
A questão cobra o tempo durante o qual a cricotireoidostomia por punção mantém oxigenação adequada no politraumatizado, segundo o ATLS. A técnica oxigena bem, mas ventila mal, e o acúmulo progressivo de CO2 limita seu uso a cerca de 30 a 45 minutos. Por isso ela é uma ponte até a via aérea definitiva.
Cricotireoidostomia por punção + insuflação em jato (oxigena, mas não remove CO2) = oxigenação por 30 a 45 minutos → providenciar via aérea definitiva
A cricotireoidostomia é o acesso à via aérea através da membrana cricotireóidea, entre as cartilagens tireoide e cricoide. É indicada no cenário de não consigo intubar, não consigo oxigenar, como no trauma maxilofacial grave ou no edema de glote. Existem duas formas: a cricotireoidostomia cirúrgica, que é uma via aérea definitiva, e a cricotireoidostomia por punção, que é apenas temporária.
Na cricotireoidostomia por punção, introduz-se um cateter calibroso (12 a 14 G) pela membrana cricotireóidea, conectado a uma fonte de oxigênio para ventilação a jato. O ciclo é intermitente: cerca de 1 segundo de insuflação e 4 segundos de expiração passiva pela via aérea superior. Essa técnica garante oxigenação, mas elimina mal o CO2. A hipercapnia progressiva limita seu uso a 30 a 45 minutos.
Armadilhas de prova: a técnica não é via aérea definitiva, pois não há balonete protegendo a via aérea. Ela é especialmente perigosa quando há obstrução que impede a expiração, pelo risco de barotrauma. Em crianças pequenas, é a técnica de escolha, já que a cricotireoidostomia cirúrgica é evitada nessa faixa etária.
Subestima o tempo descrito pelo ATLS. A oxigenação por punção com insuflação em jato se mantém por 30 a 45 minutos.
Também está abaixo do intervalo de referência do ATLS, que é de 30 a 45 minutos.
É o intervalo descrito pelo ATLS. Depois disso, a retenção de CO2 torna inadequado manter a técnica, e a via aérea definitiva deve estar estabelecida.
Ultrapassa o limite recomendado. A hipercapnia acumulada torna inseguro manter o paciente apenas com a punção por esse tempo.
Tempo muito acima do recomendado para uma técnica temporária que não remove CO2 de forma eficaz.
Cricotireoidostomia por punção oxigena, mas não ventila: guarde 30 a 45 minutos, limitados pela hipercapnia. Trate-a sempre como ponte para a via aérea definitiva.
Via aérea, em anestesiologia, é o conjunto de avaliação, preparo e técnicas para garantir oxigenação e ventilação antes, durante e após o ato anestésico.
Para prova, o mais importante é separar três cenários:
Via aérea normal: sequência padrão de pré-oxigenação, indução, ventilação sob máscara e intubação.
Via aérea difícil prevista: planejar acordado ou com estratégia avançada antes de perder a ventilação espontânea.
Via aérea difícil não prevista: seguir algoritmo, limitar tentativas e priorizar oxigenação.
O erro clássico é pensar que intubar é o objetivo principal. Em prova, o objetivo principal é oxigenar.
A banca costuma cobrar um paciente no centro cirúrgico, emergência ou trauma, com necessidade de anestesia geral ou proteção de via aérea.
O padrão clássico:
Obeso, gestante, trauma facial, queimadura de face, tumor cervical, limitação de abertura oral ou instabilidade cervical.
Após indução, ocorre dificuldade de ventilação sob máscara ou dificuldade de intubação.
A questão pergunta a próxima conduta.
A palavra que entrega a gravidade é: "não ventila, não intuba" ou "dessaturação progressiva".
O dado que mata a questão é: se não consegue oxigenar, deve chamar ajuda, usar dispositivo supraglótico e, se falhar, via aérea cirúrgica de emergência.
A anestesia geral reduz tônus da musculatura faríngea, deprime reflexos protetores, diminui drive ventilatório e favorece colapso de via aérea superior. Por isso, o paciente que respirava antes pode obstruir logo após sedação ou indução.
A pré-oxigenação aumenta a reserva de oxigênio pela substituição do nitrogênio alveolar por oxigênio. Na prática, ela compra tempo seguro de apneia.
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Regra de prova: paciente obeso, gestante, criança e paciente crítico dessaturam mais rápido porque têm menor reserva funcional ou maior consumo de oxigênio.
Sinais de via aérea difícil prevista:
Abertura oral reduzida.
Mallampati III ou IV.
Distância tireomentoniana curta.
Pescoço curto ou mobilidade cervical reduzida.
Obesidade.
Apneia obstrutiva do sono.
Trauma facial.
Tumor, abscesso, sangramento ou edema de via aérea.
História prévia de intubação difícil.
Sinais de ventilação difícil sob máscara:
Barba.
Obesidade.
Idade avançada.
Edentulismo.
Roncos ou apneia obstrutiva do sono.
Deformidade facial.
Preditores úteis:
Mallampati: avalia visualização de estruturas orofaríngeas com boca aberta e língua protrusa.
Distância tireomentoniana menor que 6 a 6,5 cm sugere laringoscopia difícil.
Abertura oral menor que 3 cm sugere dificuldade de laringoscopia.
Mobilidade cervical limitada dificulta alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo.
Regra 3-3-2: 3 dedos de abertura oral, 3 dedos mento-hioide, 2 dedos hioide-cartilagem tireoide.
Estridor.
Angioedema.
Queimadura de face ou inalação de fumaça.
Trauma de face ou pescoço.
Hematoma cervical expansivo.
Abscesso profundo de pescoço.
Sangramento ativo em via aérea.
Massa obstrutiva de orofaringe, laringe ou traqueia.
Instabilidade cervical associada a trauma.
Nesses cenários, a pegadinha é induzir anestesia sem plano de resgate.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.