
A questão cobra a definição da síndrome de Kasabach-Merritt. Basta lembrar que ela é um distúrbio hematológico ligado a um tumor vascular, com aprisionamento e consumo de plaquetas e de fatores de coagulação. As demais alternativas descrevem trauma ou lesões hepáticas sem relação com a síndrome.
Lactente + tumor vascular volumoso e endurecido + plaquetopenia grave + hipofibrinogenemia e D-dímero elevado = fenômeno de Kasabach-Merritt → tratar o tumor
A síndrome de kasabach merritt (ou fenômeno de Kasabach-Merritt) é uma trombocitopenia grave com coagulopatia de consumo causada por um tumor vascular. As plaquetas ficam aprisionadas e são ativadas dentro do tumor, que consome também fibrinogênio e outros fatores. O quadro típico é um lactente com uma lesão vascular que cresce rapidamente, fica tensa e arroxeada, com petéquias e equimoses.
A descrição original (Kasabach e Merritt, 1940) falava em hemangioma gigante, e é assim que muitas provas ainda cobram. Hoje se sabe que o fenômeno ocorre quase sempre no hemangioendotelioma kaposiforme e no angioma em tufos, e não no hemangioma infantil comum. No laboratório, encontram-se plaquetopenia acentuada, hipofibrinogenemia e D-dímero elevado.
A conduta é tratar o tumor vascular, com sirolimo, corticoide ou vincristina conforme o protocolo. A transfusão de plaquetas é reservada para sangramento ativo ou cirurgia, porque pode aumentar o tumor e trazer pouco benefício. Armadilha comum: confundir a síndrome com complicações hemorrágicas de lesões hepáticas, como trauma ou ruptura de adenoma.
Trauma hepático com choque e óbito é um cenário de cirurgia do trauma, sem relação com consumo de plaquetas por tumor vascular.
A lesão de veia cava retro-hepática é uma complicação grave do trauma hepático, de difícil controle cirúrgico, e não define a síndrome.
É a definição clássica: trombocitopenia e coagulopatia de consumo associadas a um tumor vascular volumoso, descrito originalmente como hemangioma gigante.
Hematomas hepáticos múltiplos não definem a síndrome. O achado central é hematológico (plaquetopenia e consumo de fatores), não hepático.
A ruptura de adenoma hepático com choque é uma complicação conhecida do adenoma, associada ao uso de anticoncepcional oral, e não tem relação com a síndrome.
Tumor vascular + plaquetopenia grave + consumo de fibrinogênio = Kasabach-Merritt. Se a prova perguntar o tumor envolvido, a resposta é hemangioendotelioma kaposiforme ou angioma em tufos, não o hemangioma infantil comum.
Hemostasia primária é problema de plaqueta ou vaso: sangramento de mucosa, pele e início imediato. Hemostasia secundária é problema de fator de coagulação: sangramento profundo, hematoma, hemartrose e sangramento tardio.
Para prova, o mais importante é separar pelo padrão de sangramento e pelos exames:
Hemostasia primária: plaquetopenia, disfunção plaquetária ou doença de von Willebrand. Costuma alterar plaquetas, tempo de sangramento ou função plaquetária. TP e TTPa geralmente normais, exceto von Willebrand, que pode aumentar TTPa.
Hemostasia secundária: deficiência de fatores, hemofilias, anticoagulantes ou deficiência de vitamina K. Costuma alterar TP, TTPa ou ambos.
O dado que mata a questão é: petéquias e sangramento mucocutâneo apontam para hemostasia primária; hemartrose e hematoma muscular apontam para hemostasia secundária.
A banca costuma montar a questão com um paciente sangrando e pedir a interpretação dos exames.
Padrões clássicos:
Petéquias, púrpura, epistaxe, gengivorragia, menorragia, sangramento imediato após procedimento: pense em hemostasia primária.
Hemartrose, hematoma profundo, sangramento muscular, sangramento tardio pós-cirúrgico: pense em hemostasia secundária.
Plaquetas baixas com TP e TTPa normais: plaquetopenia, especialmente púrpura trombocitopênica imune quando isolada.
