
A questão cobra a regra dos nove adaptada à criança, cujas proporções corporais diferem das do adulto: a cabeça é relativamente maior e os membros inferiores, menores. Basta lembrar que a cabeça e o pescoço passam de 9% para 18% e que cada membro inferior cai para cerca de 13,5%, mantendo o tronco e os membros superiores iguais aos do adulto. A única alternativa com essa distribuição, somando 100%, é a E.
Criança + cabeça proporcionalmente maior + membros inferiores menores = regra dos nove pediátrica (cabeça 18%, cada membro inferior cerca de 13,5%) → alternativa E
A superficie corporal queimada (SCQ) é o percentual da área total do corpo atingido por queimaduras de segundo e terceiro graus. Queimaduras de primeiro grau (apenas eritema) não entram no cálculo. A SCQ orienta a gravidade, a necessidade de reposição volêmica (fórmula de Parkland e variações do ATLS) e o encaminhamento para centro de queimados.
No adulto, a regra dos nove distribui o corpo assim: cabeça e pescoço 9%, cada membro superior 9%, tronco anterior 18%, tronco posterior 18%, cada membro inferior 18% e períneo 1%. Na criança pequena, a cabeça corresponde a cerca de 18% e cada membro inferior a cerca de 13,5% a 14%, porque a cabeça é proporcionalmente maior. Para áreas pequenas ou irregulares, usa-se a palma da mão do próprio paciente (incluindo os dedos), que equivale a cerca de 1% da superfície corporal.
A tabela de Lund-Browder é o método mais preciso, principalmente em crianças, porque ajusta os percentuais da cabeça e dos membros inferiores conforme a idade. Uma armadilha frequente é aplicar a regra dos nove do adulto em criança, o que subestima a área da cabeça e superestima a dos membros inferiores.
Corresponde à regra dos nove do adulto (cabeça 9%, cada membro inferior 18%). Na criança, esses valores subestimam a cabeça e superestimam os membros inferiores.
Queimadura é lesão tecidual por agente térmico, elétrico, químico ou radioativo, cujo risco depende principalmente de profundidade, extensão da superfície corporal queimada, localização, idade, comorbidades e presença de lesão inalatória.
Para prova, o mais importante é separar queimadura pequena tratável ambulatorialmente de queimadura grave que exige reposição volêmica, avaliação de via aérea, analgesia, prevenção de infecção e encaminhamento para centro especializado.
A banca costuma cobrar vítima de incêndio, explosão, escaldadura, acidente elétrico ou queimadura por chama em ambiente fechado.
O padrão clássico é:
paciente com queimadura extensa;
necessidade de calcular superfície corporal queimada;
decisão sobre reposição volêmica;
suspeita de lesão inalatória;
indicação de internação ou transferência para centro de queimados.
A palavra que entrega gravidade é: queimadura em face, ambiente fechado, fuligem, rouquidão, estridor, queimadura circular, mão, pé, períneo, genitália, articulação, elétrica ou química.
O dado que mata a questão costuma ser:
regra dos 9 de Wallace em adultos;
fórmula de Parkland;
não contar queimadura de 1º grau no cálculo da reposição volêmica;
intubação precoce se suspeita de lesão inalatória;
escarotomia se queimadura circular compromete perfusão ou ventilação.
A queimadura causa destruição da barreira cutânea, perda de líquido, inflamação sistêmica, aumento da permeabilidade capilar e risco de choque hipovolêmico.
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Membros superiores com 10% e inferiores com 15% não correspondem à regra dos nove de nenhuma faixa etária. A cabeça com 9% também é valor de adulto.
Os membros superiores ficam com 15% cada e os inferiores com apenas 10%, uma inversão sem base anatômica. A cabeça com 10% também está abaixo do valor pediátrico.
Atribui 18% a cada membro superior e 9% a cada face do tronco, o que não corresponde à regra de adulto nem à pediátrica.
Reproduz a regra dos nove pediátrica: cabeça e pescoço 18%, cada membro superior 9%, tronco anterior e posterior 18% cada, cada membro inferior 13,5% e genitália 1%, totalizando 100%.
Na criança, a cabeça dobra (de 9% para 18%) e cada membro inferior perde cerca de 4,5% (de 18% para 13,5%), enquanto o tronco e os membros superiores não mudam. Se a questão exigir precisão por idade, a resposta é a tabela de Lund-Browder.
Nas queimaduras extensas, o grande problema inicial não é infecção: é perda volêmica e lesão inalatória.
A profundidade define cicatrização e necessidade de intervenção:
1º grau: só epiderme, eritema, dor, sem bolha;
2º grau superficial: derme superficial, bolhas, úmida, muito dolorosa, boa perfusão;
2º grau profunda: derme profunda, pálida ou mosqueada, menos dolorosa, cicatrização ruim;
3º grau: espessura total, aspecto branco, céreo, carbonizado ou coriáceo, pouca dor por destruição neural;
4º grau: acomete músculo, tendão ou osso.
A pegadinha é que a área de 1º grau não entra no cálculo da superfície corporal queimada para reposição volêmica.
Dor, eritema, bolhas ou escara.
Queimadura por chama em ambiente fechado.
Fuligem em boca ou nariz.
Rouquidão, tosse, estridor, dispneia ou alteração do nível de consciência.
Queimadura circular em tórax ou extremidade.
Sinais de hipoperfusão: taquicardia, hipotensão, oligúria, extremidades frias.
Queimadura elétrica com lesão profunda desproporcional à pele visível.
Rabdomiólise em queimadura elétrica, com risco de mioglobinúria e insuficiência renal aguda.
Queimadura química, em que a conduta inicial é retirada de roupas contaminadas e irrigação abundante.
Intoxicação por monóxido de carbono em incêndio, com oximetria de pulso falsamente normal.
Intoxicação por cianeto em incêndio com plásticos, alteração neurológica, acidose láctica e choque.
Queimadura de face, pescoço ou via aérea.
Queimadura em ambiente fechado.
Rouquidão, estridor ou desconforto respiratório.
Queimadura > 10% da superfície corporal em criança ou idoso.
Queimadura > 20% da superfície corporal em adulto.
Queimadura de 3º grau.
Queimadura elétrica de alta-voltagem.
Queimadura química.
Queimadura em mãos, pés, face, períneo, genitália ou grandes articulações.
Queimadura circular de membro ou tórax.
Trauma associado.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.