
A questão cobra a anatomia peritoneal aplicada ao trauma: só a lesão de órgão intraperitoneal (ou recoberto por peritônio) derrama sangue na cavidade peritoneal. Baço, fígado e útero roto sangram para dentro do peritônio. O rim é retroperitoneal, então a laceração renal forma hematoma retroperitoneal, o que faz da alternativa C a exceção.
Pergunta com EXCETO + órgão retroperitoneal (rim) = sangramento retroperitoneal, não hemoperitônio → alternativa C
Hemoperitônio é o acúmulo de sangue livre na cavidade peritoneal. No trauma abdominal fechado, as fontes mais frequentes são o baço e o fígado, os órgãos sólidos mais lesados. Fora do trauma, destacam-se a gravidez ectópica rota, a rotura uterina, o cisto ovariano hemorrágico e a rotura espontânea de tumores hepáticos ou de aneurismas viscerais.
O sangue só chega ao peritônio quando a lesão atinge um órgão intraperitoneal ou recoberto por peritônio. Rins, ureteres, pâncreas, aorta, veia cava e a maior parte do duodeno são retroperitoneais: quando lesados, formam hematoma retroperitoneal. Esse hematoma costuma ser contido e tem pouca expressão no exame físico. Por isso o FAST pode ser negativo mesmo com sangramento renal importante.
Na investigação, o FAST à beira do leito procura líquido livre no espaço hepatorrenal (Morison), no periesplênico e na pelve. No paciente instável com FAST positivo, a conduta é laparotomia. No estável, a tomografia com contraste define o órgão lesado e o grau da lesão, além de avaliar o retroperitônio, que o FAST não enxerga bem.
Causa de hemoperitônio. A rotura uterina, sobretudo no útero gravídico ou com cicatriz de cesárea, sangra para a cavidade peritoneal e pode causar choque hemorrágico.
Causa de hemoperitônio. O baço é intraperitoneal e é um dos órgãos mais lesados no trauma abdominal fechado, com sangramento livre na cavidade.
É a exceção, logo é a resposta. O rim é retroperitoneal, e a laceração renal gera hematoma retroperitoneal, não sangue livre na cavidade peritoneal.
Causa de hemoperitônio. O fígado é intraperitoneal (exceto a área nua), e suas lacerações são fonte frequente de sangue livre no trauma fechado e penetrante.
Hemoperitônio exige um órgão intraperitoneal: baço, fígado, mesentério, útero, tuba. Rim, pâncreas, grandes vasos e a maior parte do duodeno sangram para o retroperitônio.
Trauma abdominal e pélvico é toda lesão traumática que pode causar hemorragia intra-abdominal, lesão de víscera oca, contaminação peritoneal ou instabilidade pélvica. Para prova, o ponto central é decidir rápido se o paciente precisa de laparotomia, angioembolização, fixação pélvica ou observação.
O que separa este tema dos vizinhos é a combinação entre mecanismo do trauma, estabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite. A banca não quer uma lista de órgãos lesados: quer saber quem opera, quem faz tomografia e quem vai direto para controle de sangramento.
O padrão clássico é paciente politraumatizado após colisão automobilística, atropelamento, queda de altura, ferimento por arma branca ou ferimento por arma de fogo, com dor abdominal, hipotensão, taquicardia, distensão abdominal, equimose, fratura pélvica ou alteração do nível de consciência.
O dado que mata a questão costuma ser:
Instabilidade hemodinâmica + FAST positivo: laparotomia exploradora.
Instabilidade hemodinâmica + suspeita de fratura pélvica: contenção pélvica imediata.
Estável + trauma fechado abdominal: tomografia com contraste.
Peritonite, evisceração ou empalamento: abordagem cirúrgica.
Ferimento penetrante por arma de fogo no abdome: geralmente laparotomia, especialmente se transperitoneal ou instável.
Lesão de víscera oca: dor progressiva, pneumoperitônio, líquido livre sem lesão de órgão sólido, leucocitose e irritação peritoneal.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova é instabilidade. Ela define a conduta mais do que o órgão lesado.
No trauma abdominal, a morte evitável costuma vir de hemorragia não controlada. Baço, fígado, mesentério, grandes vasos e pelve são fontes importantes de sangramento.
No trauma fechado, predomina desaceleração e compressão. Isso rompe órgãos sólidos, mesentério e vísceras ocas. O baço é o órgão sólido mais lembrado em prova no trauma abdominal fechado.
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No trauma penetrante, a trajetória importa. Ferimento por arma de fogo tem maior energia e maior chance de múltiplas lesões. Ferimento por arma branca pode ser avaliado de forma seletiva se o paciente estiver estável e sem peritonite.
Na fratura pélvica, o sangramento costuma ser venoso do plexo pélvico e das superfícies ósseas, mas pode ser arterial. A conduta inicial é reduzir o volume da pelve com contenção externa, não ficar esperando exame.
Dor abdominal após trauma.
Hipotensão e taquicardia sem outra fonte clara de sangramento.
Abdome distendido ou doloroso.
Defesa, rigidez ou descompressão brusca dolorosa.
FAST positivo em paciente instável.
Equimose em flanco ou periumbilical pode sugerir sangramento retroperitoneal, embora seja sinal tardio.
Dor pélvica, instabilidade da bacia, encurtamento ou rotação de membro inferior em fratura pélvica.
Sinal do cinto de segurança: aumenta suspeita de lesão intestinal e mesentérica.
Hematúria: sugere trauma geniturinário associado, principalmente em fratura pélvica.
Sangue no meato uretral, próstata alta ou hematoma perineal: suspeitar lesão uretral.
Dor no ombro esquerdo após trauma esplênico: sinal de Kehr.
Trauma pancreatoduodenal: dor epigástrica, hiperamilasemia pouco específica e lesão retroperitoneal que pode aparecer tardiamente.
Ruptura diafragmática: mais comum à esquerda, com vísceras abdominais no tórax.
Instabilidade hemodinâmica persistente.
Peritonite.
Evisceração.
Empalamento.
FAST positivo em instável.
Pneumoperitônio.
Ferimento penetrante com choque.
Fratura pélvica instável com hipotensão.
Sangue ao toque retal, sangue no meato uretral ou hematúria macroscópica em trauma pélvico.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.