
A questão cobra conceitos clássicos de trauma retroperitoneal: zonas do retroperitônio, conduta nas lesões duodenais e pancreáticas e técnicas de proteção do reparo duodenal. A maioria das lesões duodenais é de baixo grau e pode ser tratada com reparo primário (desbridamento e sutura), por isso a alternativa B é a correta. Procedimentos complexos ficam para a minoria das lesões graves.
Trauma duodenal + lesão de baixo grau (maioria dos casos) = reparo primário → exclusão pilórica ou procedimentos maiores apenas para lesões complexas
O retroperitonio, ou espaço retroperitoneal, é dividido em três zonas para orientar a conduta diante de um hematoma. A zona I é central: vai do hiato aórtico ao promontório sacral e contém aorta, veia cava, vasos mesentéricos, pâncreas e duodeno. A zona II é lateral (perirrenal) e abriga rins, adrenais, ureteres e cólons ascendente e descendente. A zona III é pélvica e contém vasos ilíacos e o reto extraperitoneal.
Na conduta do hematoma retroperitoneal, a zona I deve ser explorada em qualquer mecanismo. A zona II costuma ser explorada no trauma penetrante e, no contuso, apenas se o hematoma estiver expansivo, pulsátil ou roto. A zona III, no trauma contuso, geralmente se associa a fratura pélvica: não se abre o hematoma, e o controle é feito com angioembolização ou empacotamento pré-peritoneal. No trauma penetrante, a zona III é explorada.
No trauma duodenal, a maioria das lesões se resolve com reparo primário. Nas lesões complexas, pode-se proteger a sutura com exclusão pilórica: gastrotomia, fechamento do piloro por dentro do estômago e gastrojejunostomia. Essa técnica não deve ser confundida com a diverticulização duodenal, que inclui antrectomia. No trauma pancreático também predominam lesões de baixo grau, tratadas com drenagem; a pancreatectomia distal fica reservada à lesão ductal à esquerda dos vasos mesentéricos (grau III).
O trajeto descrito (região do hiato até o promontório, na linha média) corresponde à zona I, central. A zona III é a pélvica, abaixo do promontório.
A grande maioria das lesões duodenais é de baixo grau e pode ser tratada com desbridamento e sutura primária. Técnicas de proteção ou ressecção ficam para a minoria das lesões complexas.
A maioria das lesões pancreáticas é de grau I ou II (contusão ou laceração sem lesão ductal), tratadas com hemostasia e drenagem. A pancreatectomia distal é indicada no grau III, que não é o mais frequente.
A exclusão pilórica (Vaughan e Jordan) consiste em gastrotomia, fechamento do piloro e gastrojejunostomia, sem ressecção gástrica. Antrectomia com gastrojejunostomia faz parte da diverticulização duodenal de Berne.
Lesões intraperitoneais associadas são frequentes em pacientes com hematoma retroperitoneal, principalmente no trauma penetrante. Por isso, a laparotomia deve sempre inspecionar toda a cavidade.
Zona I sempre se explora; zona III no trauma contuso não se abre. No duodeno, a regra é o reparo primário, e exclusão pilórica não inclui antrectomia (isso é diverticulização).
Trauma abdominal e pélvico é toda lesão traumática que pode causar hemorragia intra-abdominal, lesão de víscera oca, contaminação peritoneal ou instabilidade pélvica. Para prova, o ponto central é decidir rápido se o paciente precisa de laparotomia, angioembolização, fixação pélvica ou observação.
O que separa este tema dos vizinhos é a combinação entre mecanismo do trauma, estabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite. A banca não quer uma lista de órgãos lesados: quer saber quem opera, quem faz tomografia e quem vai direto para controle de sangramento.
O padrão clássico é paciente politraumatizado após colisão automobilística, atropelamento, queda de altura, ferimento por arma branca ou ferimento por arma de fogo, com dor abdominal, hipotensão, taquicardia, distensão abdominal, equimose, fratura pélvica ou alteração do nível de consciência.
O dado que mata a questão costuma ser:
Instabilidade hemodinâmica + FAST positivo: laparotomia exploradora.
Instabilidade hemodinâmica + suspeita de fratura pélvica: contenção pélvica imediata.
Estável + trauma fechado abdominal: tomografia com contraste.
Peritonite, evisceração ou empalamento: abordagem cirúrgica.
Ferimento penetrante por arma de fogo no abdome: geralmente laparotomia, especialmente se transperitoneal ou instável.
Lesão de víscera oca: dor progressiva, pneumoperitônio, líquido livre sem lesão de órgão sólido, leucocitose e irritação peritoneal.
A palavra que entrega o diagnóstico em prova é instabilidade. Ela define a conduta mais do que o órgão lesado.
No trauma abdominal, a morte evitável costuma vir de hemorragia não controlada. Baço, fígado, mesentério, grandes vasos e pelve são fontes importantes de sangramento.
No trauma fechado, predomina desaceleração e compressão. Isso rompe órgãos sólidos, mesentério e vísceras ocas. O baço é o órgão sólido mais lembrado em prova no trauma abdominal fechado.
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No trauma penetrante, a trajetória importa. Ferimento por arma de fogo tem maior energia e maior chance de múltiplas lesões. Ferimento por arma branca pode ser avaliado de forma seletiva se o paciente estiver estável e sem peritonite.
Na fratura pélvica, o sangramento costuma ser venoso do plexo pélvico e das superfícies ósseas, mas pode ser arterial. A conduta inicial é reduzir o volume da pelve com contenção externa, não ficar esperando exame.
Dor abdominal após trauma.
Hipotensão e taquicardia sem outra fonte clara de sangramento.
Abdome distendido ou doloroso.
Defesa, rigidez ou descompressão brusca dolorosa.
FAST positivo em paciente instável.
Equimose em flanco ou periumbilical pode sugerir sangramento retroperitoneal, embora seja sinal tardio.
Dor pélvica, instabilidade da bacia, encurtamento ou rotação de membro inferior em fratura pélvica.
Sinal do cinto de segurança: aumenta suspeita de lesão intestinal e mesentérica.
Hematúria: sugere trauma geniturinário associado, principalmente em fratura pélvica.
Sangue no meato uretral, próstata alta ou hematoma perineal: suspeitar lesão uretral.
Dor no ombro esquerdo após trauma esplênico: sinal de Kehr.
Trauma pancreatoduodenal: dor epigástrica, hiperamilasemia pouco específica e lesão retroperitoneal que pode aparecer tardiamente.
Ruptura diafragmática: mais comum à esquerda, com vísceras abdominais no tórax.
Instabilidade hemodinâmica persistente.
Peritonite.
Evisceração.
Empalamento.
FAST positivo em instável.
Pneumoperitônio.
Ferimento penetrante com choque.
Fratura pélvica instável com hipotensão.
Sangue ao toque retal, sangue no meato uretral ou hematúria macroscópica em trauma pélvico.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.