isquemia mesentérica.
O peritônio irritado muda a prova: defesa involuntária, rigidez e dor à descompressão indicam abdome cirúrgico até prova em contrário.
Dor abdominal de início recente.
Náuseas e vômitos.
Febre e leucocitose no padrão inflamatório.
Distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes no padrão obstrutivo.
Sinais de irritação peritoneal: defesa, rigidez, dor à descompressão brusca.
Instabilidade hemodinâmica em perfuração, hemorragia, sepse ou isquemia avançada.
Para prova, localização ajuda muito:
Local da dor | Diagnósticos clássicos |
|---|---|
Epigástrio | Úlcera perfurada, pancreatite, infarto inferior |
Hipocôndrio direito | Colecistite, colangite, hepatite |
Fossa ilíaca direita | Apendicite, ileíte, adenite mesentérica, doença ginecológica |
Fossa ilíaca esquerda | Diverticulite |
Dor difusa | Peritonite, obstrução, isquemia mesentérica |
Dor pélvica | Gravidez ectópica, torção ovariana, doença inflamatória pélvica |
Idoso pode ter quadro pobre, pouca febre e pouca leucocitose mesmo com doença grave.
Diabético, imunossuprimido e usuário de corticoide podem ter peritonite menos exuberante.
Vômito precoce sugere obstrução alta; vômito fecaloide sugere obstrução baixa avançada.
Diarreia não exclui apendicite, especialmente se o apêndice for pélvico.
Dor abdominal pode ser manifestação de doença extra-abdominal, como infarto agudo do miocárdio, pneumonia basal, cetoacidose diabética ou porfiria.
Hipotensão, taquicardia, sudorese fria ou confusão mental.
Abdome em tábua.
Dor súbita e máxima no início.
Dor desproporcional ao exame físico.
Pneumoperitônio.
Lactato elevado ou acidose metabólica.
Sangramento digestivo associado a dor intensa.
Mulher em idade fértil com atraso menstrual ou choque.
Hérnia dolorosa, irredutível ou com sinais flogísticos.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.