
A questão cobra a composição da tríade letal do trauma, conceito clássico do choque hemorrágico no politraumatizado. Basta lembrar que o paciente em choque hemorrágico esfria, acidifica e sangra cada vez mais: acidose, hipotermia e coagulopatia.
Choque hemorrágico + hipoperfusão + perda de calor + consumo e diluição de fatores = acidose, hipotermia e coagulopatia (tríade letal) → controle de danos
A tríade letal do trauma é a associação de acidose, hipotermia e coagulopatia no paciente com choque hemorrágico. A acidose metabólica decorre da hipoperfusão tecidual e do metabolismo anaeróbio, com acúmulo de lactato. A hipotermia resulta da exposição do paciente, da menor produção de calor pelo choque e da infusão de fluidos e hemoderivados frios. A coagulopatia envolve perda e consumo de fatores, hemodiluição por reposição volêmica excessiva e a coagulopatia induzida pelo próprio trauma.
O ponto central é o ciclo vicioso: a hipotermia e a acidose prejudicam a função das enzimas da cascata de coagulação e das plaquetas, o que piora o sangramento. Mais sangramento agrava a hipoperfusão, a acidose e a hipotermia. Por isso, a tríade se associa a alta mortalidade e deve ser prevenida desde o atendimento inicial.
A resposta prática é a estratégia de controle de danos: cirurgia abreviada para conter hemorragia e contaminação, seguida de correção fisiológica na UTI e reoperação programada. Ela se combina com a ressuscitação de controle de danos, que inclui hipotensão permissiva, restrição de cristaloides, transfusão balanceada de concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, fluidos aquecidos e ácido tranexâmico precoce. Armadilha comum em prova: trocar hipotermia por hipertermia ou acidose por alcalose.
Acidose, hipotermia e coagulopatia são os três componentes clássicos da tríade letal, que se retroalimentam no choque hemorrágico.
O choque cursa com acidose, não com alcalose, e com hipotermia, não com hipertermia. A plaquetopenia pode ocorrer, mas o componente da tríade é a coagulopatia, conceito mais amplo.
Hipertermia é o oposto do esperado, pois o paciente em choque perde calor. A coagulação intravascular disseminada pode ocorrer no trauma, mas o componente clássico da tríade é a coagulopatia.
Alcalose e plaquetose são o oposto dos distúrbios do choque hemorrágico, que cursa com acidose e consumo de plaquetas e fatores de coagulação.
O politraumatizado em choque fica frio, ácido e sangrando: hipotermia, acidose e coagulopatia. Qualquer alternativa com hipertermia, alcalose ou plaquetose está errada.
Atendimento inicial ao politraumatizado é a abordagem sistematizada do doente traumatizado grave para identificar e tratar primeiro as lesões que matam mais rápido. Para prova, o mais importante é pensar em ABCDE, sempre com reavaliação contínua e tratamento simultâneo ao diagnóstico.
O que separa este tema dos vizinhos é que aqui não se busca o diagnóstico definitivo de todas as lesões. Busca-se estabilizar via aérea, ventilação, circulação, estado neurológico e exposição, evitando morte precoce por hipóxia, choque hemorrágico, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco e lesões neurológicas secundárias.
A banca costuma colocar vítima de acidente automobilístico, queda de altura, ferimento por arma branca, ferimento por arma de fogo ou atropelamento. O enunciado vem com instabilidade, rebaixamento do nível de consciência, dor torácica, dispneia, hipotensão, taquicardia, sangramento externo ou alteração pupilar.
A palavra que entrega o tema é prioridade. Se a questão pergunta “qual a próxima conduta?”, quase sempre a resposta segue a ordem do ABCDE, e não o exame mais sofisticado.
Padrões clássicos:
Rebaixamento do nível de consciência com risco de broncoaspiração: proteger via aérea com controle da coluna cervical.
Hipotensão após trauma: pensar em hemorragia até prova em contrário.
Dispneia, hipotensão, desvio de traqueia e murmúrio vesicular abolido: pneumotórax hipertensivo, tratar antes do raio-X.
Trauma torácico com turgência jugular, hipotensão e bulhas abafadas: tamponamento cardíaco.
Pelve instável e choque: estabilização pélvica precoce.
Glasgow ≤ 8: indicação clássica de via aérea definitiva.
No trauma, a morte precoce geralmente vem de três mecanismos: hipóxia, hemorragia e lesão neurológica secundária.
A sequência ABCDE existe porque:
A: sem via aérea pérvia, o paciente morre por hipóxia rapidamente.
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B: via aérea aberta não garante ventilação adequada.
C: choque no trauma é hemorrágico até prova em contrário.
D: hipóxia e hipotensão pioram lesão cerebral traumática.
E: é preciso expor para encontrar lesões, mas evitar hipotermia.
A tríade letal do trauma é hipotermia, acidose e coagulopatia. Para prova, esse conceito aparece em choque hemorrágico grave, necessidade de controle rápido de sangramento e ressuscitação hemostática.
Taquicardia e hipotensão após trauma sugerem choque hemorrágico.
Alteração de consciência sugere hipóxia, choque, trauma cranioencefálico, intoxicação ou hipoglicemia.
Dispneia aguda no trauma torácico exige procurar lesões imediatamente fatais.
Glasgow ≤ 8 indica necessidade de via aérea definitiva.
Pele fria, pegajosa, enchimento capilar lento e pulso fino sugerem hipoperfusão.
Sangramento externo importante deve ser comprimido imediatamente.
Trauma abdominal fechado com instabilidade: não perder tempo com tomografia.
FAST positivo em paciente instável: sugere hemoperitônio e indica laparotomia, conforme contexto.
FAST negativo em paciente instável: procurar outras fontes de choque, como tórax, pelve, ossos longos e sangramento externo.
Idoso, gestante, criança e paciente em uso de beta-bloqueador podem mascarar taquicardia.
Trauma raquimedular pode cursar com choque neurogênico: hipotensão com bradicardia e pele quente.
Obstrução de via aérea, estridor, queimadura de face, rouquidão ou fuligem em orofaringe.
Saturação baixa apesar de oxigênio.
Hipotensão persistente.
Rebaixamento progressivo do nível de consciência.
Anisocoria ou sinais de herniação.
Instabilidade pélvica.
Ferida torácica aspirativa.
Ausência unilateral de murmúrio vesicular com instabilidade.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.