
A questão cobra os sinais clínicos de desproporção cefalopélvica percebidos ao toque vaginal. A bossa serossanguínea acentuada, somada ao cavalgamento dos ossos do crânio, mostra que o polo cefálico está sendo comprimido e moldado contra a bacia sem conseguir progredir. Essa situação é típica da desproporção cefalopélvica, o que leva à alternativa A.
Toque no período expulsivo + bossa serossanguínea + cavalgamento dos ossos do crânio = desproporção cefalopélvica → avaliar progressão e considerar cesárea
A bossa serossanguínea (caput succedaneum) é um edema do couro cabeludo fetal que se forma na parte da apresentação comprimida pelo anel do colo ou pela bacia durante o trabalho de parto. É subcutânea, mal delimitada, ultrapassa as linhas de sutura e regride espontaneamente em poucos dias. O principal diagnóstico diferencial é o céfalo-hematoma: uma coleção de sangue subperiosteal que respeita as suturas, surge horas após o parto e demora semanas para ser reabsorvida.
O cavalgamento é a sobreposição dos ossos do crânio fetal nas suturas, sobretudo dos parietais, e expressa o grau de moldagem da cabeça. Bossa discreta e cavalgamento leve podem aparecer em partos normais. Quando são acentuados e acompanhados de parada de progressão da descida ou da dilatação, porém, são sinais clínicos de desproporção cefalopélvica.
A desproporção cefalopélvica é a incompatibilidade entre o polo cefálico e a bacia materna. Pode ser absoluta (bacia muito estreita ou feto macrossômico) ou relativa (por má posição, deflexão ou assinclitismo). O diagnóstico é clínico e se faz durante o trabalho de parto, no período expulsivo ou antes dele, pela parada de progressão associada a esses achados do toque. A conduta habitual é a cesárea.
Na desproporção cefalopélvica, a cabeça fetal é comprimida contra a bacia sem conseguir descer, e isso gera bossa serossanguínea volumosa e cavalgamento acentuado. É a situação em que essa associação aparece com mais frequência.
A cefálica defletida de 2º grau (apresentação de fronte) oferece o maior diâmetro de insinuação e geralmente impede o parto vaginal. Ela pode ser uma causa de desproporção relativa, mas o achado característico ao toque é palpar a fronte e a raiz do nariz, e não a associação de bossa com cavalgamento.
Cranioestenose é a fusão precoce de suturas cranianas, uma alteração do desenvolvimento do crânio. Ela não é produzida pela compressão do trabalho de parto e, com suturas fundidas, não há cavalgamento ósseo.
Assinclitismo posterior (obliquidade de Litzmann) é a inclinação da cabeça que leva a sutura sagital para perto da sínfise púbica. É um achado de posição que pode acompanhar a DCP, mas não é a situação em que bossa e cavalgamento são encontrados com mais frequência.
Bossa serossanguínea acentuada com cavalgamento dos ossos do crânio e parto que não progride sugere desproporção cefalopélvica. E lembre: a bossa cruza as suturas, o céfalo-hematoma respeita.
Trabalho de parto é a associação de contrações uterinas regulares e dolorosas com modificação cervical progressiva, especialmente apagamento e dilatação. Para prova, o ponto-chave é separar trabalho de parto verdadeiro de pródromos, fase latente de fase ativa e parto normal de distocia.
A banca costuma cobrar gestante a termo com dor tipo cólica, contrações rítmicas, perda do tampão mucoso, dilatação progressiva e descida da apresentação fetal.
O perfil clássico é:
gestante com contrações dolorosas e regulares;
colo uterino apagando e dilatando;
apresentação cefálica insinuando ou descendo;
bolsa íntegra ou rota;
feto com vitalidade preservada.
A palavra que entrega o diagnóstico é progressão: se o colo não muda, não é trabalho de parto estabelecido.
Para prova, o mais importante é:
trabalho de parto verdadeiro: contrações regulares + modificação cervical;
fase ativa: dilatação cervical geralmente a partir de 5 a 6 cm, com progressão;
período expulsivo: dilatação completa de 10 cm até nascimento;
terceiro período: nascimento até dequitação placentária;
quarto período: primeira hora após a dequitação, fase de maior risco de hemorragia pós-parto.
O trabalho de parto depende de contrações coordenadas do miométrio, amadurecimento cervical e ação integrada de ocitocina, prostaglandinas e resposta inflamatória local.
Para a prova, não precisa decorar cascata molecular. O que importa é entender:
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contração uterina efetiva causa apagamento, dilatação e descida fetal;
colo favorável é mais macio, anterior, apagado e dilatado;
apresentação fetal, bacia materna e força contrátil determinam a evolução;
distocia costuma envolver os 3 Ps: passageiro, passagem e potência.
Regra prática: contração sem colo mudar é pródromo; contração com colo mudando é trabalho de parto.
Contrações uterinas dolorosas, regulares e progressivamente mais frequentes.
Dor em hipogástrio e lombossacra.
Dilatação e apagamento cervical ao toque vaginal.
Perda do tampão mucoso.
Descida da apresentação fetal.
Rotura de membranas com saída de líquido claro, quando presente.
O dado que mata a questão é a mudança cervical documentada em avaliações seriadas.
Fase latente com contrações irregulares ou pouco coordenadas e dilatação inicial.
Fase ativa com dilatação mais rápida e contrações efetivas.
Período expulsivo com puxos, sensação de evacuação, distensão perineal e coroamento.
Dequitação espontânea da placenta no terceiro período.
Contrações de Braxton-Hicks: irregulares, melhoram com repouso ou hidratação e não mudam o colo.
Sangramento vaginal intenso.
Dor abdominal contínua, hipertonia uterina ou sofrimento fetal.
Líquido amniótico meconial espesso associado a alteração de vitalidade fetal.
Febre materna, taquicardia materna ou fetal e líquido fétido.
Prolapso de cordão.
Apresentação anômala em trabalho de parto avançado.
Parada de progressão da dilatação ou da descida fetal.
Pressão arterial elevada, cefaleia, escotomas ou epigastralgia, sugerindo síndrome hipertensiva.
O resumo continua na Easy: diagnóstico, tratamento e conduta, diagnósticos diferenciais, pegadinhas de prova, regra prática e tabela final de revisão.