
A questão cobra um epônimo clássico da semiologia oncológica: a localização do linfonodo de Virchow. Ele fica na fossa supraclavicular esquerda, região que recebe a linfa do ducto torácico, que drena o abdome. Por isso esse linfonodo pode ser a primeira manifestação de uma neoplasia abdominal, sobretudo gástrica. A resposta é a alternativa A.
Linfonodo supraclavicular esquerdo palpável + drenagem do ducto torácico = linfonodo de Virchow (sinal de Troisier) → investigar neoplasia abdominal, principalmente câncer gástrico
O linfonodo de Virchow é o linfonodo supraclavicular esquerdo aumentado, palpável na fossa supraclavicular esquerda, próximo à inserção clavicular do músculo esternocleidomastoideo. A explicação é anatômica: o ducto torácico drena a linfa do abdome, da pelve e dos membros inferiores e desemboca no ângulo venoso esquerdo (junção da veia jugular interna esquerda com a veia subclávia esquerda). Células tumorais que seguem essa via podem se implantar nesse linfonodo. O achado clínico desse linfonodo palpável recebe o nome de sinal de Troisier.
No câncer gástrico, o linfonodo de Virchow indica doença disseminada: o acometimento de linfonodo supraclavicular é considerado metástase a distância (M1), e não linfonodo regional. O achado também pode ocorrer em outras neoplasias abdominais e pélvicas (pâncreas, vias biliares, cólon, rim, testículo, ovário), além de linfomas. A pesquisa é feita por palpação da fossa supraclavicular esquerda, idealmente com o paciente sentado e realizando manobra de Valsalva. A confirmação é feita por punção aspirativa ou biópsia.
A armadilha mais comum é confundir os epônimos de disseminação do câncer gástrico. O nódulo da irmã Maria José é umbilical. O linfonodo de Irish é axilar esquerdo. A prateleira de Blumer é um implante peritoneal no fundo de saco, palpável ao toque retal. O tumor de Krukenberg é a metástase ovariana. Também convém lembrar que o linfonodo supraclavicular direito drena sobretudo o mediastino, os pulmões e o esôfago.
É a localização do linfonodo de Virchow: a fossa supraclavicular esquerda, onde termina o ducto torácico. É a resposta.
A região periumbilical corresponde ao nódulo da irmã Maria José, que é uma metástase umbilical de neoplasia intra-abdominal ou pélvica. Não é o linfonodo de Virchow.
A cadeia cervical posterior não tem relação com a desembocadura do ducto torácico. Não corresponde ao epônimo.
Os linfonodos do tronco celíaco são profundos e não palpáveis. No câncer gástrico eles são linfonodos regionais, e não o linfonodo de Virchow.
A cadeia cervical anterior não é a localização do linfonodo de Virchow, que é especificamente supraclavicular esquerdo.
Virchow é supraclavicular esquerdo, Irish é axilar esquerdo, irmã Maria José é umbilical, Blumer é fundo de saco e Krukenberg é ovário. No câncer gástrico, linfonodo supraclavicular significa metástase a distância.
Câncer de estômago, para prova, quase sempre significa adenocarcinoma gástrico, geralmente associado a gastrite crônica por Helicobacter pylori, tabagismo, dieta rica em sal e nitrosaminas, história familiar ou lesões pré-malignas. O que separa este tema dos vizinhos é: sintomas vagos no início, diagnóstico por endoscopia digestiva alta com biópsia e estadiamento definindo se o tratamento será cirúrgico, perioperatório ou paliativo.
A banca costuma cobrar adulto mais velho, perda ponderal, anorexia, dor epigástrica persistente, saciedade precoce, náuseas, vômitos, anemia ferropriva ou sangramento digestivo oculto. A palavra que entrega o diagnóstico costuma ser "endoscopia com lesão ulcerada infiltrativa" ou "biópsia mostrando adenocarcinoma".
Perfil clássico:
Homem, idade > 50 anos, emagrecimento e dispepsia de início recente.
História de H. pylori, gastrite atrófica, metaplasia intestinal, tabagismo ou dieta rica em alimentos salgados e defumados.
Lesão em antro ou corpo, podendo ser tipo intestinal de Lauren.
Em jovem, mulher, sangue tipo A, história familiar e lesão difusa com células em anel de sinete, pense em tipo difuso.
Sintomas-chave:
Perda de peso.
Anorexia.
Dor epigástrica persistente.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Vômitos se obstrução pilórica.
Disfagia se tumor de cárdia ou junção esofagogástrica.
Achados clássicos de prova:
Linfonodo de Virchow: supraclavicular esquerdo.
Nódulo da irmã Maria José: metástase umbilical.
Prateleira de Blumer: implante no fundo de saco retal ao toque.
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Acanthose nigricans ou sinal de Leser-Trélat: síndrome paraneoplásica rara, mas típica de prova.
O caminho mais cobrado é a sequência inflamatória crônica: H. pylori causa gastrite crônica, que pode evoluir para atrofia gástrica, metaplasia intestinal, displasia e adenocarcinoma, especialmente no tipo intestinal. Esse tipo costuma formar massa ou úlcera, é mais associado a fatores ambientais e aparece em pacientes mais velhos.
O tipo difuso não depende tanto da sequência metaplasia-displasia. Ele infiltra a parede, pode produzir células em anel de sinete e causar linite plástica, com estômago rígido, pouco distensível. Para prova, esse é o tipo que aparece em pacientes mais jovens, com pior prognóstico e relação com mutações germinativas em CDH1 em casos familiares.
Regra prática: intestinal é mais ambiental e glandular; difuso é mais infiltrativo, anel de sinete e linite plástica.
Dispepsia nova em paciente > 50 anos.
Emagrecimento inexplicado.
Dor epigástrica persistente.
Anorexia.
Saciedade precoce.
Anemia ferropriva.
Sangramento digestivo oculto.
Náuseas e vômitos se tumor distal com obstrução de saída gástrica.
Disfagia progressiva se tumor proximal ou de cárdia.
Massa epigástrica palpável em doença avançada.
Ascite por carcinomatose peritoneal.
Dor óssea, icterícia ou hepatomegalia por metástases.
Tromboflebite migratória como síndrome de Trousseau.
Em dispepsia, os sinais de alarme que obrigam investigação endoscópica são:
Perda de peso.
Anemia.
Sangramento gastrointestinal.
Disfagia.
Odinofagia.
Vômitos persistentes.
Massa abdominal ou linfonodomegalia.
História familiar de câncer gastrointestinal alto.
Idade mais avançada com início recente dos sintomas.
Para prova, dispepsia em paciente mais velho com emagrecimento não é "tratar gastrite e rever": é endoscopia digestiva alta.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.