
A questão cobra a definição do tipo I na classificação de Todani para cistos biliares congênitos. O tipo I é o mais comum e corresponde à dilatação cística ou fusiforme do ducto biliar extra-hepático, sem cistos intra-hepáticos, o que leva à alternativa A.
Dilatação do ducto biliar extra-hepático + ductos intra-hepáticos normais = cisto de colédoco tipo I de Todani → ressecção completa do cisto com hepaticojejunostomia em Y de Roux
A classificação de Todani organiza os cistos biliares congênitos pela localização e pela forma da dilatação. Foi publicada em 1977 a partir da proposta de Alonso-Lej e revisada em 2003. O tipo I é a dilatação do ducto biliar extra-hepático e se subdivide em Ia (cística), Ib (segmentar focal) e Ic (fusiforme). É o cisto de colédoco mais frequente, com cerca de 50 a 80% dos casos.
Os demais tipos são: tipo II, divertículo verdadeiro do ducto extra-hepático; tipo III, coledococele, que é a dilatação da porção intraduodenal do colédoco; tipo IVa, múltiplos cistos intra e extra-hepáticos; tipo IVb, múltiplos cistos apenas extra-hepáticos; e tipo V, a doença de Caroli, com cistos exclusivamente intra-hepáticos. Muitos casos se associam à junção biliopancreática anômala (canal comum longo), que permite refluxo de suco pancreático para a via biliar.
A classificação orienta o tratamento. Nos tipos I e IV, o risco de colangiocarcinoma justifica a ressecção completa do cisto com reconstrução biliodigestiva, e a derivação cisto-entérica está abandonada. Na coledococele, a abordagem costuma ser endoscópica. Uma armadilha frequente é confundir coledococele (tipo III) com divertículo (tipo II), ou o tipo IVa com a doença de Caroli, que não tem componente extra-hepático.
Descreve o tipo I de Todani: dilatação do ducto biliar extra-hepático (colédoco), com ductos intra-hepáticos preservados. É o tipo mais comum.
A coledococele é o tipo III, uma dilatação da porção intraduodenal do colédoco que faz protrusão para a luz duodenal e pode simular cisto de duplicação duodenal.
O divertículo verdadeiro do ducto extra-hepático corresponde ao tipo II, uma evaginação sacular lateral do colédoco.
Cistos exclusivamente intra-hepáticos, sem acometimento extra-hepático, definem o tipo V, a doença de Caroli.
Memorize em ordem: I extra-hepático (o mais comum), II divertículo, III coledococele, IVa intra e extra-hepático, IVb múltiplos extra-hepáticos, V Caroli (só intra-hepático). Lembre que tipos I e IV exigem ressecção completa pelo risco de câncer.
Litíase biliar é a presença de cálculos na vesícula ou nas vias biliares; para prova, o mais importante é separar cólica biliar, colecistite aguda, coledocolitíase, colangite aguda e pancreatite biliar, porque cada uma tem conduta diferente.
A banca costuma trazer mulher, meia-idade, obesidade, multípara, com dor no hipocôndrio direito ou epigástrio após refeição gordurosa.
O dado que mata a questão:
dor episódica, sem febre e sem leucocitose: cólica biliar;
dor persistente maior que 6 horas, febre, leucocitose e Murphy positivo: colecistite aguda;
icterícia, colúria, acolia fecal e bilirrubina direta elevada: coledocolitíase;
febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito: colangite aguda;
dor epigástrica irradiada para dorso, amilase ou lipase elevada: pancreatite aguda biliar.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova costuma ser “Murphy”, “colúria”, “tríade de Charcot”, “via biliar dilatada” ou “cálculo no colédoco”.
A maioria dos cálculos é de colesterol, formada por bile supersaturada, hipomotilidade da vesícula e nucleação de cristais. A obstrução intermitente do ducto cístico causa cólica biliar. A obstrução persistente causa inflamação da vesícula, levando à colecistite aguda.
Quando o cálculo migra para o colédoco, pode causar obstrução biliar extra-hepática, com icterícia colestática. Se houver infecção associada e aumento da pressão na via biliar, surge colangite aguda, que é emergência. Se o cálculo impacta transitoriamente na papila, pode obstruir o ducto pancreático e causar pancreatite biliar.
Regra de prova: cálculo parado na vesícula causa dor; cálculo no colédoco causa icterícia; cálculo infectado na via biliar causa colangite.
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Cólica biliar:
dor em hipocôndrio direito ou epigástrio;
geralmente após refeição gordurosa;
duração típica menor que 6 horas;
sem febre;
sem sinais inflamatórios importantes;
ultrassom mostra cálculo, mas sem espessamento importante da parede.
Colecistite aguda:
dor persistente maior que 6 horas;
febre;
náuseas e vômitos;
sinal de Murphy positivo;
leucocitose;
PCR elevada;
ultrassom com cálculo, parede vesicular espessada, líquido perivesicular e Murphy ultrassonográfico.
Coledocolitíase:
icterícia;
colúria;
acolia fecal;
prurido;
padrão colestático: bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT elevadas;
dilatação de via biliar no ultrassom.
Colangite aguda:
tríade de Charcot: febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito;
pêntade de Reynolds: tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do sensório;
emergência infecciosa obstrutiva.
Pancreatite biliar:
dor epigástrica intensa irradiada para dorso;
náuseas e vômitos;
lipase elevada, geralmente maior que 3 vezes o limite superior da normalidade;
ALT maior que 150 U/L sugere etiologia biliar.
Íleo biliar:
obstrução intestinal mecânica em idoso;
história de litíase biliar;
fístula colecistoentérica;
cálculo impactado, classicamente na válvula ileocecal;
tríade de Rigler: pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico.
Síndrome de Mirizzi:
cálculo impactado no infundíbulo da vesícula ou ducto cístico;
compressão extrínseca do ducto hepático comum;
icterícia obstrutiva;
pegadinha: parece coledocolitíase, mas o cálculo não está necessariamente dentro do colédoco.
febre com icterícia;
hipotensão;
confusão mental;
lactato elevado;
sinais de sepse;
dor persistente com defesa abdominal;
bilirrubina muito elevada com dilatação de via biliar;
suspeita de colangite aguda grave.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.