
A questão cobra a conduta de urgência no tórax instável com comprometimento respiratório. O segmento flutuante e, principalmente, a contusão pulmonar subjacente causam hipoxemia. Entre as opções, a intubação com ventilação com pressão positiva é a única medida que corrige a falência ventilatória e estabiliza internamente a parede.
Fraturas em 2 ou mais pontos de 2 ou mais costelas adjacentes + movimento paradoxal + hipoxemia = tórax instável com insuficiência respiratória → intubação e ventilação com pressão positiva
O tórax instável (muita gente pesquisa como torax instavel) ocorre quando duas ou mais costelas adjacentes fraturam em dois ou mais pontos cada. Forma-se um segmento da parede sem continuidade com o restante da caixa torácica. Esse segmento apresenta movimento paradoxal: afunda na inspiração e se projeta na expiração. O diagnóstico é clínico, pela inspeção e palpação, e a radiografia de tórax ajuda a identificar as fraturas e a lesão associada.
A principal causa da hipoxemia não é o segmento móvel em si, e sim a contusão pulmonar subjacente, somada à dor que limita a expansão torácica. Por isso o tratamento se apoia em oxigênio suplementar, analgesia eficaz (incluindo bloqueio intercostal ou peridural) e reposição volêmica criteriosa, já que o pulmão contuso é sensível à sobrecarga hídrica.
A intubação com ventilação com pressão positiva funciona como uma tala pneumática interna. Pelo ATLS atual, ela é indicada quando há hipoxemia ou insuficiência respiratória, e não de rotina em todo paciente. Em prova, quando a pergunta é a conduta de urgência e as outras opções tratam de lesões diferentes, a resposta esperada é intubação e ventilação.
A broncofibroscopia serve para aspirar secreções, remover corpo estranho ou investigar lesão de via aérea. Não corrige a falência ventilatória nem estabiliza a parede torácica.
A toracotomia de urgência no trauma é reservada a situações como hemotórax maciço com débito elevado ou persistente. O tórax instável isolado não é indicação de toracotomia imediata.
A punção com agulha é a descompressão de urgência do pneumotórax hipertensivo. Não trata o tórax instável.
A intubação com ventilação com pressão positiva corrige a hipoxemia e estabiliza internamente o segmento instável. É a conduta indicada quando há insuficiência respiratória.
Tórax instável com insuficiência respiratória: intubação e ventilação com pressão positiva. Sem falência respiratória, oxigênio, analgesia e cuidado com o volume infundido.
Trauma torácico é causa frequente de morte evitável no politrauma, e para prova o mais importante é reconhecer rapidamente as lesões que matam na avaliação primária e tratá-las antes de confirmar com exame de imagem.
O que separa trauma torácico dos vizinhos é isto: muitas condutas são clínicas e imediatas. Se a questão descreve instabilidade respiratória ou circulatória com achado torácico típico, a resposta costuma ser intervenção, não tomografia.
A banca costuma cobrar paciente vítima de trauma fechado ou penetrante com dispneia, dor torácica, hipotensão, hipoxemia, assimetria ventilatória, turgência jugular, enfisema subcutâneo, desvio de traqueia, murmúrio vesicular abolido ou macicez à percussão.
O dado que mata a questão geralmente é:
Achado-chave | Diagnóstico provável |
|---|---|
Hipotensão, dispneia, murmúrio abolido e hipertimpanismo | Pneumotórax hipertensivo |
Ferida torácica aspirativa | Pneumotórax aberto |
Dreno com saída volumosa de sangue ou sangramento persistente, em paciente instável | Hemotórax maciço com indicação de toracotomia |
Hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas | Tamponamento cardíaco |
Fraturas costais múltiplas com movimento paradoxal | Tórax instável |
Hipoxemia progressiva após trauma fechado | Contusão pulmonar |
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Lesão de aorta torácica |
Para prova, pense primeiro nas lesões da avaliação primária: obstrução de via aérea, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tamponamento cardíaco e tórax instável.
No trauma torácico, o problema imediato costuma ser ventilatório, circulatório ou ambos.
No pneumotórax hipertensivo, o ar entra no espaço pleural e não sai. A pressão intratorácica aumenta, colaba o pulmão, desloca o mediastino, reduz o retorno venoso e causa choque obstrutivo. Por isso o diagnóstico é clínico e a conduta é imediata.
No hemotórax maciço, o paciente sangra para a cavidade pleural. O choque é hemorrágico, e a drenagem torácica é diagnóstico e tratamento inicial.
No tamponamento cardíaco, o sangue no pericárdio impede o enchimento diastólico. A tríade de Beck é hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas, mas na prova basta instabilidade com trauma penetrante precordial e FAST positivo.
Na contusão pulmonar, há lesão do parênquima com edema e hemorragia alveolar. A hipoxemia pode piorar nas primeiras 24 a 48 horas.
No tórax instável, fraturas em pelo menos 2 pontos de 2 ou mais arcos costais criam segmento móvel. O problema não é só a parede torácica: a contusão pulmonar associada costuma ser o que mais causa insuficiência respiratória.
Pneumotórax hipertensivo:
dispneia intensa;
hipotensão;
taquicardia;
murmúrio vesicular abolido unilateral;
hipertimpanismo;
possível desvio de traqueia;
turgência jugular pode aparecer, mas pode faltar se houver hipovolemia associada.
Hemotórax maciço:
choque;
murmúrio vesicular reduzido;
macicez à percussão;
drenagem torácica com grande volume de sangue.
Tamponamento cardíaco:
trauma penetrante em região precordial;
hipotensão;
turgência jugular;
bulhas abafadas;
FAST com líquido pericárdico.
Pneumotórax aberto:
ferida torácica aspirativa;
ruído de sucção;
insuficiência ventilatória.
Tórax instável:
dor intensa;
crepitação;
movimento paradoxal;
hipoxemia por contusão pulmonar associada.
Contusão pulmonar:
dispneia;
hipoxemia;
infiltrado pulmonar após trauma;
piora progressiva nas primeiras horas.
Lesão traqueobrônquica:
enfisema subcutâneo importante;
pneumotórax persistente;
grande escape aéreo pelo dreno;
pulmão que não reexpande após drenagem.
Lesão de aorta torácica:
trauma de alta energia ou desaceleração;
dor torácica ou dorsal;
assimetria de pulsos pode aparecer;
radiografia com mediastino alargado;
angiotomografia confirma.
Ruptura diafragmática:
trauma toracoabdominal, mais comum à esquerda;
alças intestinais no tórax;
sonda nasogástrica projetada no hemitórax;
pode ser confundida com hemotórax ou pneumotórax.
Hipotensão em trauma torácico nunca é para observar.
Dispneia com murmúrio abolido unilateral em paciente instável é pneumotórax hipertensivo até prova em contrário.
Saída volumosa e imediata de sangue no dreno torácico pesa para toracotomia, mas o corte fixo de 1.500 mL foi relativizado: a decisão pesa o estado fisiológico (instabilidade, sangramento contínuo), não só o número.
Sangramento persistente pelo dreno maior que 200 mL/h por 2 a 4 horas também sugere toracotomia, sempre associado ao quadro clínico.
Trauma penetrante precordial com choque sugere tamponamento até prova em contrário.
Pneumotórax pequeno vira problema grande se o paciente precisar de ventilação com pressão positiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.