
A questão cobra os limites anatômicos das zonas do pescoço no trauma penetrante cervical. A zona II é limitada inferiormente pela cartilagem cricoide e superiormente pelo ângulo da mandíbula, o que leva à alternativa B. O hematoma pulsátil do enunciado é apenas o contexto clínico de lesão vascular.
Trauma penetrante cervical + hematoma pulsátil + pergunta sobre a zona das carótidas = zona II (cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula) → sinal maior, exploração cirúrgica
Para orientar o atendimento do trauma penetrante, o pescoço é dividido em três zonas anatômicas, divisão clássica proposta por Roon e Christensen em 1979. A zona I vai da fúrcula esternal e das clavículas até a cartilagem cricoide. A zona II do pescoço vai da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula. A zona III vai do ângulo da mandíbula até a base do crânio.
Na zona II estão as estruturas mais cobradas em prova: carotida e jugular (carótida comum, sua bifurcação e veia jugular interna, dentro da bainha carotídea), além de laringe, traqueia, faringe, esôfago e nervo vago. É a zona de acesso cirúrgico mais fácil, por incisão ao longo da borda anterior do esternocleidomastoideo. A zona I abriga os vasos da base (subclávias, tronco braquiocefálico, carótidas proximais), traqueia, esôfago e ducto torácico. A zona III contém a carótida interna distal, o segmento distal da artéria vertebral e pares cranianos, com acesso cirúrgico difícil.
Armadilha: a zona orienta o acesso cirúrgico, mas não decide sozinha a conduta. Ferimento que viola o platisma e apresenta sinais maiores (hematoma pulsátil ou em expansão, sangramento ativo, frêmito ou sopro, choque, déficit de pulso, ar borbulhando pela ferida) indica exploração cirúrgica imediata em qualquer zona. No paciente estável sem esses sinais, a tendência atual é investigar com angiotomografia em vez de explorar de rotina.
Ângulo da mandíbula e base do crânio são os limites da zona III, região de acesso cirúrgico difícil, onde estão a carótida interna distal e pares cranianos.
Os limites da zona II são a cartilagem cricoide (inferior) e o ângulo da mandíbula (superior). Nessa região a carótida e a jugular interna são mais acessíveis à exploração cirúrgica.
Fúrcula esternal e cartilagem cricoide são os limites da zona I, que contém os vasos da base, a traqueia, o esôfago e o ducto torácico.
Não existe zona cervical definida pelo ângulo da mandíbula e por uma linha paravertebral. As zonas do pescoço são delimitadas por referências horizontais: clavículas e fúrcula, cricoide, ângulo da mandíbula e base do crânio.
Memorize de baixo para cima: fúrcula, cricoide, ângulo da mandíbula, base do crânio, que separam as zonas I, II e III. Lembre também que sinal maior, como hematoma pulsátil, indica cirurgia em qualquer zona.
Trauma cervical é lesão traumática do pescoço com risco imediato de morte por comprometimento de via aérea, grandes vasos, trato aerodigestivo ou coluna cervical. Para prova, o mais importante é reconhecer sinais de instabilidade e decidir entre exploração cirúrgica imediata, angiotomografia ou observação.
O que separa este tema dos vizinhos é a anatomia concentrada: em poucos centímetros passam carótidas, jugulares, laringe, traqueia, faringe, esôfago, medula espinal e plexos nervosos.
A banca costuma cobrar trauma penetrante cervical, principalmente ferimento por arma branca ou arma de fogo, perguntando se o paciente vai direto para centro cirúrgico ou se deve fazer angiotomografia.
O perfil clássico é:
Homem jovem vítima de ferimento penetrante no pescoço.
Ferimento entre mandíbula e clavículas.
Pode chegar estável ou instável.
O dado que mata a questão é a presença de sinais duros de lesão vascular ou aerodigestiva.
Palavras que entregam gravidade:
Sangramento ativo.
Hematoma expansivo.
Sopro ou frêmito.
Choque.
Enfisema subcutâneo importante.
Estridor.
Hemoptise ou hematêmese.
Disfagia ou odinofagia.
Déficit neurológico focal.
Escape de ar pela ferida.
Para prova, paciente instável ou com sinal duro não vai para exame: vai para controle de via aérea e exploração cirúrgica.
O pescoço é dividido em zonas anatômicas, mas a tendência atual é menos decorar zona e mais estratificar por estabilidade e sinais clínicos.
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Zonas clássicas:
Zona I: da clavícula ao cricoide. Lesões podem envolver vasos subclávios, ápice pulmonar, traqueia, esôfago e grandes vasos torácicos.
Zona II: do cricoide ao ângulo da mandíbula. É a mais exposta e a mais comum.
Zona III: do ângulo da mandíbula à base do crânio. Pode envolver carótida distal, vertebral e base do crânio.
A lógica de prova:
Instabilidade mata antes do diagnóstico completo.
Via aérea difícil deve ser antecipada.
Lesão vascular pode sangrar para fora ou formar hematoma expansivo.
Lesão de laringe, traqueia, faringe ou esôfago pode ter poucos sinais no início, mas complicar com mediastinite, abscesso profundo e sepse.
Sinais duros de lesão cervical:
Sangramento ativo importante.
Hematoma expansivo ou pulsátil.
Choque ou instabilidade hemodinâmica.
Sopro ou frêmito cervical.
Déficit neurológico focal.
Isquemia cerebral ou acidente vascular encefálico após trauma.
Escape de ar pela ferida.
Estridor ou insuficiência respiratória.
Hemoptise volumosa.
Hematêmese.
Esses achados indicam conduta agressiva, geralmente exploração cirúrgica ou controle imediato da via aérea.
Sinais sugestivos, mas não necessariamente indicação automática de cirurgia:
Disfagia.
Odinofagia.
Rouquidão.
Enfisema subcutâneo discreto.
Dor cervical.
Pequena hemoptise.
Vômitos com sangue em pequena quantidade.
Ferimento próximo a trajeto vascular.
Alteração de voz.
Salivação pela ferida.
Nesses casos, se o paciente está estável, a banca costuma aceitar angiotomografia cervical como exame inicial.
Estridor: pense em lesão laríngea ou traqueal e risco de perda de via aérea.
Hematoma cervical progressivo: não espere exame se estiver expandindo.
Sangramento orofaríngeo importante: pode dificultar intubação.
Ferimento transfixante: maior risco de lesão aerodigestiva ou vascular.
Enfisema subcutâneo extenso: sugere lesão de via aérea ou esôfago.
Instabilidade hemodinâmica: centro cirúrgico, não tomografia.
Déficit neurológico focal após ferimento cervical: pensar em lesão carotídea ou vertebral.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.