
A questão cobra as indicações e contraindicações de vacinas nas imunodeficiências primárias segundo o Manual dos CRIE. Na doença granulomatosa crônica o defeito é dos fagócitos, que não conseguem destruir bactérias e fungos fagocitados. Por isso a contraindicação recai sobre a vacina bacteriana viva, a BCG, e não sobre as vacinas virais vivas.
Doença granulomatosa crônica (defeito da NADPH oxidase dos fagócitos) + vacina bacteriana viva = risco de BCG disseminada → BCG contraindicada; vacinas virais vivas permitidas
O centro de referência para imunobiológicos especiais crie é a rede do Programa Nacional de Imunizações que oferece vacinas e imunoglobulinas para pessoas com condições clínicas especiais, como imunodeficiências, asplenia, transplantes e doenças crônicas. O Manual dos CRIE define quem recebe o quê e quais vacinas são contraindicadas em cada situação.
A doença granulomatosa crônica é uma imunodeficiência primária causada por defeito na NADPH oxidase dos fagócitos. Sem a explosão respiratória, neutrófilos e macrófagos fagocitam, mas não destroem, bactérias catalase-positivas (como Staphylococcus aureus, Serratia, Burkholderia e Nocardia), fungos (sobretudo Aspergillus) e micobactérias. Por esse motivo a vacina BCG, feita com Mycobacterium bovis vivo atenuado, pode causar doença local grave ou disseminada e está contraindicada.
A armadilha é generalizar para todas as vacinas vivas atenuadas. Na doença granulomatosa crônica, a imunidade antiviral (linfócitos T e anticorpos) está preservada, e o manual permite vacinas virais vivas como tríplice viral, varicela, febre amarela e rotavírus. A restrição vale para as vacinas bacterianas vivas, como a BCG e a vacina oral contra febre tifoide.
A BCG contém Mycobacterium bovis vivo atenuado. Como os fagócitos na doença granulomatosa crônica não destroem micobactérias, há risco de BCGíte e de doença disseminada, e por isso o Manual dos CRIE a contraindica.
A vacina rotavírus é viral viva atenuada e não é contraindicada na doença granulomatosa crônica, porque a imunidade antiviral está preservada. As contraindicações dela nas imunodeficiências se referem sobretudo às imunodeficiências combinadas graves.
A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é viral viva e pode ser aplicada na doença granulomatosa crônica, pois o defeito fagocitário não compromete a resposta aos vírus vacinais.
A vacina febre amarela é viral viva atenuada e não está contraindicada na doença granulomatosa crônica pelo Manual dos CRIE, desde que não haja outra contraindicação associada.
Nos defeitos de fagócito, como a doença granulomatosa crônica, a contraindicação é das vacinas bacterianas vivas (BCG e febre tifoide oral). As vacinas virais vivas são liberadas.
Vacinação em pediatria é tema de prova sobre calendário, contraindicações, atraso vacinal, eventos adversos e situações especiais. O que separa esse tema dos vizinhos é que a banca não quer teoria imunológica longa: quer saber qual vacina fazer, quando fazer, quando não fazer e qual exceção muda a conduta.
A banca costuma cobrar criança com carteira vacinal incompleta, recém-nascido, prematuro, lactente em uso de corticoide, criança imunossuprimida, contato com doença infectocontagiosa ou reação após vacina.
O dado que mata a questão geralmente é:
idade da criança;
vacina viva ou inativada;
atraso vacinal;
história de anafilaxia;
imunossupressão;
gestação na adolescente;
prematuridade;
contato com varicela, sarampo, hepatite B ou tétano;
intervalo mínimo entre doses.
Para prova, o mais importante é reconhecer que vacina atrasada não reinicia esquema. Continua de onde parou.
Vacinas inativadas não têm microrganismo vivo replicante. Podem ser feitas em imunossuprimidos, mas a resposta pode ser menor.
Vacinas vivas atenuadas têm microrganismo vivo enfraquecido. São mais imunogênicas, mas são contraindicadas em imunossupressão grave e gestação.
Vacinas vivas parenterais diferentes, quando não aplicadas no mesmo dia, devem respeitar intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Exemplos: tríplice viral, varicela e febre amarela.
Vacinas inativadas podem ser aplicadas simultaneamente ou com qualquer intervalo entre si.
1089 questões do tema no qBank, cada uma com comentário e resumo do tema, revisão espaçada do que você errou e flashcards do mesmo assunto.
Criança com atraso vacinal: não reiniciar esquema.
Recém-nascido: BCG e hepatite B ao nascer.
Lactente: vacinas de 2, 3, 4, 5, 6, 7, 9 e 12 meses.
Imunossuprimido: evitar vacinas vivas.
Anafilaxia após dose anterior: contraindicação à nova dose da mesma vacina.
Prematuro: vacinar pela idade cronológica, salvo exceções específicas.
Febre leve, resfriado ou diarreia leve: não contraindicam vacinação.
BCG só deve ser aplicada em recém-nascido com peso ≥ 2 kg.
Hepatite B deve ser feita nas primeiras 12 horas de vida, especialmente se mãe HBsAg positiva ou desconhecida.
Rotavírus tem limite de idade para iniciar e completar o esquema.
Febre amarela é vacina viva e exige atenção em imunossupressão, gestação e lactentes pequenos.
Influenza é anual.
HPV é prevenção oncológica e deve ser feito antes do início da vida sexual, mas não depende disso para indicação.
Anafilaxia verdadeira após vacina ou componente.
Encefalopatia até 7 dias após vacina com componente pertussis sem outra causa identificada.
Imunodeficiência grave recebendo vacina viva.
Gestante recebendo vacina viva.
Doença moderada ou grave no dia da vacinação: adiar.
Evento neurológico grave temporalmente associado à vacina: avaliar antes de novas doses.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.