Plaquetas normais, TP normal e TTPa alargado: hemofilia A, hemofilia B ou doença de von Willebrand.
TP alargado isolado: fator VII, varfarina ou deficiência inicial de vitamina K.
TP e TTPa alargados: coagulação intravascular disseminada, hepatopatia grave, anticoagulação intensa ou deficiência avançada de vitamina K.
Plaquetas baixas, esquizócitos, anemia hemolítica microangiopática e lesão renal ou neurológica: pensar em microangiopatia trombótica.
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Palavras que entregam o diagnóstico:
Hemartrose em menino: hemofilia.
Sangramento mucocutâneo desde jovem com história familiar e TTPa normal ou aumentado: doença de von Willebrand.
Plaquetopenia isolada após infecção viral, sem anemia nem leucopenia: púrpura trombocitopênica imune.
Plaquetopenia, TP/TTPa alargados, fibrinogênio baixo e D-dímero alto: coagulação intravascular disseminada.
Plaquetopenia com esquizócitos e insuficiência renal após diarreia: síndrome hemolítico-urêmica.
Plaquetopenia com esquizócitos e alteração neurológica: púrpura trombocitopênica trombótica.
A hemostasia primária forma o tampão plaquetário inicial. Depende de:
endotélio e fator de von Willebrand;
adesão plaquetária via glicoproteína Ib;
ativação e liberação de grânulos plaquetários;
agregação via glicoproteína IIb/IIIa e fibrinogênio.
Se falha, o sangue escapa em vasos pequenos e mucosas. Por isso aparecem petéquias, púrpura, epistaxe, gengivorragia e menorragia.
A hemostasia secundária estabiliza o tampão com fibrina. Depende da cascata de coagulação:
via extrínseca: fator VII, avaliada principalmente pelo TP/INR;
via intrínseca: fatores XII, XI, IX e VIII, avaliada pelo TTPa;
via comum: fatores X, V, II e fibrinogênio, altera TP e TTPa quando comprometida.
Se falha, o sangramento é mais profundo e tardio, com hematomas, hemartroses e sangramento pós-operatório prolongado.
Regra prática: plaqueta segura mucosa; fator segura profundidade.
Hemostasia primária:
Petéquias.
Púrpura.
Equimoses superficiais.
Epistaxe.
Gengivorragia.
Menorragia.
Sangramento imediato após extração dentária, punção ou cirurgia.
História de uso de AAS, clopidogrel, anti-inflamatório não esteroidal ou uremia.
Hemostasia secundária:
Hemartrose.
Hematoma muscular.
Equimose extensa.
Sangramento retroperitoneal.
Sangramento tardio após cirurgia.
Sangramento recorrente em menino, especialmente com história familiar materna.
Doença de von Willebrand:
Sangramento mucocutâneo.
Menorragia.
Epistaxe.
Sangramento após procedimento.
TTPa pode ser normal ou aumentado, porque o fator de von Willebrand carrega e protege o fator VIII.
Hemofilia A e B:
Herança ligada ao X.
Hemofilia A: deficiência do fator VIII.
Hemofilia B: deficiência do fator IX.
Plaquetas e TP normais.
TTPa aumentado.
Mistura com plasma normal corrige o TTPa quando há deficiência de fator sem inibidor.
Coagulação intravascular disseminada:
Sangramento e trombose ao mesmo tempo.
Sepse, trauma, câncer, complicação obstétrica ou acidente ofídico como gatilho.
Plaquetopenia, TP prolongado, TTPa prolongado, fibrinogênio baixo e D-dímero alto.
Plaquetopenia com anemia e leucopenia: não chamar de púrpura trombocitopênica imune sem investigar medula, neoplasia, aplasia ou infiltração.
Plaquetopenia com esquizócitos: pensar em microangiopatia trombótica, não transfundir plaqueta de rotina.
Sangramento grave com anticoagulante: precisa reversão específica.
Hemartrose recorrente: hemofilia até prova em contrário.
Sangramento com instabilidade hemodinâmica: reanimação, hemoderivados e controle da fonte antes de investigação fina.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.