
A questão cobra o reconhecimento de um sinal radiológico epônimo do carpo. O sinal de Terry Thomas é o alargamento do espaço entre o escafoide e o semilunar na radiografia posteroanterior do punho, que indica ruptura do ligamento escafossemilunar interósseo, ou seja, dissociação escafossemilunar. Por isso a resposta é o deslocamento escafossemilunar, uma lesão ligamentar, e não uma das fraturas listadas.
Trauma em hiperextensão do punho + radiografia PA com espaço escafossemilunar alargado (sinal de Terry Thomas) = dissociação escafossemilunar → investigar instabilidade do carpo e encaminhar à cirurgia da mão
O sinal de Terry Thomas é o aumento do intervalo entre o escafoide e o semilunar visto na radiografia posteroanterior do punho. O nome vem do ator cômico britânico Terry-Thomas, famoso pelo espaço entre os dentes incisivos superiores. O sinal indica lesão do ligamento escafossemilunar interósseo, ou seja, dissociação escafossemilunar, que é a forma mais comum de instabilidade do carpo.
Para pesquisar o sinal, mede-se o espaço escafossemilunar na incidência PA. Valores acima de cerca de 3 mm são suspeitos, sobretudo quando o punho contralateral é normal. A incidência PA com o punho cerrado aumenta a carga sobre o carpo e acentua o afastamento quando há lesão ligamentar. Outros achados sugerem o mesmo diagnóstico: o sinal do anel cortical, causado pela flexão do escafoide, e o ângulo escafossemilunar aumentado na incidência de perfil, que caracteriza o padrão DISI. No exame físico, o teste de Watson (teste do desvio do escafoide) ajuda a avaliar a instabilidade.
Uma armadilha frequente é confundir esse sinal com fratura. O sinal de Terry Thomas reflete lesão ligamentar, embora a dissociação escafossemilunar possa coexistir com fraturas do rádio distal. Uma radiografia estática normal também não exclui lesão parcial ou dinâmica do ligamento escafossemilunar.
A fratura distal do rádio é uma lesão óssea e não define o sinal de Terry Thomas. Ela pode vir associada à lesão do ligamento escafossemilunar, mas o sinal, quando presente, aponta para a lesão ligamentar.
A fratura distal da ulna não altera o intervalo entre escafoide e semilunar. O sinal de Terry Thomas é específico da dissociação escafossemilunar.
No deslocamento (dissociação) escafossemilunar, a ruptura do ligamento interósseo afasta o escafoide do semilunar. Isso produz o alargamento do intervalo na radiografia PA, que é o sinal de Terry Thomas.
A fratura do escafoide se manifesta por dor na tabaqueira anatômica e traço de fratura no osso. Ela não cursa com o alargamento do espaço escafossemilunar.
Espaço escafossemilunar alargado na radiografia PA (sinal de Terry Thomas) é sinônimo de dissociação escafossemilunar, uma lesão ligamentar e não uma fratura. Associe também o sinal do anel cortical (escafoide fletido) e o teste de Watson à mesma lesão.
Radiologia musculoesquelética, para prova, é saber escolher o exame certo e reconhecer padrões clássicos de osso, articulação e partes moles. O que separa esse tema dos vizinhos é que a radiografia simples ainda é o primeiro exame na maioria das queixas ósseas, enquanto ressonância magnética domina medula óssea, partes moles, ligamentos, cartilagem, infecção e tumor.
A banca costuma cobrar um paciente com dor, trauma, limitação funcional, febre, aumento de volume, deformidade ou achado incidental em radiografia.
O padrão clássico é:
Trauma agudo: começar por radiografia em pelo menos duas incidências.
Dor óssea persistente com radiografia normal: pensar em fratura oculta, osteonecrose, osteomielite, tumor ou lesão por estresse, e pedir ressonância magnética.
Infecção osteoarticular: ressonância magnética é o melhor exame para extensão e diagnóstico precoce.
Artrite inflamatória: erosões marginais, osteopenia periarticular e redução uniforme do espaço articular.
Osteoartrose: osteófitos, esclerose subcondral, cistos subcondrais e redução assimétrica do espaço articular.
Lesão óssea agressiva: margem mal definida, zona de transição larga, reação periosteal agressiva e massa de partes moles.
A palavra que entrega o diagnóstico, em prova, costuma ser o padrão radiológico: “reação periosteal em casca de cebola”, “triângulo de Codman”, “nidus”, “lesão em saca-bocado”, “colapso subcondral”, “edema de medula óssea”.
O osso responde às agressões de forma limitada. Para prova, o raciocínio é mais importante que decorar nomes:
Lesão lenta: o osso tem tempo de formar borda esclerótica e margem bem definida.
Lesão rápida: margem mal definida, destruição cortical e reação periosteal agressiva.
Trauma: fratura pode ser evidente na radiografia ou oculta no início.
40 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Infecção: começa na medula óssea, depois acomete cortical, periósteo e partes moles.
Tumor: a idade do paciente, localização da lesão e padrão de agressividade matam a questão.
Degeneração articular: perda de cartilagem gera redução do espaço articular, osteófitos e esclerose.
Inflamação articular: sinovite causa erosões, osteopenia periarticular e redução mais uniforme do espaço.
Dor após trauma com suspeita de fratura.
Dor no quadril em idoso após queda, mesmo com radiografia inicial normal.
Dor óssea progressiva, noturna ou persistente.
Febre, dor localizada e elevação de PCR ou VHS, sugerindo osteomielite ou artrite séptica.
Monoartrite aguda.
Dor lombar com sinais de alarme.
Lesão óssea incidental em criança, adolescente ou adulto jovem.
Dor por sobrecarga em atleta ou militar, sugerindo fratura por estresse.
Dor no joelho com suspeita de lesão meniscal ou ligamentar.
Dor no ombro com suspeita de lesão do manguito rotador.
Lombalgia com irradiação radicular.
Tumoração de partes moles.
Artrite reumatoide, gota, espondiloartrite e osteoartrose.
Dor noturna progressiva.
Perda ponderal ou história de câncer.
Febre ou imunossupressão.
Déficit neurológico.
Trauma em idoso ou osteoporótico.
Incapacidade de deambular após queda.
Massa de partes moles profunda, maior que 5 cm ou em crescimento.
Dor desproporcional, gás em partes moles ou sinais sistêmicos, sugerindo infecção necrosante.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.