
A questão cobra conceitos gerais de gastroenterologia ambulatorial: manejo inicial da dispepsia, rastreio, hemograma nas parasitoses, graduação hemorroidária e diagnóstico da esofagite eosinofílica. Basta reconhecer que as orientações de estilo de vida descritas em A são a conduta inicial aceita na dispepsia e que as demais alternativas contêm erros conceituais clássicos.
Dispepsia sem sinais de alarme + hábitos desencadeantes (gordura, álcool, café, tabaco, refeições volumosas) = medidas de estilo de vida como primeira abordagem → tratamento farmacológico se persistirem os sintomas
A plenitude pós prandial é a sensação incômoda de estômago cheio que persiste após as refeições. Ela é um dos quatro sintomas cardinais da dispepsia segundo os critérios de Roma IV, junto com saciedade precoce, dor epigástrica e queimação epigástrica. Quando esses sintomas existem há pelo menos 3 meses, com início há pelo menos 6 meses, e a endoscopia não mostra doença estrutural, o diagnóstico é dispepsia funcional.
A dispepsia funcional se divide em dois subtipos, que podem coexistir. A síndrome do desconforto pós-prandial se caracteriza por plenitude ou saciedade precoce incômodas em pelo menos 3 dias por semana. A síndrome da dor epigástrica se caracteriza por dor ou queimação epigástrica incômodas em pelo menos 1 dia por semana. A distinção ajuda na escolha do tratamento: procinéticos tendem a ser mais úteis no subtipo pós-prandial, e inibidores de bomba de prótons, no subtipo doloroso.
Antes de rotular o quadro como funcional, investigue sinais de alarme: perda de peso, disfagia, vômitos persistentes, sangramento, anemia, massa palpável e idade acima do limiar local para endoscopia. Também está indicado pesquisar e tratar o Helicobacter pylori. As orientações de estilo de vida (fracionar refeições, evitar gordura, álcool e tabaco) fazem parte da abordagem inicial. Uma armadilha frequente é confundir plenitude pós-prandial com doença do refluxo, cujo sintoma típico é pirose retroesternal, não epigástrica.
Descreve as medidas não farmacológicas recomendadas na dispepsia: evitar alimentos gordurosos, frituras, condimentos, café e álcool, fracionar as refeições e cessar o tabagismo. Essas medidas podem aliviar os sintomas em parte dos pacientes sem uso de medicamentos.
Ultrassonografia abdominal e parasitológico de fezes não são exames de rastreio populacional anual. Eles devem ser solicitados conforme suspeita clínica, e rastreio indiscriminado gera custos e achados incidentais sem benefício comprovado.
A alteração hematológica clássica das parasitoses, sobretudo das helmintíases com fase tecidual, é a eosinofilia, não a neutrofilia. Neutrofilia importante sugere infecção bacteriana ou processo inflamatório agudo.
A descrição (mamilos congestos que sangram sem exteriorização) corresponde ao grau I. Na classificação de Goligher, o grau II prolapsa com redução espontânea, o grau III exige redução manual e o grau IV é o prolapso irredutível.
O diagnóstico de esofagite eosinofílica exige sintomas de disfunção esofágica associados a biópsias esofágicas com pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento, após exclusão de outras causas. Portanto, a biópsia é obrigatória.
Dispepsia sem sinais de alarme começa com estilo de vida e pesquisa de H. pylori. Esofagite eosinofílica é diagnóstico histológico (15 ou mais eosinófilos por campo), e hemorroida grau IV é a irredutível.
Doença ulcerosa péptica é uma lesão da mucosa gástrica ou duodenal que ultrapassa a muscular da mucosa, geralmente por Helicobacter pylori ou anti-inflamatórios não esteroidais. Gastrite é inflamação da mucosa gástrica, muitas vezes endoscópica ou histológica, e nem sempre explica dispepsia.
Para prova, o mais importante é separar:
úlcera péptica: dor epigástrica com lesão ulcerada, risco de sangramento, perfuração e obstrução;
gastrite: inflamação mucosa, muitas vezes por H. pylori, AINE, álcool, estresse grave ou autoimunidade;
dispepsia funcional: sintomas sem lesão estrutural relevante.
A banca costuma cobrar adulto com dor epigástrica em que o detalhe central é o fator causal.
Padrões clássicos:
H. pylori: principal causa de gastrite crônica e úlcera duodenal.
AINE: úlcera gástrica ou duodenal, pode sangrar sem muita dor.
Úlcera duodenal: dor melhora com alimentação e piora 2 a 3 horas após comer ou à noite.
Úlcera gástrica: dor pode piorar com alimentação, associada a perda ponderal por medo de comer.
Hemorragia digestiva alta: hematêmese, melena, anemia ferropriva ou choque.
Perfuração: dor súbita, abdome em tábua e pneumoperitônio.
Gastrite autoimune: anemia megaloblástica por deficiência de vitamina B12, anticorpo anti-célula parietal ou anti-fator intrínseco, acometimento de corpo e fundo gástricos.
A palavra que entrega a questão costuma ser: H. pylori, AINE, melena, pneumoperitônio, anemia perniciosa, dor epigástrica noturna.
A mucosa gástrica se defende com muco, bicarbonato, prostaglandinas, fluxo sanguíneo e renovação epitelial. Úlcera aparece quando agressão supera defesa.
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Principais mecanismos:
H. pylori: inflamação crônica, aumento de gastrina e ácido em muitos pacientes, dano mucoso e predisposição a úlcera duodenal, úlcera gástrica, linfoma MALT e câncer gástrico.
AINE: inibição de COX-1 reduz prostaglandinas, diminuindo muco, bicarbonato e fluxo sanguíneo mucoso.
Estresse fisiológico grave: isquemia mucosa em UTI, choque, sepse, ventilação mecânica ou coagulopatia.
Gastrite autoimune: destruição de células parietais, hipocloridria, deficiência de fator intrínseco e deficiência de B12.
Regra de prova: H. pylori e AINE explicam a maioria das úlceras pépticas.
Dor ou queimação epigástrica.
Náuseas, plenitude pós-prandial, empachamento e eructações.
Dor duodenal que melhora com alimento ou antiácido.
Dor gástrica que pode piorar com alimento.
Melena ou hematêmese quando há sangramento.
Uso recente ou crônico de AINE, AAS ou corticoide associado a AINE.
História de H. pylori.
Anemia ferropriva por sangramento crônico.
Vômitos persistentes e saciedade precoce por obstrução de saída gástrica.
Perda de peso, anorexia e vômitos em úlcera gástrica ou neoplasia.
Gastrite erosiva por álcool, AINE ou doença crítica.
Gastrite autoimune com glossite, parestesias, ataxia, anemia macrocítica e B12 baixa.
Linfoma MALT associado a H. pylori.
Sinais de alarme em dispepsia:
perda ponderal não intencional;
sangramento digestivo, melena, hematêmese ou anemia;
disfagia ou odinofagia;
vômitos persistentes;
massa abdominal ou linfonodomegalia;
história familiar de câncer gastrointestinal alto;
início em idade mais avançada.
Para prova brasileira, muita questão usa idade maior que 45 anos ou sinais de alarme como indicação de endoscopia digestiva alta. Em diretrizes internacionais, o corte frequentemente aparece como ≥ 60 anos.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.