
A questão cobra apenas a localização do anel de Schatzki. Ele é um anel mucoso fino no esôfago distal, na junção escamocolunar, geralmente acima de uma hérnia hiatal. Por isso é um achado de doença esofágica.
Disfagia intermitente para sólidos + anel mucoso fino no esôfago distal (junção escamocolunar) + hérnia hiatal = anel de Schatzki → dilatação endoscópica se sintomático
O anel de Schatzki, também chamado de anel B, é um estreitamento fino e circunferencial formado por mucosa e submucosa (sem músculo). Fica na junção escamocolunar do esôfago distal e quase sempre se associa a uma hérnia hiatal por deslizamento. Muitos pacientes não têm sintomas. Quando há sintomas, o quadro típico é disfagia intermitente para sólidos, com episódios de impactação de bolo alimentar (classicamente carne). Os sintomas costumam surgir quando o diâmetro da luz é menor que cerca de 13 mm e são raros acima de 20 mm.
O diagnóstico é feito pelo esofagograma baritado, que é mais sensível que a endoscopia, sobretudo com a distensão adequada do esôfago distal (por exemplo, com tablete ou pão embebido em bário). A endoscopia também identifica o anel e é útil para afastar outras causas de disfagia, como estenose péptica, esofagite eosinofílica e neoplasia.
O tratamento do anel sintomático é a dilatação (com velas ou balão), que costuma aliviar os sintomas. As recidivas são frequentes, e o uso de inibidor de bomba de prótons após a dilatação é recomendado por muitos autores para reduzi-las, dada a associação com o refluxo. Armadilha clássica: não confundir com o anel A, que é muscular e fica alguns centímetros acima da junção, nem com membranas esofágicas proximais, como as da síndrome de Plummer-Vinson.
O anel de Schatzki fica no esôfago distal, na junção escamocolunar, acima do estômago. Ele frequentemente coexiste com uma hérnia hiatal, mas é uma lesão do esôfago, não do estômago.
O duodeno não tem relação com o anel de Schatzki. Ali as causas de obstrução são outras, como estenose péptica por úlcera.
É a resposta. O anel de Schatzki é um anel mucoso do esôfago distal e uma causa clássica de disfagia intermitente para sólidos.
O íleo não tem relação com o anel de Schatzki. Estenoses ileais lembram, por exemplo, doença de Crohn.
O reto não tem relação com o anel de Schatzki, que é uma lesão exclusivamente esofágica.
Disfagia intermitente para sólidos, não progressiva, com impactação de carne, sugere anel de Schatzki no esôfago distal. O exame mais sensível é o esofagograma baritado, e o tratamento do anel sintomático é a dilatação.
DRGE é o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago causando sintomas incômodos e/ou complicações. Para prova, o ponto central é reconhecer a síndrome típica (pirose e regurgitação), saber quando tratar empiricamente com inibidor de bomba de prótons e identificar sinais de alarme que exigem endoscopia digestiva alta.
O que separa DRGE dos vizinhos é: sintomas retroesternais pós-prandiais, piora ao deitar, melhora com antiácido ou inibidor de bomba de prótons e ausência de sinais que apontem para doença cardíaca, infecciosa, tumoral ou distúrbio motor.
A banca costuma cobrar adulto com queimação retroesternal, regurgitação ácida, gosto amargo na boca, piora após refeições volumosas, álcool, café, chocolate, alimentos gordurosos ou decúbito. A palavra que entrega o diagnóstico é pirose.
Perfil clássico:
Adulto obeso, tabagista ou com hérnia hiatal.
Gestante com pirose.
Paciente com tosse crônica, rouquidão, pigarro ou asma de difícil controle, especialmente se houver sintomas típicos associados.
Paciente com sintomas típicos sem perda ponderal, disfagia, anemia ou sangramento.
Exame típico:
Em DRGE não complicada, não precisa de exame para começar tratamento.
Endoscopia digestiva alta é o exame mais cobrado quando há sinal de alarme ou suspeita de complicação.
pHmetria esofágica de 24 horas é o exame confirmatório quando o diagnóstico é incerto, especialmente antes de cirurgia anti-refluxo ou em sintomas persistentes com endoscopia normal.
A fisiopatologia que importa para prova é a falha da barreira anti-refluxo, principalmente por relaxamentos transitórios do esfíncter esofagiano inferior, hipotonia do esfíncter, hérnia hiatal, esvaziamento gástrico lento e aumento da pressão intra-abdominal.
O ácido causa sintomas e pode causar esofagite, estenose péptica e esôfago de Barrett. Mas atenção: o refluxo pode ser não erosivo, ou seja, o paciente tem sintomas típicos com endoscopia normal.
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Regra de prova: DRGE não é sinônimo de esofagite. A endoscopia pode ser normal.
Pirose: queimação retroesternal, geralmente pós-prandial.
Regurgitação: retorno de conteúdo ácido ou amargo à boca.
Piora ao deitar ou após refeições volumosas.
Melhora com antiácidos ou inibidor de bomba de prótons.
Dor torácica não cardíaca, depois de excluir causa cardiovascular quando indicado.
Manifestações extraesofágicas:
Tosse crônica.
Rouquidão.
Laringite posterior.
Pigarro.
Asma piorada por refluxo.
Erosão dentária.
A pegadinha é que manifestação extraesofágica isolada não fecha DRGE. Para prova, se vier rouquidão ou tosse crônica sem pirose ou regurgitação, pense em investigar melhor antes de atribuir tudo ao refluxo.
Sinais de alarme que indicam endoscopia digestiva alta:
Disfagia.
Odinofagia.
Perda ponderal inexplicada.
Sangramento digestivo.
Anemia ferropriva.
Vômitos persistentes.
Massa ou linfonodomegalia.
História familiar de câncer gastrointestinal alto.
Sintomas novos em idade mais avançada, especialmente acima de 50 anos em muitas provas.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.