
A questão cobra o diagnóstico diferencial das formas clínicas de abortamento a partir do exame do colo e da ultrassonografia. Com sangramento leve, orifício cervical interno fechado e saco gestacional de 10 mm com vesícula vitelina regular em gestação de cerca de 5 semanas e meia, a ausência de embrião é esperada e não há critério de perda gestacional. O diagnóstico é ameaça de abortamento, com conduta expectante e ultrassonografia seriada.
Sangramento discreto + colo fechado + saco gestacional de 10 mm com vesícula vitelina sem embrião em cerca de 5 semanas e meia = ameaça de abortamento → conduta expectante e USG seriada
As vesículas vitelinas (no singular, vesícula vitelina ou saco vitelínico) são a primeira estrutura que aparece dentro do saco gestacional na ultrassonografia transvaginal, em geral por volta de 5 a 6 semanas. Ver a vesícula vitelina confirma que a gestação é intrauterina, mas não prova viabilidade: isso só é possível quando se identifica embrião com batimento cardíaco, o que costuma ocorrer a partir de cerca de 6 semanas.
Para afirmar perda gestacional, usam-se critérios objetivos: embrião com comprimento cabeça-nádega maior ou igual a 7 mm sem batimento cardíaco, saco gestacional com diâmetro médio maior ou igual a 25 mm sem embrião (gestação anembrionada), ausência de embrião com batimento 2 semanas ou mais após um exame que mostrava saco sem vesícula vitelina, ou 11 dias ou mais após um exame que mostrava saco com vesícula vitelina. Fora desses critérios, o achado é apenas suspeito ou normal para a idade gestacional, e o correto é repetir o exame.
Armadilhas frequentes: saco gestacional pequeno com vesícula vitelina e sem embrião, no início da gestação, não é gestação anembrionada. Uma vesícula vitelina aumentada (maior que 7 mm) é sinal suspeito, não definitivo, de mau prognóstico. Um hematoma subcoriônico pequeno não muda o diagnóstico nem a conduta, apenas reforça a necessidade de seguimento.
Abortamento retido exige embrião sem atividade cardíaca dentro dos critérios de perda gestacional. Aqui o embrião ainda não é esperado para a idade gestacional e nada indica óbito.
Gestação anembrionada exige saco gestacional com diâmetro médio maior ou igual a 25 mm sem embrião, ou ausência de embrião no seguimento dentro do prazo definido. Um saco de 10 mm com vesícula vitelina em 5 semanas e meia é compatível com gestação normal, e esvaziar o útero seria interromper uma gestação possivelmente viável.
Sangramento leve com colo fechado e gestação intrauterina sem critérios de perda caracterizam ameaça de abortamento. A conduta é expectante, com reavaliação ultrassonográfica. O repouso é orientação tradicional, embora sem benefício comprovado.
Abortamento inevitável cursa com colo dilatado e sangramento mais intenso, geralmente com dor importante. O orifício interno fechado afasta essa hipótese.
Abortamento incompleto pressupõe eliminação parcial de restos ovulares, com colo em geral pérvio e útero com conteúdo heterogêneo. O saco gestacional íntegro com vesícula vitelina descarta esse diagnóstico.
Colo fechado com saco gestacional abaixo de 25 mm e sem critério de perda gestacional não é diagnóstico de aborto: é ameaça de abortamento ou gestação inicial, e a conduta é repetir a ultrassonografia, nunca esvaziar o útero.
Abortamento é a interrupção da gestação antes da viabilidade fetal, classicamente antes de 20 a 22 semanas ou com concepto menor que 500 g, e para prova o ponto central é reconhecer o padrão de sangramento da 1ª metade e diferenciar ameaça, inevitável, incompleto, completo, retido, infectado e recorrente.
O que separa abortamento dos vizinhos é: gravidez intrauterina com sangramento e dor, sem sinais de gestação ectópica ou doença trofoblástica gestacional.
A banca costuma trazer gestante com atraso menstrual, beta-hCG positivo, sangramento vaginal e cólica em hipogástrio. O dado que mata a questão é a combinação entre:
colo uterino aberto ou fechado;
presença ou ausência de restos ovulares;
vitalidade embrionária;
sinais de infecção;
estabilidade hemodinâmica.
Padrões clássicos:
sangramento discreto, cólica leve, colo fechado e embrião vivo: ameaça de abortamento;
sangramento intenso, cólica forte, colo aberto e produto ainda não eliminado: abortamento inevitável;
eliminação parcial de restos, colo aberto e material intrauterino ao ultrassom: abortamento incompleto;
eliminação completa, colo fechado e útero vazio: abortamento completo;
embrião sem batimento, colo fechado e sem expulsão: abortamento retido;
febre, dor pélvica, secreção purulenta ou odor fétido: abortamento infectado.
Para prova, o exame mais cobrado é a ultrassonografia transvaginal.
Na maioria dos abortamentos espontâneos do 1º trimestre, a causa é alteração cromossômica embrionária. Isso é importante porque explica por que a conduta costuma ser expectante ou esvaziamento uterino conforme o caso, e não investigação extensa no primeiro episódio.
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Quanto mais precoce o abortamento, maior a chance de causa embrionária. Quando há perdas repetidas, a banca passa a cobrar investigação de abortamento recorrente, especialmente síndrome antifosfolípide, alterações uterinas, fatores genéticos parentais e causas endócrinas.
O sangramento ocorre por descolamento do saco gestacional e ruptura de vasos deciduais. A dor tipo cólica aparece pela contração uterina tentando expulsar o conteúdo gestacional.
Sangramento vaginal na 1ª metade da gestação.
Dor tipo cólica em baixo ventre.
Beta-hCG positivo.
Colo uterino fechado na ameaça e no abortamento retido.
Colo uterino aberto no abortamento inevitável e incompleto.
Ultrassonografia definindo vitalidade, idade gestacional e presença de restos ovulares.
Perda de coágulos ou tecido pela vagina.
Redução de sintomas gestacionais em abortamento retido.
Útero menor que o esperado para idade gestacional.
Sangramento autolimitado após eliminação completa do conteúdo.
Incompatibilidade Rh com necessidade de imunoglobulina anti-D em gestante Rh negativo não sensibilizada.
Instabilidade hemodinâmica.
Sangramento volumoso.
Dor abdominal intensa ou sinais de irritação peritoneal.
Febre, calafrios, secreção purulenta ou odor fétido.
Dor anexial ou massa anexial, que sugerem gestação ectópica.
Útero aumentado desproporcionalmente, hiperêmese intensa ou vesículas, que sugerem doença trofoblástica gestacional.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.