
A questão cobra a base fisiopatológica da pré-eclâmpsia, antigamente chamada DHEG. A placentação deficiente gera isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos, que causam disfunção endotelial sistêmica. O resultado é vasoconstrição com aumento da permeabilidade vascular, o que leva à alternativa D.
Placentação anormal + isquemia placentária + fatores antiangiogênicos (sFlt-1, endoglina solúvel) = disfunção endotelial → vasoconstrição + aumento da permeabilidade vascular
DHEG (doença hipertensiva específica da gestação) é o nome antigo da pré-eclâmpsia, ainda muito usado em provas brasileiras. Hoje se fala em síndromes hipertensivas da gestação, e a pré-eclâmpsia é definida como hipertensão após 20 semanas associada a proteinúria ou a sinais de lesão de órgão-alvo. Quem pesquisa dheg para a prova precisa entender que se trata de uma doença do endotélio que começa na placenta.
Na fisiopatologia, a invasão trofoblástica falha e as artérias espiraladas não se remodelam. Isso gera isquemia placentária, que libera na circulação materna fatores antiangiogênicos como o sFlt-1 e a endoglina solúvel. Esses fatores reduzem a ação do VEGF e do PlGF e produzem disfunção endotelial generalizada, com vasoconstrição, aumento da resistência vascular periférica, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária e da coagulação.
A armadilha clássica é confundir a gestação normal com a pré-eclâmpsia. A gestação normal tem vasodilatação, queda da resistência vascular e expansão do volume plasmático. A pré-eclâmpsia tem o padrão oposto, com vasoconstrição e volume intravascular reduzido. Por isso surge a hemoconcentração, mesmo com edema, já que o líquido extravasa para o interstício.
Na pré-eclâmpsia a resistência vascular periférica aumenta por causa da vasoconstrição e da maior sensibilidade a vasopressores. A diminuição da resistência é própria da gestação normal.
O volume plasmático está reduzido em relação à gestação normal, e a hemoconcentração é um achado típico. O aumento do volume plasmático é a adaptação fisiológica da gravidez sem doença.
A diminuição da retenção de sódio não faz parte da fisiopatologia. A queda da filtração glomerular tende a reduzir a excreção renal, e o edema resulta sobretudo do extravasamento capilar.
A disfunção endotelial aumenta a permeabilidade vascular. Isso explica o edema, a proteinúria e a hemoconcentração da pré-eclâmpsia.
Pré-eclâmpsia é doença endotelial e funciona como o espelho da gestação normal: vasoconstrição, resistência alta, volume plasmático baixo e permeabilidade aumentada.
DHEG é o espectro de hipertensão que surge na gestação, em geral após 20 semanas: hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia (com ou sem sinais de gravidade), eclâmpsia e síndrome HELLP. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 (DBHA 2025) classifica os distúrbios hipertensivos da gestação em pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, hipertensão crônica com pré-eclâmpsia sobreposta e hipertensão gestacional, e acrescentou hipertensão do avental branco, hipertensão mascarada e PRES.
Para prova, gestante após 20 semanas com PA ≥ 140/90 mmHg é DHEG até prova em contrário. O que decide a conduta é separar:
Hipertensão sem gravidade: vigilância materno-fetal e parto com 37 semanas.
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade: sulfato de magnésio, anti-hipertensivo se PA ≥ 160/110 e parto no momento seguro.
Eclâmpsia: convulsão em gestante com pré-eclâmpsia; a droga de escolha é o sulfato de magnésio, não o diazepam.
Critério de hipertensão na gestação: PAS ≥ 140 e/ou PAD ≥ 90 mmHg em duas medidas com pelo menos 4 horas de intervalo, sentada, com a PAD no 5º som de Korotkoff.
Hipertensão grave: PAS ≥ 160 e/ou PAD ≥ 110 mmHg. Se persistir por 15 minutos ou mais, tratar já, para evitar AVC materno.
Proteinúria significativa: ≥ 300 mg em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3. Fita só quando não houver método quantitativo.
Pré-eclâmpsia sem proteinúria: basta hipertensão com sinal de gravidade (plaquetas < 100.000/mm³, creatinina > 1,1 mg/dL ou o dobro da basal, transaminases no dobro do normal, edema pulmonar, sintomas visuais ou cefaleia sem outra causa).
Profilaxia: AAS em dose baixa na gestante de alto risco, começando antes de 16 semanas.
Conduta que mais cai: sulfato de magnésio para prevenir e tratar convulsão, anti-hipertensivo se PA ≥ 160/110, parto como tratamento definitivo.
O dado que mata a questão
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A doença começa na placenta:
Invasão trofoblástica deficiente e remodelamento inadequado das artérias espiraladas.
Hipoperfusão placentária com liberação de fatores antiangiogênicos (sFlt-1) e queda do PlGF.
Disfunção endotelial sistêmica materna: vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação da coagulação.
Consequências práticas para prova:
Vasoconstrição causa hipertensão; lesão do endotélio glomerular causa proteinúria.
Lesão hepática causa dor epigástrica ou no hipocôndrio direito e aumento de transaminases.
Lesão cerebral causa cefaleia, escotomas, hiperreflexia, convulsão e PRES (edema vasogênico parieto-occipital na ressonância).
Consumo plaquetário e microangiopatia causam plaquetopenia e síndrome HELLP.
Insuficiência placentária causa restrição de crescimento fetal, oligodrâmnio, sofrimento fetal e descolamento prematuro de placenta.
Gestante após 20 semanas com PA ≥ 140/90 mmHg.
Proteinúria.
Cefaleia persistente, escotomas ou turvação visual.
Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito.
Edema de face e mãos com ganho de peso súbito.
Hiperreflexia, náuseas e vômitos em contexto hipertensivo, oligúria.
Edema isolado não fecha diagnóstico: é comum na gestação normal.
Restrição de crescimento fetal, oligodrâmnio, Doppler alterado.
Descolamento prematuro de placenta.
Edema agudo de pulmão.
Plaquetopenia, AST e ALT elevadas, creatinina elevada.
Convulsão tônico-clônica generalizada, inclusive no puerpério.
Hipertensão do avental branco e mascarada na gestação, avaliadas por MAPA ou MRPA (corte de 135/85 mmHg).
Pense em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade se houver:
PA ≥ 160/110 mmHg.
Cefaleia intensa ou persistente, alterações visuais.
Dor epigástrica ou no hipocôndrio direito.
Plaquetas < 100.000/mm³.
Creatinina > 1,1 mg/dL ou o dobro da basal.
Transaminases no dobro do normal.
Edema agudo de pulmão ou oligúria.
Eclâmpsia, HELLP, descolamento de placenta ou sofrimento fetal.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.