
A questão cobra as características epidemiológicas e biológicas que diferenciam os dois tipos histológicos da classificação de Lauren. O tipo intestinal é ligado a fatores ambientais e à progressão lenta de lesões precursoras. Por isso predomina em homens mais velhos e tem incidência crescente com a idade, o que leva à alternativa B.
Lauren tipo intestinal + gastrite atrófica e metaplasia intestinal + homem idoso + disseminação hematogênica = incidência que aumenta com a idade
A classificação de Lauren, proposta em 1965, divide o adenocarcinoma gástrico em dois tipos histológicos principais: intestinal e difuso. Tumores com componentes dos dois padrões são chamados de mistos ou indeterminados. É uma classificação histológica, feita no exame anatomopatológico, e não substitui o estadiamento TNM.
O tipo intestinal forma estruturas glandulares e predomina nas regiões de alta incidência. Associa-se a fatores ambientais, como Helicobacter pylori, dieta rica em sal e defumados, e tabagismo. Segue a cascata de Correa: gastrite crônica, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, displasia e carcinoma. Por isso é mais comum em homens, tem incidência que aumenta com a idade, dissemina-se preferencialmente por via hematogênica (fígado) e costuma ter melhor prognóstico.
O tipo difuso é pouco diferenciado, frequentemente com células em anel de sinete, e infiltra a parede gástrica sem formar glândulas (a forma extrema é a linite plástica). Associa-se ao tipo sanguíneo A e à perda da E-caderina (gene CDH1, na forma hereditária). Acomete mais mulheres e pacientes jovens, dissemina-se por via linfática, transmural e peritoneal, e tem pior prognóstico. A armadilha clássica é inverter as características dos dois tipos.
O tipo intestinal é mais frequente em homens. A maior proporção relativa de mulheres é descrita no tipo difuso.
O tipo intestinal resulta de uma sequência lenta de lesões precursoras (cascata de Correa). Por isso, sua incidência aumenta com a idade, ao contrário do tipo difuso, que acomete pacientes mais jovens.
A associação com o tipo sanguíneo A é classicamente atribuída ao tipo difuso, não ao intestinal.
A disseminação predominantemente linfática, transmural e peritoneal é característica do tipo difuso. O tipo intestinal tende à disseminação hematogênica, com metástases hepáticas.
Intestinal: ambiente, H. pylori, metaplasia, homem idoso, via hematogênica, melhor prognóstico. Difuso: tipo sanguíneo A, CDH1, anel de sinete, mulher jovem, via linfática e peritoneal, pior prognóstico.
Câncer de estômago, para prova, quase sempre significa adenocarcinoma gástrico, geralmente associado a gastrite crônica por Helicobacter pylori, tabagismo, dieta rica em sal e nitrosaminas, história familiar ou lesões pré-malignas. O que separa este tema dos vizinhos é: sintomas vagos no início, diagnóstico por endoscopia digestiva alta com biópsia e estadiamento definindo se o tratamento será cirúrgico, perioperatório ou paliativo.
A banca costuma cobrar adulto mais velho, perda ponderal, anorexia, dor epigástrica persistente, saciedade precoce, náuseas, vômitos, anemia ferropriva ou sangramento digestivo oculto. A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser "endoscopia com lesão ulcerada infiltrativa" ou "biópsia mostrando adenocarcinoma".
Perfil clássico:
Homem, idade > 50 anos, emagrecimento e dispepsia de início recente.
História de H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo ou dieta rica em alimentos salgados e defumados.
Lesão em antro ou corpo, podendo ser tipo intestinal de Lauren.
Em jovem, mulher, sangue tipo A, história familiar e lesão difusa com células em anel de sinete, pense em tipo difuso.
Sintomas-chave:
Perda de peso.
Anorexia.
Dor epigástrica persistente.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Vômitos se obstrução pilórica.
Disfagia se tumor de cárdia ou junção esofagogástrica.
Achados clássicos de prova:
Linfonodo de Virchow: supraclavicular esquerdo.
Nódulo da irmã Maria José: metástase umbilical.
Prateleira de Blumer: implante no fundo de saco retal ao toque.
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Acanthose nigricans ou sinal de Leser-Trélat: síndrome paraneoplásica rara, mas típica de prova.
O caminho mais cobrado é a sequência inflamatória crônica: H. pylori causa gastrite crônica, que pode evoluir para atrofia gástrica, metaplasia intestinal, displasia e adenocarcinoma, especialmente no tipo intestinal. Esse tipo costuma formar massa ou úlcera, é mais associado a fatores ambientais e aparece em pacientes mais velhos.
O tipo difuso não depende tanto da sequência metaplasia-displasia. Ele infiltra a parede, pode produzir células em anel de sinete e causar linite plástica, com estômago rígido, pouco distensível. Para prova, esse é o tipo que aparece em pacientes mais jovens, com pior prognóstico e relação com mutações germinativas em CDH1 em casos familiares.
Regra prática: intestinal é mais ambiental e glandular; difuso é mais infiltrativo, anel de sinete e linite plástica.
Dispepsia nova em paciente > 50 anos.
Emagrecimento inexplicado.
Dor epigástrica persistente.
Anorexia.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Sangramento digestivo oculto.
Náuseas e vômitos se tumor distal com obstrução de saída gástrica.
Disfagia progressiva se tumor proximal ou de cárdia.
Massa epigástrica palpável em doença avançada.
Ascite por carcinomatose peritoneal.
Dor óssea, icterícia ou hepatomegalia por metástases.
Tromboflebite migratória como síndrome de Trousseau.
Em dispepsia, os sinais de alarme que obrigam investigação endoscópica são:
Perda de peso.
Anemia.
Sangramento gastrointestinal.
Disfagia.
Odinofagia.
Vômitos persistentes.
Massa abdominal ou linfonodomegalia.
História familiar de câncer gastrointestinal alto.
Idade mais avançada com início recente dos sintomas.
Para prova, dispepsia em paciente mais velho com emagrecimento não é "tratar gastrite e rever": é endoscopia digestiva alta.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.